Isso a Globo não mostra: microscópio criado em Rondônia analisará tecidos vivos




Um sistema inédito de microscopia está sendo desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz RO, em Porto Velho. O projeto é executado com recursos da Financiadora de Inovação e Pesquisa, Finep, que busca promover o desenvolvimento econômico e social do país, por meio do fomento público à Ciência, Tecnologia e Inovação.

Dr. Gustavo Menezes pesquisador visitante sênior Fiocruz RO

O professor da Universidade Federal de Minas Gerais e líder do Centro de Biologia Gastrointestinal, do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, Dr. Gustavo Menezes, é pesquisador visitante sênior da Fiocruz RO e participa da execução do projeto Finep: Ampid (Ampliação do Parque Tecnológico do Polo de pesquisa, inovação, desenvolvimento e difusão em Saúde, em Rondônia) coordenado pela pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz RO, e docente da Universidade Federal de Rondônia (Unir),  Juliana Zuliani.

 

A pesquisadora Juliana Zuliane explica que o sistema de microscopia permite a análise a partir do uso de reagentes químicos que emitem luz. A pesquisadora explica os benefícios a partir da microscopia intravital – como é chamada a captura de imagens em animais vivos. Os animais são anestesiados e colocados em uma placa aquecida a 37 graus Celcius. É feita então uma incisão no local que se pretende estudar e uma pequena quantidade de tecido é exposto sob uma fina lâmina de vidro. A luz passa e ilumina o tecido a ser analisado.

Após o procedimento, é feita a sutura no corpo do bicho que não vai apresentar sequelas. Atualmente os estados de Minas e São Paulo também empregam a mesma tecnologia de microscopia.

De acordo com Gustavo Menezes, o projeto prevê a implementação de um Microscópio Confocal Nikon, equipamento moderno com capacidade de capturar imagens de altíssima qualidade e tecnologia extremamente recente. Na prática, esse é um sistema não convencional e “a ideia da Fiocruz RO é padronizar uma metodologia para que possam ser observados fenômenos biológicos mais próximos da natureza. Ao invés de fazer uma microscopia dentro de um pedaço de tecido que morreu, podemos fazer um preparo em animais de experimentação, o que inclui mosquitos e camundongos”, afirma Gustavo Menezes. Segundo ele, a técnica oportuniza a visualização de fenômenos biológicos em tempo real, dentro de um animal vivo, por exemplo.

Entre os avanços trazidos a Rondônia, a implementação de um sistema de microscopia intravital (imagem de animais ainda vivos) irá promover o intercâmbio de pesquisadores de outros estados para a região Norte, uma vez que quando estiver em pleno funcionamento, Porto Velho terá desenvolvido um polo de tecnologia e ciência, assim como já acontece em estados do Sudeste. O pesquisador destaca que apenas Belo Horizonte, em Minas Gerais, e Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, desenvolvem esse mesmo sistema de microscopia intravital.

Dentro dos programas de Pós-graduação, desenvolvidos pela Fiocruz RO, através de parcerias com outras instituições como a Universidade Federal de Rondônia, acadêmicos de graduação e pós-graduação já recebem orientações sobre o novo sistema. “Estamos trabalhando há um ano na formação dessas pessoas, e a nossa missão é mostrá-las o que está por trás da tecnologia que o equipamento usa, para que saibam desenvolver projetos de pesquisa que contemplem o microscópio. Estamos pensando numa múltipla formação, não só técnica, mas também em como a pesquisa científica pode se beneficiar da técnica”, ressalta o pesquisador.

Avanços em saúde

Para Gustavo Menezes, é grande a possibilidade de utilização das técnicas desse equipamento em atividades que poderão auxiliar no diagnóstico de doenças autoimunes, doenças parasitárias e testes que, até então, são feitos fora do estado, até porque “o mesmo microscópio que faz o diagnóstico de uma doença autoimune, em São Paulo, estará aqui”.

Dra. Juliana Zuliani e parte da equipe do Laboratório de Imunologia Celular Aplicada à Saúde

A pesquisadora em Saúde Pública Juliana Zuliani, responsável pelo Laboratório de Imunologia Celular Aplicada à Saúde destaca que o microscópio irá trazer inúmeras contribuições ao estado de Rondônia, pois foi adquirido envolvendo o Centro de Pesquisa em Medicina Tropical – Cepem RO, a Universidade Federal de Rondônia e a Embrapa, nesse sentido todas as instituições que compõem o polo Tecnológico que está sendo implantado no estado irão se beneficiar e “ assim como a saúde, a agricultura, as engenharias, o ramo de serviços e outros setores que movimentam a economia da região poderão utilizar essa tecnologia”, finalizou. Atualmente, o projeto de implementação do sistema de microscopia intravital está em fase final, só dependendo da segunda fase de liberação de recursos da Finep e terá um custo de aproximadamente 1,5 milhão de reais.

Polo Integrado

O Polo Integrado de Saúde (PID) surgiu com objetivo de reunir profissionais de diferentes instituições de Rondônia (Fiocruz RO, Cepem, Ipepatro e Unir), tornando-se um centro de referência para apoiar e desenvolver as atividades de pesquisas e formação de recursos humanos. No âmbito deste projeto, pretende-se ampliar a produção científica, tecnológica e de inovação, como também a cooperação entre diversas instituições que atuam nessas áreas, além de oportunizar a formação de recursos humanos de alto nível, para atuação dentro e fora do estado de Rondônia.

Texto: José Gadelha

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