Por Dabson Bueno

As eleições municipais de 2020 se foram, ao menos para os candidatos a vereadores, mas a pandemia ficou, com suas consequências e incertezas. Inserida no meio da crise sanitária, as eleições legislativas deixam como resultado a quase certeza de que o parlamento de Porto Velho, mais uma vez, pouco protagonizará na agenda política local. Afirmo isso, a partir de dois aspectos observados nas campanhas deste ano – da qual fui um dos participantes.

O primeiro aspecto é a já histórica desigualdade econômica entre os concorrentes, que legislação alguma parece suficiente para impedir. Nem mesmo o tal Fundo Eleitoral, que seria um instrumento para equalizar as diferenças e dar transparência ao pleito, fez com que os candidatos mais abastados se acanhassem em ostentar seu poderio econômico.

Aliás, a existência do Fundo ajudou a construir um discurso aparentemente ético de que, para ser contra o uso do dinheiro público em campanhas eleitorais, não seria justo aceitá-lo. A meu ver, esse discurso escondia duas premissas: os valores eram ínfimos e a engenharia de prestação de contas demasiada exigente.

O segundo aspecto que me chamou a atenção – e neste quero me deter um pouco, até para fazer jus ao título deste artigo – foi a quantidade e a qualidade das proposições para mandatos dos quase 630 candidatos e candidatas a vereadores e vereadoras em Porto Velho.

No momento de pandemia letal em que vivemos, com risco de repique no número de casos e cuja doença exige medidas complexas de combate, os pretendentes aos cargos legislativos se apresentaram aos eleitores como se o ano de 2021 viveremos em céu de brigadeiro em relação ao COVID-19, A necessidade de intervenção na dinâmica econômica e social do município, tão profundamente alterada pelo vírus, tal como na legislatura atual, parece não estar na alçada dos vereadores.

Ao decidir entrar na disputa eleitoral deste ano, tinha claro que o ano de 2021 vai exigir muito do poder público. Temos questões importantes ainda pendentes a serem encaminhadas. O que fazer com o ano escolar de 2020? Como fazer com que o Auxílio Emergencial não acabe? Como criar condições para tenhamos geração de trabalho e renda? Como dinamizar a economia local? O que fazer para que a fome não assole a nossa gente?

A partir destas inquietações formulei um conjunto de propostas legislativas, necessárias e exequíveis, para oferecer à população de Porto Velho. Tendo como eixos o empreendedorismo e a economia criativa, orientados para os segmentos mais frágeis, buscava com elas mitigar os impactos da pandemia sobre os portovelhenses mais pobres.

No ambiente político complexo e bruto, do qual participei como integrante da linha de frente, atuei com o compromisso de fazer de 2021 um ano menos doloroso para a nossa gente, mesmo convivendo com a pandemia num patamar ainda desconhecido.

O jogo foi jogado. As escolhas foram feitas. Os resultados são esperados. Que não hajam “choros nem ranger de dentes”.

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