RETICÊNCIAS POLÍTICAS  – Por Itamar Ferreira*

“Sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade”. 

Na recente rodada de minidebates da SIC TV, com três candidatos de cada vez, Ramón Cujui do PT que já tinha tirado a ‘sorte grande’ quando ficou no bloco em que estava justamente os dois candidatos mais fortes – segundo o não muito confiável Ibope, pelo histórico de erros na Capital – na disputa pela prefeitura de Porto Velho. Ou seja, para quem estaria atrás na disputa, nada melhor que duelar com os concorrentes mais fortes.

‘Mas sorte pouca é bobagem’, parodiando o dito popular, não bastasse ter ficado no bloco em que todos os demais concorrentes gostariam de estar, Ramón foi “presenteado” pela ausência surpreendente e inexplicável, no sentido de que não foi apresentada uma explicação pública, de Vinícius Miguel.

Para completar este alinhamento de variáveis desejáveis, por qualquer um dos demais candidatos, o prefeito Hildon Chaves que disputa a reeleição não fez o dever de casa, o de se preparar adequadamente para o debate, e, se o fez, foi pela metade, talvez só em relação ao Vinícius, menosprezando o petista Ramón, para quem tinha como único argumento: ‘você é do PT e o seu partido é isso e aquilo’.

Foi literalmente uma surra, um verdadeiro nocaute. Formador social, palestrante, analista de conjuntura e com vasta experiência em gestão pública, como servidor do judiciário, Ramón, que estava “afiado” para debater com Hildon e Vinícius, pode usar toda sua “artilharia” em cima de um aturdido, desnorteado e sem rumo Hildon Chaves.

Era visível o desconforto e a ausência de argumentos de Hildon, um verdadeiro ‘constrangimento pela vergonha alheia’. Um dos pontos altos, uma verdadeira gafe, foi o atual prefeito negar conhecer um dado apresentado por Ramón sobre a saúde de Porto Velho, detalhe: estava em um documento público assinado pelo atual prefeito.

É difícil mensurar o impacto que o excelente desempenho de Ramón Cujui, frente ao apático Hildon Chaves, terá nos rumos na eleição, mas um grande efeito já causou: despertou de vez a aguerrida militância petista. Nas redes sociais, nos adesivos em carros, casas e nas manifestações de rua, o petismo ‘pegou gosto’ pela disputa da prefeitura de Porto Velho 2020.

Difícil, também, avaliar as consequências da “estranha” ausência de Vinícius Miguel, mas parece que houve certo desgaste de imagem na opinião pública. Vinícius tinha confirmado presença, não compareceu e não avisou antes que não iria. Apanhou, de graça, da mediadora, pois deixou o canal de TV na mão e frustrou os eleitores que estavam na expectativa de vê-lo enfrentar o atual prefeito e o petista.

No caso de Hildon Chaves, para piorar ainda mais a situação, talvez ainda atordoado pelo duelo com o petista Ramón, no dia seguinte sua assessoria divulgou uma foto dele abaixado em um asfalto recém-feito, com a palma da mão na horizontal, para tentar demonstrar que o asfalto não seria eleitoreiro e nem “casco de ovo”, como apontado duramente pelo candidato petista no debate. Para dizer o mínimo, não ficou bem na foto.

* Itamar Ferreira é advogado. 

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