RESENHA POLÍTICA – ROBSON OLIVEIRA (*)

Mesmo sendo a segunda cidade do Brasil em números de óbitos decorrentes da Covid 19, por cem mil habitantes, Porto Velho fica atrás somente de Cuiabá (MT), que registrou 418 mortes. Porto Velho passou a ser o maior foco epidêmico da Região Norte, após o epicentro que recaiu sobre Manaus no início do ano. Embora as estatísticas sejam assustadoras, o Governo do Estado tem afrouxado as regras de prevenção e autorizado as abertura das atividades econômicas em razão das pressões advindas dos apoiadores que professam as mesmas críticas ao lockdown do presidente Bolsonaro. 

 

RETROCESSO 

Ainda que o sistema de saúde de Rondônia não esteja totalmente livre de um outro colapso, o afrouxamento das regras de contenção pode voltar a pressionar e colapsar o sistema provocando um novo caos com aumento de mortes por falta de Unidade de Terapia Intensiva. Um estudo da lavra dos pesquisadores Ana Escobar e Tomás Daniel, enviado à coluna, revela a curva ascendente do vírus em Rondônia e projeta um quadro ainda pior caso não sejam adotadas medidas restritivas mais severas para conter a o aumento da infecção pelo vírus.  

 

KIT 

Os pesquisadores rondonienses também alertam para o baixo número de pessoas imunizadas no estado, colocando Rondônia entre as unidades da federação com uma das piores taxas de aplicação da primeira dose vacinal. Os dados da pesquisa são assustadores num estado onde o uso das drogas denominadas Kit Covid – com confirmação científica de não serventia – é prescrito a torto e a direta. Uma coincidência que pode dar pista desses índices negativos de infecção com sintomas graves.  

 

SPUTNIK  

Para piorar a situação, após as tratativas frustradas da prefeitura da capital em adquirir vacinas, a Anvisa não autorizou a importação da vacina russa Sputnik V, que o consórcio formado pelos governadores, inclusive o de Rondônia, pretendia comprar. Não está sendo fácil conseguir as vacinas por razões políticas e pela quantidade da procura. Em muitos municípios, a exemplo de Porto Velho, a vacinação da segunda dose foi suspensa em razão da falta, enquanto os óbitos avançam terrivelmente agora sobre os mais jovens. A bem da verdade temos que registrar que tanto o prefeito Hildon Chaves quanto o governador Marcos Rocha tentam comprar vacinas e não ficaram acomodados com a lentidão e os equívocos do Ministério da Saúde que esperava “chover” vacinas, ou seja, achava que a oferta seria maior que a procura. O que não correu, apesar dos alertas. 

 

JUSTIFICATIVA 

O coordenador do Comitê científico do Nordeste, que assessora os governadores daquela Região na aquisição da vacina Sputnik V, Sérgio Rezende, credita o veto da Anvisa à importação do imunizador à questões ideológicas. Segundo Rezende, a justificativa da agência para impor o veto não se sustenta porque a Anvisa já aprovou duas vacinas que possuem o mesmo adenovírus em sua composição: a de Oxford e a Johnson & Johnson. E a vacina Russa utiliza a mesma composição das duas aprovadas, embora tenha sido vetada por razões até agora cientificamente não explicadas.  

 

REAÇÕES 

De acordo com Rezende, a Sputnik V é utilizada em 61 países, sem que haja nenhuma contraindicação onde o imunizador foi utilizado na população. Diferente da AstraZeneca, liberada seu uso no Brasil.  Na Hungria e Argentina, por exemplo, que utilizam em massa a vacina oriunda da Rússia, foram realizadas análises e restou comprovada a efetividade. Na Argentina os índices de óbitos em relação ao Brasil são bem menores e a vacinação com a Sputnik tem obtido ótimos resultados.  

 

ALERTAS 

Cientistas já começam a alertar as autoridades para uma eventual terceira onda de pico da pandemia e, ao que parece, estão cometendo o mesmo erro quando os especialistas avisaram sobre a segunda. Esta segunda tem sido devastadora e os números de mortes falam por si. Já foram detectadas novas variantes mais letais do que as duas primeiras e a vacinação em massa é a única alternativa para que tais números sejam minimizados. Apesar de que a vacinação não impede uma nova infecção, a imunização é a única salvação para diminuir a letalidade do vírus.  

 

CANDIDATURAS 

Mesmo não sendo o melhor momento para pré-candidaturas devido à crise sanitária que afeta a todos, nos bastidores os movimentos visando as eleições de 2022 estão de vento em popa. Em reservado os nomes de Hildon Chaves, Marcos Rogério, Marcos Rocha, Thiago Flores, Fátima Cleide, Jesualdo Pires, Adailton Fúria e João Gonçalves movimentam os partidos para as eleições majoritárias. Isto sem falar em nomes que de última hora aparecem para surpreender os favoritos. Marcos Rocha é um exemplo deste ponto fora da curva… 

 

 

PESOS  

Impressiona a forma diferente com que o ex-deputado federal Marcos Rogério se comportava na CPI que levou ao cadafalso o mandato do ex-deputado federal Eduardo Cunha com o comportamento agora na CPI da Covid, aberta pelos senadores. Na Câmara, Marcos era um dos mais aguerridos membro da CPI contra os malfeitos do investigado; no Senado, hoje, é um dos fiéis escudeiros contra a CPI aberta pelo Senado Federal que investiga as condutas das autoridades em razão da pandemia. Declaradamente faz parte da tropa de choque que tentará proteger o Governo Federal. São dois pesos e duas medidas. 

(*) Jornalista e Advogado

(**) O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Mais Rondônia não tem responsabilidade legal pela “OPINIÃO”, que é exclusiva do autor.

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