Neymar tenta reconstruir pontes rumo à Espanha

À época de sua transferência do Santos para o Barcelona, Neymar já tinha feito bastante coisa em sua até então jovem carreira. Tricampeão paulista, vencedor da Copa do Brasil e líder do time durante o título da Copa Libertadores em 2011, tudo estava alinhado para que o então jogador mais caro da história do Brasil realizasse seu imenso talento.

Mesmo com a sua primeira temporada na Espanha não dando lá tão certo – cortesia da luta árdua de um veterano não tão talentoso, mas muito esforçado em Pedro Rodríguez para se manter nos planos do clube –, os sinais de talento e destaque que já eram demonstrados no Santos mostravam refino. Ali, Neymar começou a provar aos críticos que o consideravam um jogador diferenciado, mas que poderia ter problemas em um nível futebolístico bem mais alto do que o brasileiro, que os seus temores não se sustentariam.

A culminação veio logo na temporada seguinte. A adição do atacante uruguaio Luis Suárez, vindo do Liverpool depois de uma temporada digna de prêmio de Melhor do Mundo, e a chegada do técnico Luis Enrique, levantaram o nível de jogo não só do brasileiro como também de seus companheiros – entre eles, o gênio argentino Lionel Messi, que já havia achado em Neymar um complemento ao seu supremo talento.

O trio MSN entraria nos livros de história quebrando recordes de gols marcados e assistências registradas. Um ataque surpreendente, digno dos tempos mais brilhantes do futebol brasileiro e do próprio time de formação de Neymar, com Pelé, Pepe e Coutinho destruindo as defesas adversárias nos anos em que atuaram juntos. E, além dos gols, vieram os títulos: a Liga dos Campeões, a liga espanhola e a Copa do Rei. A raríssima tríplice coroa, sendo conquistada por Neymar em sua segunda temporada no clube.

Esse seria o auge de Neymar. A partir disso, o processo entrou em puro declínio até o rompimento definitivo. Dois anos após se lançar como o herdeiro do trono de Messi no Camp Nou, Neymar buscaria seu próprio – e solitário – lugar ao sol com o Paris Saint-Germain, na França, em uma transferência que tomou de supetão o próprio Barça, ao ver o pagamento da então “inalcançável” multa rescisória de 222 milhões de euros para tirá-lo da Espanha.

 

A promessa no Paris Saint-Germain seria de elevar sua posição na Europa, e isso ele fez. Frente às ambições de título da Liga dos Campeões pelos parisienses, os palpites de futebol para hoje colocam o PSG como o quinto favorito ao troféu continental. Efetivamente, o time que sofria do “mal crônico” de eliminações precoces da competição, teria do seu lado um dos seus algozes de tempos recentes.

Ao seu lado, um prodígio e um veterano: o jovem Kylian Mbappé, chegado do então campeão francês Monaco, que ajudou a interromper a hegemonia do próprio PSG com seus vários gols e assistências a partir das alas do campo, e o veterano Edinson Cavani, um dos maiores artilheiro da história do time francês, companheiro de Suárez na seleção uruguaia e talento nato quando o assunto é bola na rede.

Desta vez, não houve nem tempo para Neymar atingir um “auge”. As pontes construídas entre ele e o time que lhe daria a plataforma para se lançar como astro-mor do futebol mundial ruíram dois anos após sua chegada. O próprio PSG parece ter escolhido Mbappé, o garoto que se sagrou campeão do mundo pela seleção francesa com 19 anos de idade e cuja diversão favorita durante o tempo livre é jogar FIFA e jogos de tabuleiro.

Enquanto isso, Neymar tenta reconstruir as pontes que haviam sido deixadas ao deus-dará na Catalunha. Ainda é um mistério se ele irá ou não fechar sua volta ao Barcelona. E ainda tem a possibilidade de que ele vá para o maior rival do seu ex-clube, o Real Madrid. O que se sabe é que ficar em Paris seria insustentável. Tanto para ele quanto para a cidade que o acolheu de braços e peito abertos.

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