José Bueno

Dos 21 vereadores da Câmara de Vereadores de Porto Velho, pelo menos 17 não devem ser reeleitos numa projeção alta e 15 na projeção baixa. Com gastos de R$ 45 milhões/ano sendo metade em salários, mais de 400 funcionários, trabalho duas vezes por semana, três meses de férias e muita mordomia, a disputa será grande.

Mudança dessa magnitude já ocorreu em 2016, sinalizando a insatisfação do eleitorado, o que acontece de forma consistente desde 2004 e que se repetiu em 2008 e 2012. Os únicos sobreviventes desde 2008, Marcelo Reis e Ellis Regina, têm desempenho assimétrico: enquanto Marcelo Reis perde eleitores (-40% de 2012 pra 2016), Ellis quase dobra de votos desde 2008 pra 2016, quando foi eleita para a sua primeira legislatura.
Marcelo Reis, já condenado por desvio de verbas, afundou politicamente quando trocou o PV pelo PSD, para servir ao seu chefe deputado Expedito Netto, mais interessado no fundo partidário do que eleições, algo como R$ 3 milhões. É apenas mais um oportunista e caricato. Ademais, com coligações proibidas na proporcional, o cenário mudou completamente: cada candidato vale exatamente os votos que terá, e Marcelo Reis perde eleitores como eu perco água neste calor de 40 graus.

O mais promissor candidato à reeleição e de olho em 2022, Aleks Palitot deve repetir o bom desempenho de 2016. Cristiane Lopes atirou-se ao abismo com sua candidatura a prefeita, mas pode preparar o caminho para 2022 para deputada estadual, desde que consiga um desempenho acima da média em 2020 como candidata a prefeita, ou seja, os votos de no mínimo metade dos 25 mil seguidores que tem no Facebook.

As incógnitas com algum lastro de voto, mas em risco:

1) Maurício Carvalho: desempenho pífio em 2016, desproporcional ao poder político do clã que representa, e ainda que campeão no Instagram, cujos eleitores não vão votar, não consegue decolar. Produção legislativa pífia. Não conseguiu consolidar sua liderança enquanto presidente da casa.

2) Luan da TV: apagado, legislador medíocre, produção ZERO, não honrou os quase 3 mil votos obtidos em 2016. É apenas um populista que economiza recursos exclusivamente para divulgar que não gastou, um arremedo pobre do pai. Claro, não fazem nada!

3) Ada Dantas: polêmica, ativa nas redes sociais, mas que não consegue encantar o eleitorado, deve repetir o fracasso do marido nas eleições de 2018, quando Jesuíno Boabaid não conseguiu reeleger-se deputado estadual. Produção legislativa medíocre.

4) Júnior Cavalcante: um vereador com produção legislativa fraca, desproporcional à sua formação e experiência, terá dificuldades.

5) Edvilson Negreiros: seus quase 3 mil votos podem secar na eleição da pandemia, com seu desempenho no digital próximo do zero, ainda que presidente da casa e com a segunda maior produção legislativa do período. Perde apenas para Ellis Regina, uma máquina de produção legislativa.

6) Joelna Holder: com desempenho legislativo fraquíssimo, só consegue encantar os poucos apaniguados da sua igreja e, como presidente da Comissão de Educação, não conseguiu resolver os graves problemas do setor no município.

7) Alan Queiroz, o espertalhão, esse deve buscar trabalho, porque em quatro anos foi um nada pra nada. Produção legislativa inexistente ou soberbamente ridícula. Aliás, não devia nem estar neste texto.

O elemento crítico destas eleições atende pelo codinome COVID-19, que certamente será devastadora para o processo eleitoral. A começar pelo alto percentual de abstenções que poderá superar os 40% que, somados aos brancos e nulos, deverá jogar no lixo mais de 60% dos votos. O distanciamento social em filas eleitorais será forte componente de dispersão. Basta ver as filas que dobram quarteirões nas portas da Caixa Econômica Federal e Lotéricas. Pra sacar dinheiro. Pra votar, nem pensar. Ainda mais sob forte sol ou provavelmente muita chuva, poucos vão se dispor a ficar expostos ao tempo.

Soma-se a isto os grupos de risco e teremos a tempestade perfeita contra os interesses dos candidatos. Não poderão suar a camisa porque a lei proíbe qualquer contato com o eleitor. Nas redes sociais, a maioria deles – vereadores em exercício e candidatos – são um completo desastre. Os em exercício do mandato deverão exigir no mínimo 250 votos de cada servidor que nestes quatro anos mamou nas gordas tetas dos respectivos gabinetes, com ou sem “rachadinha”. Sem isso, adeus.

Somadas, as contas de Facebook dos vereadores de Porto Velho atingem cerca de 50 mil pessoas de um colégio eleitoral de 333 mil eleitores, ou seja, um resultado pífio considerando que menos de 20% são ativos. Será um desastre digital anunciado desde março com o surgimento da pandemia. Restritos às redes sociais a partir do dia 27 de setembro, os candidatos devem guerrear num cenário de propaganda eleitoral aonde o péssimo serviço de internet vai impedir a comunicação daqueles com menos recursos e com redes digitais diminutas. Rádio e TV a partir do dia 9 de outubro não farão a menor diferença.

Quem construiu meticulosamente base eleitoral nestes quatro anos, junto a efetivas lideranças nos bairros e montou uma base digital consistente, poderá sobreviver e até ultrapassar no mínimo os 2 mil votos necessários para candidatar-se a um lugar na fila dos 21. Entretanto, com a alta abstenção, mais os brancos e nulos, o coeficiente será fortemente impactado. Traduzindo: cada voto terá o peso e o poder de pelos menos dois.

Quanto aos candidatos a prefeito, como sempre, estarão cuidando de suas candidaturas e poucos de fato constroem alianças e trabalho efetivo junto aos candidatos a vereador. Ainda que neguem. Na majoritária, com a manutenção das coligações, o processo se dá mais no topo das lideranças partidárias do que na base, e dentre os candidatos, os interesses se resumem em um olho no fundo partidário e o outro em 2022.

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