Flamengo não me representa – Por Professor Pedro Nazareno

Professor Nazareno*

O Clube de Regatas Flamengo, ou simplesmente Flamengo, é um time de futebol do Rio de Janeiro. Uma equipe meia boca, diga-se! Dados os atuais níveis do futebol mundial, é só um clube mediano. Neste ano de 2019 já é campeão brasileiro e por um acaso, num verdadeiro acidente de percurso, ganhou também a Taça Libertadores da América jogando contra o River Plate da Argentina. Em todas essas competições, seus concorrentes eram todos de nível muito baixo. Tirando um ou outro clube de futebol, a América do Sul nem de longe pode competir com os grandes clubes europeus, que praticamente mandam no futebol mundial há anos. Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Inter de Milão, Ajax e Roma são verdadeiras academias que encantam pelo bom futebol que mostram.

Há quase duas décadas que o Brasil não é mais o país do futebol. A seleção nacional não encanta mais a ninguém quando joga. Na Copa da Rússia em 2018, por exemplo, foi humilhada nas quartas de final pela forte seleção da Bélgica quando perdeu por 2 X 1 depois de levar um baile dos grandes Eden Harzard, Kevin De Bruyne e Lukaku. Os campeonatos brasileiros não conseguem mais levar torcedores aos estádios, onde a violência entre as torcidas é o destaque maior. Além do mais, por que um magote de marmanjos tatuados, semianalfabetos, com pouquíssima leitura de mundo e sem conhecimentos vai representar uma nação inteira? Representam, e mal, apenas o esporte que praticam. O que mudou ou vai mudar na minha vida e na vida dos milhões de brasileiros essa conquista? Agora, justiça será feita com a tragédia no Ninho do Urubu?

Nem assisti a todo o jogo da decisão da Libertadores, mas o pouco tempo em que estive à frente da TV, torci pelo time argentino, claro. Aliás, em Copa do Mundo sempre torço pelo país que joga contra o Brasil e me alegro quando “os canarinhos” são eliminados e os tolos torcedores ficam estupidamente chorando. Confesso que não há coisa mais prazerosa do que ver babacas fanáticos chorando pela derrota de seu time do coração. Mas eles deviam era se envergonhar, pois há coisas mais importantes para se lamentar neste falido país como, por exemplo, os mais de 13 milhões de desempregados e os péssimos números sociais em todas as áreas. Saúde, Educação, violência, caos social, democracia em perigo e outras mazelas deveriam ser os assuntos do momento. Assim, como torcer pelo “Framengo” se Bolsonaro e Moro também são flamenguistas?

Não se deve misturar política com futebol, ensina o bom senso. Mas no Brasil, um país da periferia do mundo civilizado, isso é uma triste rotina. Agora, com muitos anestesiados e abobalhados com estas “conquistas” de araque, o tacão do governo pode endurecer ainda mais. Uma feroz ditadura de Bolsonaro, com o povão fora de combate por causa desse jogo do Flamengo, passa a ser uma possibilidade real. O brasileiro comum não ganhou absolutamente nada com esta vitória no futebol. O jogo em si, segundo toda a crônica esportiva, foi de domínio total do time argentino que, apenas nos minutos finais, praticamente permitiu os gols que deram este título aos brasileiros. Ou é muito estranho isso ter acontecido ou foi sorte, muita sorte mesmo, virar nos instantes finais um jogo que já estava perdido. Durante a partida inteira o que se viu foi a garra argentina e o futebol brasileiro acuado à espera de um milagre que acabou acontecendo.

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