stfDO BLOG DA LUCIANA OLIVEIRA

Há mais de três meses o Ministro Gilmar Mendes suspendeu a posse de Lula como Ministro da Casa Civil e com o afastamento da presidente Dilma, o próprio mandou arquivar duas ações que questionavam a possibilidade da nomeação.
A defesa de Lula entrou com um recurso essa semana questionando o arquivamento e pedindo que o STF reconheça o status de Ministro de Estado, entre os dias 16 de março e 12 de maio, quando ocorreu a exoneração. Para Gilmar Mendes, o afastamento da presidente impôs a perda do objeto, ignorando que isso jamais teria acontecido não houvesse o STF dado causa.O recurso da defesa é para que o STF, ao julgar as ações que contestam a suspensão da posse, fique claro se Lula pode ou não assumir cargos na administração pública e, claro, restabelecer seus direitos políticos e também a prerrogativa constitucional de um presidente nomear ministros sem interferência.
O que para Gilmar Mendes se ‘perdeu’, está no universo jurídico como uma anomalia.
Pior, reforça a suspeita de que o Supremo Tribunal Federal, que teve vários de seus ministros citados por delatores na Operação Lava Jato, age para favorecer um golpe político que tirou do cargo uma presidenta eleita com mais de 54 milhões de votos.Em menos de 36 horas, áudios gravados e divulgados na imprensa, mostraram três investigados no escândalo da Petrobras – Romero Jucá, Sérgio Machado e Renan Calheiros – dois senadores e um delator corrupto, insinuando a participação do STF no que seria um “Pacto Nacional, com o Supremo, com tudo”, para estancar a ‘sangria’ que tudo leva a crer se trate das investigações da Lava Jato. Qualquer um que leia a conversa até esse ponto, não tem dúvidas de que a conclusão é uma só: impedir que novos políticos sejam presos e que os investigados fiquem impunes.
No primeiro áudio, o senador Romero Jucá diz que já havia mantido conversas com ministros do Supremo e “que tem poucos caras ali aos quais não tem acesso.”Já na conversa entre Machado e Renan, ao ser orientado a tratar diretamente com o Supremo para fazer um “Pacto de Caxias”, passar uma borracha no Brasil e seguir em frente, o senador diz: “Antes de passar a borracha, precisa fazer três coisas, que alguns do Supremo [inaudível] fazer. Primeiro, não pode fazer delação premiada preso.”
Como todo mundo vai compartilhar nas redes sociais que hoje cumprem com mais eficiência e imparcialidade o papel da grande imprensa, vou economizar caracteres com esses diálogos imorais e asquerosos.
De tudo que li, duas coisas me reviraram as tripas, o fato de o Supremo não dar uma resposta dura contra quem lança suspeitas sobre a mais alta corte do país e o trânsito livre com interferência direta de investigados por corrupção no legislativo.

Esse Machado, um cara que teria participado da pilhagem na Petrobras, liga pro então Ministro do Planejamento do governo interino e pro presidente do Senado e orienta sobre o que fazer e com quem falar pra ‘salvar’ o país da crise econômica e moral que se escancara.
Nosso destino está nas mãos de 11 homens, que segundo delatores estariam dispostos a colaborar com um Pacto Nacional que impõe morte ao princípio da segurança jurídica e à democracia.
De todo o chorume que exala nesse episódio histórico e dramático da política brasileira, o que realmente me deixa em pânico é a desconfiança lançada ao Supremo.

Não há frase mais adequada para descrever esse momento que a lançada por Lula numa conversa telefônica que vazou: “O Supremo está acovardado”.
Ponto.

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