A UE já anunciou que não reconhece os resultados das eleições presidenciais que deram a vitória a Alexander Lukashenko.

O Ministério das Relações Exteriores de Belarus informou neste sábado (19) que vê uma possível interferência nos assuntos internos do país a participação de uma líderes da oposição de Belarus, Svetlana Tikhanovskaya, em uma reunião ministerial da União Europeia.

Svetlana Tikhanovskaya vai se encontrar com o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, e ministros de Relações Exteriores de países do continente, na manhã de segunda-feira, em Bruxelas, na Bélgica.

O Ministério das Relações Exteriores de Belarus disse que informou diplomatas europeus sobre sua opinião.

Tikhanovskaya reivindicou a vitória na eleição de 9 de agosto contra o presidente Alexander Lukashenko. Pelos resultados oficiais, o atual líder foi reeleito com 80% dos votos.

Protestos

Manifestante é detida neste sábado em Minsk — Foto: Tut.By via Reuters

Uma parte da população, insatisfeita, começou a fazer protestos nas ruas contra o atual mandatário. A opositora Tikhanovskaya se refugiou na Lituânia.

Neste sábado, policiais do Batalhão de Choque prenderam centenas de pessoas durante uma manifestação de mulheres na capital Minsk contra o presidente Alexander Lukashenko.

Cerca de duas mil mulheres participaram do protesto, muitas com bandeiras vermelhas e brancas, símbolo do protesto. Os agentes bloquearam a passagem dos manifestantes, que se deram as mãos.

Os policiais começaram, então, a arrastá-los para as vans, de acordo com um jornalista da AFP. O lema da convocação foi “A marcha cintilante”. Todas as presentes estavam vestidas de roupa com brilho. A oposição bielo-russa, perseguida pelo regime, que prendeu ou expulsou muitos de seus líderes, convocou várias manifestações de mulheres.

A polícia deteve tantas mulheres que ficaram sem veículos disponíveis para levá-las, e algumas acabaram sendo soltas no local. Várias ambulâncias foram enviadas para atender às mulheres durante os incidentes.

Em uma nota divulgada antes deste novo protesto, Tikhanovskaya já havia elogiado as “bravas mulheres de Belarus”. “Elas marcham, embora sejam ameaçadas e pressionadas constantemente”, completou.

Manifestantes protestam contra os resultados das eleições presidenciais em Minsk, em Belarus, neste sábado — Foto: Stringer/Reuters

União Europeia não reconhece resultados

A UE já anunciou que não reconhece os resultados oficiais que deram a vitória a Lukashenko. Além disso, prepara sanções contra aqueles que considera responsáveis por manipularem as eleições e pela violência da repressão aos manifestantes.

O anúncio desta reunião informal foi feito pouco depois de o Parlamento Europeu pedir sanções contra Lukashenko e contra outros membros de seu governo, em uma moção de efeito não vinculante.

Fonte: G1

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