Jornalista Hélio Doyle, um dos torturados pela Ditadura Militar

 

Jornalista Hélio Doyle, um dos torturados pela Ditadura Militar
Jornalista Hélio Doyle, um dos torturados pela Ditadura Militar

Em sua primeira reunião, no dia 19 de fevereiro de 2014, a Subcomissão Permanente da Memória, Verdade e Justiça do Senado, liderada pelo senador João Capiberibe (PSB/AP), ouviu os membros da Comissão da Verdade do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal. Os jornalistas apresentaram um relatório preliminar com mais de 20 horas de depoimentos de casos de violação de Direitos Humanos e apontaram locais de tortura em Brasília nos anos de chumbo.

Foram convidados a depor Hélio Doyle, Armando Rollemberg, Evandro Fonseca Paranaguá e Chico Sant’anna, membros da Comissão da Verdade, além de Romário Schettino, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas do DF, e o jornalista Alexandre Ribonde. Entre os locais apontados como os que abrigaram práticas de tortura constam os subsolos dos ministérios do Exército e da Marinha, o PIC no Setor Militar Urbano, e a sede da Polícia Federal.

Um dos membros da comissão do sindicato, Chico Sant’Anna, afirmou que a partir dos depoimentos que denunciam os locais de torturas em prédios que sediavam, à época, os ministérios do Exército e da Marinha, é possível concluir que a cúpula do governo militar estava envolvida nos casos de violação aos direitos humanos. “Pelo menos quatro relatos apontam a existência, durante aquele período, de centros de tortura a menos de 500 metros do Palácio do Planalto. É uma prova cabal de que era de conhecimento da cúpula do poder a ocorrência de tortura contra jornalistas”, afirmou.

Em seu relato, o jornalista Hélio Doyle foi um dos que revelou a utilização de prédios das Forças Armadas para torturas. “Fui levado e colocado em uma pequena sala cercada de isolantes acústicos e com vidros. Não sei quanto tempo durou, talvez algumas horas. Depois fui retirado de lá e levado para o Setor Militar Urbano. Não voltei mais àquele local, mas para mim ficou muito claro que ali funcionava um centro de detenção”.

Já o jornalista Armando Rollemberg relatou que foi encapuzado, jogado no porta-malas de um veículo e levado a um lugar semelhante a uma das garagens nos subsolos de prédios da Esplanada. Relatou que muitas pessoas foram torturadas simultaneamente e que o comando das Forças Amadas tinha conhecimento do que estava se passando. “Tanto havia conhecimento que o general [Antônio] Bandeira, que era responsável pelo DOI-Codi, sabia da minha prisão, sabia que eu estava sendo torturado porque quando meu pai esteve com ele, ele tirou um dossiê para falar da minha militância”, disse.

Segundo Romário Schettino, que foi preso quando era estudante da UnB na época e foi submetido a tortura durante 25 dias, a identificação dos locais onde foram presos e torturados jornalistas e cidadãos ajudará no resgate da memória do período. Ele propôs que o Senado institucionalize a colocação de placas nos locais que serviram para torturar os presos políticos, para que isso fique registrado na história desses prédios públicos

O senador João Capiberibe assegurou que os depoimentos e sugestões serão incluídos no relatório final da Subcomissão e que solicitará diligências para a devida apuração das denúncias.

Com informações do Sindicato dos Jornalistas do DF e do site Plano Brasília

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