Uma história de amor por Rondônia foi encerrada, mais de 100 anos depois de começar, e cada um de nós que compartilhamos de alguma forma aqueles 103 anos contribuímos, de maneiras diversas, com a vida do jornal que certamente será fonte de pesquisa durante muitos anos para aqueles que pretenderem  conhecer, estudar, discutir ou escrever sobre um veículo que começou ainda nos tempos do início da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, contou  derrocada da ferrovia, a abertura da BR-29 (364), viu o início e o fim do Território, a implantação do Estado, contou e testemunhou muita coisa.

Mas o AM não foi apenas um contador de histórias da região. Atuou também na área de formação de pessoal para a atividade jornalística rondoniense, e muitos daqueles que atuaram ali, às vezes levando a experiência adquirida em outras redações, mas as aprimorando no AM, forjou muitos que a seguir se transformariam em nomes de importância no cenário local.

Enumerar as muitas vezes em que o do Território AM travou batalhas em defesa da região, em que foi voz presente, lido e comentado, nos quatros cantos do Estado, não vem ao caso aqui, até porque o sonho sonhado pelos que o criaram, em 1917, e que caminharam com esse sonho, durante tanto tempo tem tantas paixões que encheria páginas e páginas do velho modelo standard, desde os tempos da composição manual até à eletrônica.

Convivi com o AM mais de 20 anos da minha vida profissional,  não de forma continuada, um tempo que foi uma escola para mim e para muitos outros, alguns ainda caminhando na estrada da paixão chamado jornalismo, em meu caso específico paixão pela reportagem.

Meu ingresso no AM deu-se até de maneira interessante: Um amigo contou que durante uma solenidade em junho de 1977 perguntou ao diretor Euro por que ele não me convidava para trabalhar lá. A resposta teria sido porque “Jornalista que trabalha comigo tem de se trajar elegantemente”. Eu, como Montezuma, o Paulo Queiroz, sempre gostei de andar bem à vontade, de sandalhão, calça jeans. Dias depois o Euro mandou me chamar, convidou, atendeu ao que eu pretendia ganhar e fui contratado.

Não nego: aprendi muito mais do que (será que?) cheguei a ensinar. Por isso sou grato a todos que compartilhamos mais de um quinto de século. Mas não aprenderia se não tivesse a ajuda de muitos, dos quais cito alguns, mas, de forma lamentável, não lembro de todos, e peço desculpas por isso.

Além do Euro, do Ciro Pinheiro, e dos que já se mudaram para o andar de cima, como o Joao Tavares, o Ivan Marrocos, o Paulinho, o Zé Paca, o Manuel Miguel, o Carlinhos Neves, o professor Abnael, o Esron Menezes, o Vinícius Coutinho Danin, a dona Adelice, o Pepê e vários outros que também já partiram, por aqui anda circulam o Raphael, o Cesar, o Zezinho, ao Corintiano, a Alice Tomaz, o Rodrigo Pacheco, a Quétila, o Paulo, o Sílvio Persivo, o Leivinha, a dona Helena, o Israel, o Machado, a Eleni, o Montezuma Cruz, o Marco Antero, o Manoel Nascimento, o Zé Carlos Sá, o Cruz, o Nonato, o Edinho, o William Jorge, o Juscelino Amaral, o Luiz Geraldo Mateus, o Moisés Selva, o JGomes, a Marlene, o Fabrício, o Damião, o Rubens Coutinho, o Rubem Nascimento, a lista é enorme, mas a memória já nem tanto. Paciência.

O texto foi apenas para lembrar: há dois anos o principal historiador, sem reconhecimento do MEC porque agora qualquer graduado em História é historiador ainda que nada tenha historiado, deixou de circular. Agora o AM faz parte da nossa história e talvez (quem sabe?) um graduado em História, com registro de historiador, conforme Lei, resolva se interessar por um jornal que historiou muito mais da metade de vida que Rondônia tem.

Inté outro dia, se Deus quiser!

RAZÕES DISCUTÍVEIS

Que os bloqueadores que fecharam a 364 nesta segunda-feira, último dia de setembro, alegando falta de transporte escolar para seus filhos, têm cargas de razão, isso eu não discuto. Mas quando a Lei diz ser livre o direito de “ir e vir” no território brasileiro e quando quem queria passar pela região do bloqueio  ficava impedido e também quem tentava fazer o sentido contrário, então estão desrespeitando a Lei e aí quem é pago para fazer valer a Lei e não faz então, paciência, que se puna quem descumpriu a Lei, tanto quem bloqueou quanto quem deveria ter desbloqueado e não o fez.

AUTOR: Lúcio Albuquerque, repórter

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