Por Roberto Kuppê (*)
Passei a madrugada pensando sobre o alastramento do vírus Covid-19 no Brasil e, em especial, em Rondônia, meu estado natal. Sinto dizer que meu pessimismo tem razão de ser. Pensei muitos antes de publicar esta minha reflexão, que, na verdade, é uma sentença: não tem mais condições, razões para decretar um lockdown no País (e em RO), diante da situação atual em que se encontra a pandemia.
Infelizmente os reflexos das indecisões do presidente Bolsonaro fazem sentir agora em números de casos e mortes, que vão piorar. Quando o presidente disse que 70% da população ia contrair o vírus pode se tornar realidade. Não porque ele disse isso, mas porque não fez nada para conter o avanço da pandemia no Brasil. Muito pelo contrário, desincentivou o isolamento e o uso de máscaras, dois quesitos básicos para evitar o alastramento. Agora ele pode dizer: “Eu não falei, eu não disse que isso ia acontecer?”. De fato, disse. Mas, nada fez para evitar. É como se ele visse um bebê no carrinho sendo levado pelo vento para a rua de encontro aos carros e apenas dissesse: “vai morrer” e nada fizesse para evitar.
Continuando, por que não é possível mais decretar um isolamento ou lockdown a esta altura do campeonato? Porque já estamos nos 45 minutos do segundo tempo e estamos perdendo por 7×1. Antes mesmo das flexibilizações a situação já era crítica. Agora, com todo mundo indo para bares, praias, comércio, o vírus já se triplicou, quadruplicou, quintuplicou. Já era. Colocar essa gente dentro de casa confinada com outras vai piorar mais ainda. O que fazer então? Nada mais há a fazer a não ser rezar.
Não posso nem dizer “Seja o que Deus quiser”, porque Deus nunca quis isso. Deus deu o caminho da ciência, mas os “inteligentes” dos governos acharam que sabiam mais. Deu no que deu. A minha previsão é que até o final do ano serão mais de 50 milhões de contaminados e 500 mil mortos no Brasil. “Ah, mas baseado em que?”, perguntarão. Ora, bolas, baseado na matemática, na progressão geométrica, simples. Um contamina três, que contamina nove, que contamina 27, que contamina 81 e por aí vai.
Seja feita a vontade da população. Abre tudo e rezemos. Eu vou continuar confinado, isolado, usando máscaras. Tomando todas as precauções. Cabe aos governos construírem mais leitos de UTI e esperar a vacina.
(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político
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