Ele tem apenas 21 anos e não tem diplomas, mas tem uma vasta carreira como mitômano. Jesús Giménez Oliva conseguiu convencer um hospital e uma casa de repouso na Espanha de que era neurocirurgião. E, durante a emergência do coronavírus, chegou a assinar o atestado de óbito de uma vítima da Covid-19 em um hospital. O falso médico está preso.

Foram 20 horas trabalhando em um hospital no auge da pandemia na Espanha. Nesse período, Oliva ligou para uma família para avisar da morte de um homem de 73 anos internado com Covid-19.

“O falso médico ligou para eles, disse que o pai deles havia morrido e desligou”, contou o advogado da família de Josep ao jornal “El País”. A negligência do contato chamou a atenção da família, em choque também pela rápida deterioração da situação do paciente internado no hospital Martorell.

A pessoa que assinou o atestado de óbito não era um jovem cirurgião brilhante, mas um mitômano que aproveitou o momento de emergência sanitária e de falta de médicos para ser aceito pelo hospital com documentos falsos.

Uma carreira de mentiras

Ele apresentou um currículo em que dizia ser neurocirurgião infantil, usou o número de registro médico de um profissional aposentado e ainda ostentou uma carta de recomendação assinada por um médico de um grande hospital público de Barcelona, que também foi enganado, conta a reportagem do canal de televisão Ser.

“Ele não tem formação em nada”, informam os policiais que investigam o histórico de falsidades de Oliva, preso em abril, após a denúncia do hospital.

O falso médico morava com sua mãe e irmãos em uma cidade da província de Barcelona, e confirmou a acusação. Na casa, a polícia encontrou uniformes do Samu (sistema de emergência médica) e do Corpo de Bombeiros, receitas médicas falsas, atestados médicos e cartões de neurocirurgião.

Essa não foi a primeira vez que Oliva se fez passar por um profissional. Em abril, de acordo com o El País, ele conseguiu entrar em um centro de emergência do Samu e, ao ouvir um chamado, roubou uma ambulância e seguiu para o atendimento.

Meses mais tarde, ele atuou como médico do trabalho em um centro logístico da Amazon durante um mês, afirma a polícia.

Já durante a pandemia, trabalhou por 13 dias em uma casa de repouso de Barcelona. O centro atende 115 idosos, informou o canal Ser. Oliva só deixou o local quando foi aceito no hospital Martorell.

O falso médico foi denunciado pelo hospital, pela casa de repouso, pela ordem de médicos e pela família de Josep, vítima da Covid-19.

A família de Josep tem dúvidas se a morte do idoso está relacionada a alguma mudança no tratamento determinada pelo falso médico. “Não sabemos se a ação do falso médico teve influência direta ou não na morte de Josep”, disse o advogado da família ao “El País”.

Fonte: G1

Texto: RFI

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