Chiquilito Erse e Roberto Kuppê, 1997
Por Roberto Kuppê (*)
O que tem a ver Chiquilito Erse com Olavo Pires? Tudo, em se tratando de política. Eleições de 1986. Eu tinha apenas 26 anos e já há seis no jornalismo. Nesse ano eu tinha o jornal quinzenal Daily People, que, na verdade, era uma revista tipo classe A, que retratava personalidades da sociedade da época. Foi através da revista Daily People que adentrei na campanha ao Senado Federal de Olavo Pires. Naquela época a agência de publicidade NPP tinha a conta publicitária da campanha de OP. O Toca conhecia a revista, pois já havia inserido a publicidade da Roberto Simon Jóias, então ele destinou uma verba pra inserir um banner da campanha de Olavo Pires ao Senado, cujo slogan era “O senador das estradas”.
Foi aí que conheci o clã Pires. Olavo Neto, filho de OP. Conheci também o outro filho de Olavo com outra esposa, Emerson Pires e o irmão do Olavo, Marco Emílio Pires. Conheci dona Maria Pires, mãe de Olavo. Enfim, fiquei sendo amigo e da cozinha de OP, que morava no interior da VEPESA, onde tinha um apartamento.
Foi no escritório de Olavo Pires, que comemoramos a vitória dele pro Senado pelo PMDB, que também elegeu o senador Ronaldo Aragão e Jerônimo Santana, governador. Foi nesse dia que Olavo se dirigiu à mim e pediu: “Cupê, a partir de hoje quero que fale bem do Chiquilito. Ele será nosso candidato a prefeito em 1988”. Chiquilito também tinha sido candidato ao Senado, foi o mais votado, mas, porém, tinha um negócio de sublegenda e ficou de fora.
E assim foi feito. Chiquilito Erse foi eleito prefeito de Porto Velho em 1988. Olavo deixou o PMDB e se filiou ao PTB, para disputar as eleições de 1990 para o governo. Deu mal. Foi assassinado em 16 de outubro de 1990.
Chiquilito disputou o governo de Rondônia em 1994, mas perdeu para Valdir Raupp (PMDB). Disputou novamente a prefeitura de Porto Velho em 1996 e se tornou prefeito pela segunda vez. Essa foto comigo, foi em 1997 e eu já era colunista político de O Estadão do Norte. Tinha um grande apreço pelo então prefeito, que fez uma das melhores administrações. Chiquilito Erse me recebia sempre que solicitava audiência. Eu era fã dele e ele meu fã. De súbito, Chiquilito renunciou ao cargo em 1 de dezembro de 1998 para tratamento de saúde. Morreu em 7 de julho de 2001, aos 51 anos.
Mas, apesar de termos tido mais contato quando ele fora prefeito, já conhecia a então esposa de Chiquilito, Luiza Eneida Erse. Luiza foi minha colega de faculdade, na unir de 1980 a 1984, quando cursamos Economia. Nesse período Chiquilito era deputado federal pelo extinto PDS.
A morte de Chiquilito Erse abalou o estado de Rondônia. Era um dos políticos mais queridos e honestos do novo estado. Nunca houve nada que desabonasse a conduta dele. O funeral dele partiu da Assembleia Legislativa para o cemitério Jardim da Saudade. Eu acompanhei o cortejo fúnebre e assisti ao enterro que foi bastante concorrido e triste.
(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político
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