Folha não mostrou que triplex já teve despacho recorde assim que chegou à 2ª instância




Por Luís Nassif
A Folha de S. Paulo publicou reportagem nesta sexta (25) informando que o caso triplex, que rendeu a Lula mais de 9 anos de prisão e pagamento de multa superior a R$ 13 milhões, foi o que mais rápido chegou ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região em toda a Lava Jato que corre em Curitiba. O curto prazo de 42 dias deixou especialistas divididos sobre a velocidade ser sinal de perseguição a Lula ou não.
Haveria razão à dúvida não fosse o fato do jornal não ter mostrado que, tão logo ingressou na 2ª instância, o caso triplex já teve um despacho de João Pedro Gebran Neto. Em artigo no GGN, na quinta (24), Luis Nassif mostrou que o desembargador recebeu os autos na manhã do dia 23 e, menos de 7 horas depois, intimou as partes para apresentar a apelação (leia mais aqui).
A condenação de Lula no TRF4 é um passo essencial para impedir sua candidatura a presidente na eleição de 2018. Por conta disso, o presidente do tribunal chegou a dizer na imprensa que o processo seria concluído antes de outubro do próximo ano.
De acordo com a Folha, na Lava Jato, outros processos levaram, em média, 96 dias para chegar à segunda instância. O advogado Marlys Arns de Oliveira disse que a “média de julgamento de uma apelação no TRF4 é de um ano após a sentença, independentemente do tempo que leva até chegar ao tribunal. Na Lava Jato, em média, esse prazo é de um ano e quatro meses.”
Após receber os autos, o TRF4 deve intimar as partes a apresentarem as razões da apelação. Foi essa etapa que Gebran desempenhou dentro de um intervalo de poucas horas.
Segundo Nassif, o “prazo de 7 horas é o menor já registrado no TRF4 dentre todos os prazos de processos analisados, comprovando a excepcionalidade com que Gebran vem tratando os processos de Lula. São atitudes de magistrados que se movem apenas de acordo com seus próprios interesses políticos, jogando para segundo plano a responsabilidade em relação à imagem do Judiciário.”
A velocidade com que os processos de Curitiba são encaminhados ao TRF4, segundo a Folha:
MAIS RÁPIDOS
Lula, ex-presidente (caso tríplex) – 42 dias
UTC, empreiteira – 53 dias
Renê Pereira, acusado de lavar dinheiro – 56 dias
José Carlos Bumlai, empresário – 60 dias
Eduardo Cunha, ex-deputado federal – 63 dias
Claudia Cruz, mulher de Cunha – 63 dias
MAIS DEMORADOS
Pedro Corrêa, ex-deputado federal – 187 dias
Nelma Kodama, doleira – 166 dias
Odebrecht, empreiteira – 154 dias
Mendes Junior, empreiteira – 148 dias
André Vargas, ex-deputado federal – 137 dias
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