Maior emenda da história de Porto Velho deve ficar para próximo prefeito

Com três inscrições da prefeitura no Cadin, fama de excelência em gestão que embalou a campanha do prefeito Hildon caiu por terra

Não chegou a durar dois anos a bizarra gabolice de excelente gestor atribuída ao prefeito Hildon Chaves. Em dois anos e meio, sua gestão se vê encalacrada em problemas que são comuns a toda a qualquer gestão, mas que, ao atual prefeito, tornaram-se problemas insolúveis. São problemas na saúde, educação transporte de passageiros urbanos e de alunos, enfim, infraestrutura precária e total descompasso entre a Porto Velho real e a imaginária, cantada em versos e prosas durante a campanha eleitoral.

A construção da nova rodoviária, do shopping popular, – para tirar os camelôs das praças e outros espaços públicos – a expansão da rede de água, a implantação da rede de esgoto, construção do novo centro político e administrativo, do centro de convenções e Ceasa, entre outros sonhos, se revelaram bazófias de campanha que dependiam sobretudo de Parcerias Público Privadas e, portanto, de fontes de recursos privados.

O que não era de se esperar do autoproclamado exemplo de gestor, era que até mesmo recursos públicos garantidos no orçamento da União corressem o risco de retornar à Brasília por incúria administrativa. Antes mesmo de assumir a prefeitura, Hildon Chaves conseguiu a façanha de convencer a bancada federal a aprovar uma emenda no valor de R$ 132 milhões, a maior já aprovada por uma bancada para uma capital brasileira.

Ainda candidato e neófito na política, a conquista da emenda de bancada foi considerada um ato de bravura. Alguns parlamentares, como a ex-deputada Marinha Raupp, o deputado Lúcio Mosquini e até o atual senador e ex-deputado Marcos Rogério foram contra enviar tamanha quantidade de recursos só para Porto Velho, mas acabaram vencidos.

Ao assumir, em janeiro de 2017, Hildon já tinha praticamente em caixa essa montanha de dinheiro para investir em recapeamento de toda a malha que forma o corredor do transporte coletivo urbano e asfalto novo nos bairros Lagoa e Igarapé. Foi aí que a bravura começou a se transformar em bravata. No primeiro ano de mandato, o pouco que fez foi por meio de atuação principalmente do vi ce-prefeito, Edgar do Boi e do ex-secretário de Obras, Tiago Beber, ambos descartados por Hildon. Do montante da emenda de bancada, até agora não conseguiu fazer absolutamente nada.

No ano passado, Hildon trocou os engenheiros da prefeitura, cujas competências já havia criticado na campanha, quando, num debate, disse que não eram capazes de construir “nem uma pinguela”, por uma empresa de Ji-Paraná, de  nome PSA, para elaborar os projetos. Parte do recurso foi contingenciado, mas mesmo assim, foram empenhados R$ 84 milhões.

Contudo, foi mais um ano perdido. Cortando para 2019, chegou o mês de junho sem que nenhum dos projetos, de recapeamento e de asfaltamento estejam prontos para serem licitados. Além disso, a Prefeitura se encontra no cadastro de inadimplentes do governo federal, o Cadin, por conta de aplicações de recursos do Ipam.

Se conseguir sair do imobilismo ao qual se enveredou e tornou-se refém e se desvencilhar das amarras criadas por sua própria equipe, pode ser que consiga licitar essas obras até meados de outubro, já no início do inverno amazônico. Com isso, pode sonhar em finalmente dar início as obras em meados de abril. O problema é que se os mandatos não forem prorrogados por mais dois anos, para coincidiram com as eleições gerais, como querem alguns parlamentares, haverá eleição municipal, quando muita coisa é vedada.

Nesse caso, restaria ao próximo prefeito fazer em um ano o que não foi feito em quatro, vez que o recurso tem prazo de cinco anos para ser gasto.

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