Presidente nacional da FENACOM, Fábio Camilo com o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab

BRASILIA- A Federação Nacional dos Comunicadores (Fenacom), com sede em Brasília (DF), realizará no dia 15 de dezembro de 2017, no Rio de Janeiro (RJ), a entrega da Medalha Chacrinha, alusiva aos 100 anos do maior comunicador do Brasil. Dezenas de artistas, comunicadores e políticos de todo o Brasil serão homenageados no evento que terá a presença do ministro das Comunicações, Gilberto Kassab.

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Dentre os homenageados estarão Rita Cadillac, Wanderleia, Sidney Magal, Agnaldo Timóteo, Ovelha, Elymar Santos, Biafra, Gretchen, Sérgio Reis, Evandro Mesquita, dentre outros artistas que abrilhantaram as tardes de domingo no programa “Buzina do Chacrinha”.

O evento também homenageará jornalistas, radialistas, políticos e profissionais de todo o Brasil. A FENACOM é uma entidade que visa apoiar, defender e divulgar as ações de comunicadores de diversos segmentos. A entidade é presidida pelo radialista Fábio Camilo.

Um pouco da história de Chacrinha

Quem não se comunica se trumbica!”, já diria Abelardo Barbosa, o saudoso Chacrinha. Conhecido como o Velho Guerreiro, graças à homenagem feita por Gilberto Gil na canção Aquele Abraço, o apresentador começou a ficar conhecido com um programa de músicas de carnaval que lançou em 1943 na Rádio Fluminense: Rei Momo na Chacrinha, de onde veio a alcunha que o tornaria conhecido em todo o país.

 

Chacrinha

Chacrinha
Abelardo Barbosa caracterizado como Chacrinha. Foto: Acervo Leleco Barbosa

 

 

O início no rádio

Natural de Surubim, no Agreste de Pernambuco, Abelardo Barbosa teve o primeiro contato com rádio em 1937, como estudante de medicina, quando realizou uma palestra sobre alcoolismo na rádio Clube de Pernambuco. “Ele foi fazer uma palestra sobre alcoolismo”, conta Monteiro. “Gostaram da voz dele e contrataram ele pra ser locutor”, acrescentou.

Como baterista do grupo de jazz Bando Acadêmico, ele entrou com os músicos em um navio rumo à Alemanha, em 1939, mas com o início da Segunda Guerra Mundial teve de desembarcar no Rio de Janeiro, onde se tornou locutor da Rádio Tupi. Na rádio Clube de Niterói, comandou o programa de carnaval Rei Momo na Chacrinha, que acabou se estendendo para depois da festividade.

Rádio Nacional

Chacrinha teve rápida passagem pela Rádio Nacional, em 1945, onde apresentava os programas Noite Dançante, aos sábados, e Tarde Dançante Melhoral, aos domingos, quando não havia futebol. “Uma coisa muito importante da minha vida aconteceu aqui na Nacional, quando eu trabalhava na Rádio Guanabara e ela era dirigida pela Rádio Nacional. A Rádio Guanabara foi entregue ao seu dono e quem ficou na Guanabara foi despedido. Então o senhor Vitor Costa mandou me chamar e perguntou se eu queria continuar na Nacional ou se eu queria ficar na Guanabara”, disse. “Naquela época [isso] foi muito importante, porque marcou a minha vida como profissional. Foi a primeira vez que eu me senti atraido por duas emissoras”, acrescentou Chacrinha.

 

Chacrinha
Chacrinha usava fantasias em seus programas. Foto: Acervo Leleco Barbosa

Do rádio para a televisão

Na década de 50, com o personagem já incorporado, Aberlardo Barbosa lançou o Cassino do Chacrinha. O programa passou do rádio para a televisão e manteve seu sucesso até a década de 1980. Em seus programas de auditório na televisão, foram revelados diversos nomes da música brasileira como Roberto Carlos e Raul Seixas. “O jeito de falar e os jargões surgiram no rádio e ele trouxe do rádio pra TV. Fantasias, todo esse negócio começa na Tupi, mas vai se desenvolvendo ao longo da carreira. Ele nunca parou de inventar alguma coisa nova”, conta Denilson Monteiro.

Chacrinha passava os dias na piscina de sua casa, com um rádio ao lado para saber quais artistas ele chamaria para o seu programa, conta o biógrafo. “Ele pensava 24 horas no programa. Tudo pra ele era o programa, e a família também tinha que pensar no programa. A esposa dele ficava em casa anotando o que a concorrência estava fazendo”, diz Monteiro. Na entrevista de 1984 para a Rádio Nacional, Chacrinha conta sobre a importância dos shows que fazia país afora para descobrir novos talentos e fala da preocupação em apresentar na televisão aquilo que o público gostava.

“Quando eu sinto que a música é boa, nós não temos radicalismo: foi bom toca, foi bom apresenta. Nós procuramos diante de nossas fracas e modestas possibilidades  dar ao público aquilo que realmente o público gosta, não o que nós gostamos. Tem que dar o que a gente sente que o público quer, não o que a gente quer. O que a gente quer a gente ouve em casa, não é verdade?”, Chacrinha

 

Chacrinha
Abelardo Babosa. Foto: Acervo Leleco Barbosa

Tropicália abraça Chacrinha

Apesar de muito popular, o programa do Chacrinha era mal visto pela classe média da época. “Era aquela história de ‘passei pelo quarto da empregada e aí a televisão tava ligada e dei uma espiada’. Era assim que a classe média sempre preconceituosa se comportava com relação ao Chacrinha. Era um prazer culposo assistir ao Chacrinha”, conta Monteiro. Essa perspectiva começou a mudar no final da década de 1960. Em uma visita ao Brasil, o sociólogo francês Edgar Morin classificou Chacrinha de “um fenômeno de comunicação de massas só comparável a [John F.] Kennedy e [Charles] De Gaulle”.

Chacrinha também teve seu reconhecimento dentro da classe artística do país por parte do movimento tropicalista. O escritor José Agrippino de Paula, autor do livro Panamérica, uma das obras que influenciaram o movimento tropicalista, já havia dito a Caetano: “Chacrinha é a personalidade teatral mais importante do Brasil”. Em abril de 1968, ápice do movimento tropicalista, Caetano cantou Tropicália na Noite da Banana, edição especial do programa Discoteca do Chacrinha, dedicada aos tropicalistas. Caetano, Gil e os Mutantes passaram a ser atração frequente no programa. O movimento abraçou Chacrinha como um ícone da cultura pop brasileira, que por sua vez dizia sempre ter sido tropicalista. Foi de Gilberto Gil, antes de deixar o país após ser preso pelos militares, que Chacrinha ganhou a principal homenagem, na letra da canção Aquele Abraço.

Chacrinha continua balançando a pança
E buzinando a moça e comandando a massa
E continua dando as ordens no terreiro
Alô, alô, seu Chacrinha – velho guerreiro
Alô, alô, Terezinha, Rio de Janeiro
Alô, alô, seu Chacrinha – velho palhaço
Alô, alô, Terezinha – aquele abraço!

“Isso ajudou  ele a sobreviver, atravessar o tempo, passar de um século pra outro: graças a essa canção do Gil. Isso pra ele foi muito importante”, aponta Monteiro. “Velho Guerreiro é uma homenagem que prestaram a mim e eu naturalmente aceitei de bom grado”, afirma Chacrinha na entrevista de 1984 para a Rádio Nacional.

 

Censura

Durante a Ditadura Militar (1964-1985), Chacrinha enfrentou problemas com a censura. Seu programa tinha sempre a presença de algum censor e a principal questão dos militares era o tamanho das roupas usadas pelas dançarinas do programa. Em uma ocasião,

Chacrinha chegou a ser conduzido para a sede da Polícia Federal, na rua Xavier de Toledo, onde passou cinco horas prestando depoimento. “Ele foi muito perseguido durante a ditadura, pela censura. No Jornal do Brasil, dom Marcos Barbosa escrevia e o atacava semanalmente, chegava a ponto até de sugerir que Chacrinha fosse tirado do ar. A censura estava lá. Tinham atrações que eles queriam que ele retirasse do ar”, conta o biógrafo.

 

 

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