ENTREVISTA: WALTER JUSTINIANO DIZ QUE NOVA ENCHENTE SERÁ MAIS DEVASTADORA NA BOLÍVIA E RONDÔNIA

waltercapaO portal de notícias Mais RO entrevista o engenheiro agrônomo boliviano Walter Justiniano, 53 anos. Especialista em impacto ambiental, consultor ambiental com 25 anos de exercício da profissão. Walter é conhecido internacionalmente por pesquisar  sobre impactos de hidrelétricas do Rio Madeira a pelo menos 10 anos. Na enchente história do rio Madeira com consequências na Bolívia, Walter Justiniano foi consultado por especialistas do Brasil e da Bolívia acerca dos estudos dele que afirma que as usinas do Madeira são as causadoras diretas da enchente nos rios Beni e Mamoré, causando a morte de dezenas de pessoas e milhões de dólares em prejuízo.
Mais RO:-:Walter, afinal das contas, as usinas tem ou não tem relação com a enchente na Bolívia? Explique.
WALTER JUSTINIANO -: Tem sim, por um lado, há evidências científicas de que as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio no rio Madeira tem causado sérios danos a todo o ecossistema aquático não apenas a sub-bacia hidrográfica de Madeira, mas também toda a bacia do rio Amazonas, tanto a montante como a jusante (as ligações verticais e jusante das plantas). Especificamente, podemos dizer que é um projeto perverso concebido e construído sabendo-se o que ia acontecer. O governo do Brasil ( Lula, Dilma Rousseff) são os principais responsáveis pela catástrofe ambiental que começou na bacia Amazônica, uma vez que o rio Madeira é o principal condutor de nutrientes e minerais essenciais para a vida aquática que descem com a água dos Andes.

Primeiro ponto: Na Bolívia, há duas áreas de impacto das barragens na área de Madeira, gerando impacto indireto direto. As regiões do Pando e Beni, na fronteira com o Brasil, são afetadas diretamente. Há um aumento do nível normal do rio aproximadamente em 2,5 metros em tempos de chuva e 1,5 m na estação seca, o que provoca desastres em épocas de enchentes e danos e prejuízos à biodiversidade da bacia já que há uma mudança no ambiente para a proliferação de espécies endêmicas e migratórias, principalmente peixes e aves e dramaticamente afeta a espécie humana. Este é um mapa do envolvimento direto e indireto das barragens de Madeira nas enchentes da Bolívia. Dois fenômenos hídricos podem ter causado as inundações: o remanso hidráulico ou refluxo e entupindo o rio com uma mega obra, para esclarecer I apontam que não só as grandes barragens de Jirau e Santo Antonio que causam esse fenômeno, mas qualquer obra que constrói num rio e muito pior em um rio como o Madeira.

 

Ativistas ambientais bolivianos estiveram em Porto Velho
Ativistas ambientais bolivianos estiveram em Porto Velho

Segundo ponto: o rio Madeira é o canal principal ou duto aberto que transporta nutrientes e minerais essenciais para a vida aquática e florestas da Amazônia a partir da Cordilheira dos Andes. As megas usinas de Jirau e Santo Antonio vão causar uma catástrofe ambiental e extinção em massa de espécies aquáticas, principalmente de peixes e de produção agrícola severamente afetada, fertilidade do solo e do equilíbrio ecológico na Jusante, isso afeta a Bolívia, que dará alterações súbitas e progressistas na biota limnológico dos rios eles afetam as espécies de peixes, espécies migratórias, interferência que são mais nesta região, a sedimentação de elevar os rios do nível da água causando inundações de acordo com a quantidade de água da chuva, que atualmente é reforçada pela mudanças climáticas.
Mais RO:- O que os governos bolivianos e brasileiro fizeram para avaliar os impactos da usinas??
WALTER JUSTINIANO: Nada, nada sério, nada que demonstra procurar concretamente soluções aos problemas provocados por estas duas  mega obras na Amazônia. Os primeiros estudos ambientais para o licenciamento das usinas utilizadas inadequada para a necessidade de estudo, por exemplo, os dados sobre o nível do rio foram retirados de anos anormalmente secos, não existem dados de inundação foram considerados. Era fácil ver detalhes se um evento ambiental apresentado não desejado, como este ano de 2014 poderia ser um desastre que ocorreu em Beni, Pando e Rondônia.

O desenvolvimento dos primeiros estudos foi realizado por empresas que iriam construir e depois operar as centrais. Estas empresas nunca iam escrever o que eles estavam fazendo de errado, porque o que realmente importa é o dinheiro que gera, não ecologia. Roberto Carlos escreve em sua canção “El Progreso” .. “Antes da economia ecologia ninguém pensa …” isto se aplica corretamente empreteiras dinâmica monetária que constroem estas máquinas de destruição.
Acho que o Brasil e a Bolívia perderam a sua melhor chance de lidar com este problema de forma adequada, os estudos ambientais. Quando o Tribunal de Justiça de Rondônia anulou o licenciamento anterior poderiam ter tomado uma decisão conjunta para realizar estes estudos em conjunto, como  padrões internacionais para este tipo de empreendimento e não cada um do seu jeito como eles fizeram. As empreiteiras realizam obras em território brasileiro e Evo Morales ordenou um estudo científico na Bolívia que é isso?, o que foi feito e não foi alcançado qualquer coisa neste tipo de empreendimento em rios curso sucessivo tem que ser feita com a permissão de ambos os lados, se um dos dois países se opõem a projetos ficam paralisadas e os piores são canceladas, como não impacto social e ambiental em ambos os países, os benefícios devem ser partilhados Brasil é moral e legalmente obrigadas a entregar à Bolívia, mas a metade da energia produzida por Jirau e Santo Antonio, pelo menos um terço, muito mais se levarmos em conta que o força hidráulica diques de 60% vem da bacia superior do rio Madeira, onde é a Bolívia (Beni) não estão perto das fábricas que fornecem força da água para gerar eletricidade tão grande quantidade de reservatórios que não Bolívia recebe um único quilowatt, mas recebem os impactos sociais e ambientais e efeitos graves para a economia boliviana magra.
Mais RO: Uma nova enchente poderá ser mais devastadora que a de 2014?
WALTER JUSTINIANO : Em termos de prognóstico pode ser mais devastador do que este 2014 outras inundações muito grandes e catastróficas na bacia do Rio Madeira ocorreu, no entanto não houve vilas e cidades como atual, a natureza nutre o processo de destruição – criação, destrói e cria novamente, mas enquanto isso não afeta a espécie humana não consideram desastre. As projeções ou previsões a nível científico sugerem que este será repetido com diferentes virulência vai depender do “comportamento” do clima, regime de chuvas, a concentração de chuvas, o desmatamento nas bacias hidrográficas, a redução da floresta amazônica, mega-obras em bacias de drenagem, etc.
No caso de Jirau e Santo Antonio causa inundações em tempo seco, quero dizer que na estação seca na Bolívia impacto direto sobre os territórios boliviano de Pando e Beni é recebida, o que provoca uma perturbação grave para o micro local e alterações no bacia superior do Madeira em território boliviano, quero dizer os rios Beni e Mamoré Iténez e seus afluentes, a água não cai para o menor nível na estação seca e isso afeta muitas espécies de seres vivos, incluindo os humanos, os danos causados pela obstrução da livre circulação de peixes e mudanças bruscas e graduais na qualidade da água no sector das pescas na Bolívia é estimado em US $ 40 milhões por ano, afetando pelo menos 3.600 centros de pesca de subsistência e comercial, este por si só, já é devastador e se nós falamos para as plantas estarão lá 40 ou 50 anos pode imaginar o dano enorme e incalculável causado por mega-hidrelétrica de madeira na Bolívia.
No caso de inundações se eles vão ser mais devastador, de acordo com dados do Dr. Phillipe Fearnside, sedimentação em megarepresa Jirau está formando uma parede da represa ou sedimento submerso no reservatório desta mega obra, indica que apresentou um não desejado, como este ano de 2014, o impacto das inundações na Bolívia poderia ser o dobro, ou seja, evento climático duplamente devastador.
Mais RO:-O que o Brasil pode fazer para evitar uma segunda tragédia?
WALTER JUSTINIANO : O que o Brasil poderia fazer é não construir barragens que podem destruir a Amazônia. Uma barragem no Madeira é mais letal do que uma inundação de grande magnitude. O represamento do rio leva a danos sérios a curto, médio e a longo prazo.O Brasil deve avaliar adequadamente os impactos sociais e ambientais das barragens no Madeira e remover ou destruir, não construir esses megaprojetos de destruição em massa. Ou  melhor,  não construir mais hidrelétricas desta magnitude ou tamanho.Enquanto isso deve procurar resolver a fronteira com a Bolívia impacto sócio-ambiental urgentemente realizar uma avaliação de impacto ambiental adequada em uma binacional. Este estudo deve abranger a bacia do Rio Madeira, em todo o Brasil e a Bolívia também claramente ser compartilhado com a Bolívia de energia gerada por essas duas megahidroeléctricas.

 

Fonte: Mais Ro

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