Ex-vereador Nestor Valdir Saldanha que matou adversário político por vingança é condenado a 15 anos de prisão pelo Tribunal do Júri em São Francisco do Guaporé

O ex-vereador por São Francisco do Guaporé, Nestor Valdir Saldanha, foi condenado pelo Tribunal de Júri a 15 anos de prisão pela morte do então vereador João Mello Zeferino, crime ocorrido no dia 17 de dezembro de 2002. Ambos pertenciam ao mesmo partido, o PDT.

O julgamento, realizado na quarta-feira (20/11), teve a acusação sustentada pela Promotoria da Comarca de São Francisco do Guaporé. O Conselho de Sentença acatou a tese do Ministério Público de que o crime foi cometido por motivo fútil, com recurso que impossibilitou a defesa da vítima, pois, além de estar desarmada, foi pega totalmente desprevenida pelo ataque do réu.

De acordo com o apurado, o denunciado e a vítima, ambos então vereadores de São Francisco de Guaporé, haviam disputado a eleição para presidência da Câmara de Vereadores daquela cidade. O denunciado procurava reeleger-se presidente, mas a vítima ganhou o pleito, o que originou o desejo de vingança por parte do vereador derrotado. No dia do crime, haveria a última sessão em 2002, presidida pelo denunciado. Este aguardou dentro do prédio da Câmara a chegada da vítima e, quando esta entrou no local, efetuou três disparos de arma de fogo que ocasionaram a morte de João Mello Zeferino.

Considerando que o acusado respondeu ao processo em liberdade, o Juízo concedeu-lhe o direito de recorrer da pena na mesma condição. O júri só foi realizado agora porque o réu estava foragido e só foi localizado no ano de 2016.

De acordo com a versão da denúncia, Nestor Saldanha, o réu, e João Zeferino, a vítima, eram vereadores em São Francisco do Guaporé à ocasião.

Ambos haviam disputado a eleição para presidente da Casa de Leis.

Ainda segundo o MP/RO, Saldanha buscava a reeleição, mas João, o vereador assassinado, acabou vencendo o pleito, “o que originou desejo de vingança por parte daquele”.

No dia do homicídio, haveria a última sessão do ano de 2002, a última a ser presidida por Nestor.

“Este aguardou dentro do prédio da Câmara a chegada da vítima e, quando esta adentrou, efetuou três disparos de arma de fogo que ocasionaram as lesões descritas no laudo de exame de fl. 5, às quais foram a causa eficiente da morte”.

Na visão da Promotoria, o crime foi cometido por motivo fútil, já que tudo ocorreu porque a vítima ganhou a eleição para presidente da Câmara de São Francisco.

O magistrado, após análise detida de depoimentos acostados aos autos, incluindo as declarações do réu, entendeu que há indícios suficientes de autoria e, portanto, base mínima legal para ensejar um decreto de pronúncia.

Facebook Comments