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E abre-se a Janela da Esperança!

Por José Armando BUENO (*)

Dia 7 de março, quarta-feira, abre-se a esperada e famigerada Janela Partidária – que pode ser a Janela da Esperança – momento único para que políticos em mandato possam fazer a troca de partido de modo seguro, e pré-candidatos possam decidir por qual partido vão disputar a eleição. É certo que os acertos não se acertaram. Há muito em jogo, muito mais que mandatos. E as disputas internas e entre partidos mais se aproxima de uma guerra de guerrilha do que uma negociação. Uma coisa é certa: o prazo limite de 7 de abril não deve ser considerado. Tudo tem que estar acertado até, no máximo, 28 de março, pra dar tempo para os ajustes finais, porque o TSE/TRE estarão atentos e podem ser geradas impugnações por falta de uma vírgula. Mas, que fique o registro: ninguém se acertou com ninguém. Existem muitas conversas e nenhum acerto de verdade. O clima é de total insegurança, desconfiança e algum nível de arrogância. Vamos colocar uma lupa nisto?

Tudo começa e termina na Lua Minguante, e queiram ou não os mais céticos e incrédulos, é bom se precaver

LUA MINGUANTE  |  A janela partidária começa e termina em lua minguante. Não é preciso repetir sobre o poder da Lua sobre o planeta e as pessoas, ainda que céticos e incrédulos descartem qualquer interferência. Qualquer sábio👳 ou matuto do mato🤠, sabe que a Lua tem sim impactos sobre tudo e todos. Mas, vamos aos fatos, de acordo com os especialistas. Primeiro, a lua minguante é ótima para largar situações insatisfatórias. É o momento da introspecção, da análise, da avaliação crítica definitiva sobre situações. E eles alertam: não insista em assuntos ou projetos que não vingaram até agora, e nesta lua está a oportunidade para livrar-se daquilo que você não precisa ou não quer mais e também finalizar pendências. Mais especialmente, livrar-se de uma relação desgastada de qualquer natureza. Inclusive a política (🤣). Ainda que você, candidato, não acredite, não descarte estes conselhos nada esotéricos. E anote mais: dia 17 de março começa a lua nova e dia 24 a lua crescente, preparando o espetáculo da lua cheia dia 31. Portanto, é o período ideal para a mudança de partido. Na lua nova está o período mais fértil para se iniciar algo novo, um projeto, e situações que, preferencialmente, você não tenha relação antecedente, como um novo partido. Nada começado aqui terá um resultado imediato – lembrando que a eleição é somente em outubro – mas é o melhor momento para iniciar projetos mais complexos, que vão desenvolver-se e crescer. Então candidatos crédulos ou incrédulos, mexam-se ou esqueçam 2018.

Janela não é porta!

JANELA NÃO É PORTA  |  É sempre bom ser didático. Janela não é porta, então, você precisa de um exercício maior para entrar por uma janela que passar por uma porta. Se você está em mandato já deve ter feito sua escolha, inclusive ficar no mesmo partido. Caso contrário, está bem atrasado. Claro que negociações são mais que importantes, entretanto, se você não fez a lição de casa, não antecipou-se, não planejou sua carreira política, ficará com as sobras. Político em mandato ficando com sobras, vai sobrar na hora da eleição. Enrolou, compadre, ficará enrolado. E não se trata de ser esperto, é planejamento mesmo. E se você não tem mandato, mas também não se decidiu, precisa correr e muito, ainda que você já tenha feito a sua base ou o seu trabalho político. O partido é o viabilizador da sua candidatura e sem ele seu projeto não é nada. Deixar pra última hora ou não saber negociar sua posição, estrutura de nominata e outras duplicatas, faz é aumentar o risco de ir para o final da fila. Daqui por diante será tudo muito, muito rápido, e a política acelera cada vez mais para ser um processo profissional que exige profissionais, planejamento, gestão, monitoramento sistemático. Lembro que a formação de nominatas vencedoras não é como jogar na loteria, preenchendo quadradinhos e acreditando na sorte. Além disso, aqueles candidatos que estão entrando no jogo com o olho em 2020, precisam correr como se não existisse 2020. Caso contrário, as estatísticas comprovam, o fracasso será a única colheita. Em 2020, porque 2018 terá sido um pesadelo aonde sobram falta de profissionalismo, traições, raivas e dívidas.

Grupos políticos não são homogêneos, nem sempre se entendem, mas estão juntos.

OS GRUPOS  |  Sua escolha deve considerar ainda o partido que está na pista para unir-se a determinados grupos e blocos políticos. Os grupos têm uma natureza própria: seus integrantes não são homogêneos, nem sempre se entendem, mas estão sempre juntos. É quase como uma família, aonde um ferra o outro, mas sempre almoçam e dormem juntos. São liderados por políticos com mais tempo na estrada e que têm acumulado poder, ainda que estejam fora do mandato neste momento, e por pouco tempo. Políticos fora de mandato por muito tempo, derretem muito fácil numa disputa eleitoral. Grupos estão encastelados em partidos e buscam afinar-se com blocos partidários que podem abrigar seus líderes e acomodar os candidatos que os acompanham, ainda que convenções não tenham formalizado as pretensões. Tudo é articulado ANTES, e não DEPOIS. Os blocos em formação, neste início de março, não conseguem firmar-se dada a alta volatilidade e fragilidade que envolve alguns dos seus líderes. E os blocos sempre têm no topo um partido forte com capacidade de atração, aglutinação e a construção das bases da coligação para enfrentar as eleições. Este é o desenho. O que posso afirmar com absoluta segurança, é que teremos enormes surpresas, gigantescas. Impactantes.

Blocos políticos em Rondônia derretem feito manteiga.

OS BLOCOS  |  Para se ter uma ideia da instabilidade e incerteza na formação dos blocos, que em Rondônia derretem feito manteiga, em apenas um mês o STF já condenou líderes de três grupos políticos tradicionais em Rondônia, os senadores Ivo Cassol/PP e Acir Gurgacz/PDT, e o deputado federal Nilton Capixaba/PTB. São líderes de três partidos fortes e estruturados, mas que acabam de sofrer golpes letais na sua capacidade de atração e aglutinação, ainda que não possam e não vão abrir mão do comando partidário. Seria a morte para eles. Um caso concreto é o do ex-senador Expedito Júnior, que vai completar dez anos longe de mandato e que não tem mais o comando do PSDB, ainda que o tenha do frágil e desarticulado PSD. Sua corrida para aliar-se a Ivo Cassol – e vice-versa, num processo osmótico – é um quase desespero, e com a condenação deste seu amigo e compadre, o cenário tornou-se bastante hostil para ambos, que protagonizam o letal “abraço dos afogados”. A sinalização é bastante clara de que os problemas mal começaram. O STF corre de um lado, a Lava Jato com a PF de outro e o MP Estadual no meio, e a fila de candidatos com problemas é robusta. O eleitor – e os candidatos concorrentes – claro, observam tudo sabendo que aqueles envolvidos em problemas ou abatidos pela justiça, serão os primeiros a perder o lugar na corrida, ainda que a justiça não os tenha eliminado em definitivo. Não será preciso.

Está aberto o balcão de negócios da janela partidária, verdadeiro leilão.

AS MOEDAS  |

Neste momento os partidos e políticos já definiram suas moedas de troca partidária, na realidade um grande leilão💰. Encabeça a lista o fundo de financiamento, a cereja do bolo para a atração dos formigões vorazes por maiores recursos. Quanto mais forte o político, maior seu apetite, entretanto, já entrou em cena o segundo item da lista, que é a participação no comando partidário e a viabilização de candidaturas de topo, sejam majoritárias ou proporcionais. O senador Álvaro Dias, quando foi para o Podemos (ex-PTN), o fez em busca de espaço para sua pré-candidatura à presidência e, certamente, o comando partidário ao lado da deputada Renata Abreu. O deputado Jair Bolsonaro segue o mesmo figurino como pré-candidato à presidência, mas com o detalhe de que queria – e conseguiu – o total comando do PSL. Deixou o Patriota (ex-PEN) exatamente porque não havia conseguido. O mesmo desenho é mantido em toda a pirâmide de candidaturas e partidos, do topo à base: recursos, poder e espaço político. Muitos candidatos sem lastro algum, mas faladores e bajuladores, estão percorrendo o trecho vendendo ouro e entregando areia. Já recebi uma dúzia pra conversar. São como birutas de aeroporto, sem rumo, e tratam a política como badecos. Sem futuro. Não entenderam ainda que a política agora é uma atividade profissional.

Boa parte dos partidos nanicos serão extintos, como o PTC.

A VEZ DOS PEQUENOS  |  Neste momento os chamados partidos pequenos, viáveis e organizados — e não os nanicos inviáveis e desorganizados como o PTC, por exemplo, e que serão extintos em 2018 — ganham visibilidade, espaço e muitos já começam a criar corpo de gente grande como o próprio PSL de Bolsonaro, hoje com apenas três deputados federais mas que, com a janela partidária, deve pular para vinte ou mais. A continuar seu explosivo crescimento liderado pelo fenômeno Bolsonaro, o PSL deverá ser o terceiro ou quarto partido com mais deputados federais, o que vai mudar de modo sensível o equilíbrio de forças no Congresso. Siglas como PMDB, PSDB, PTB e PR, dentre outros, devem encolher, tanto pela corrupção em que estão mergulhados quanto pela incapacidade de oxigenar-se para permitir a renovação. Seus caciques agarram-se ao comando partidário como náufragos num pedaço de pau. Em Rondônia, por outro lado, deputados estaduais sem qualquer brilho buscam espaço em partidos que lhes apresentem alguma afinidade e o palco de que necessitam – e sem isso não se reelegem – como Jesuíno Boabaid e Anderson do Singeperon, na fila para um lugar no PSL de Bolsonaro. Não vão conseguir. Como a credibilidade de um e a representatividade do outro estão bem afetadas, estão diante de um problema e tanto. Isto é so um exemplo do que vem por aí, embora quem esteja sentado na poltrona na ALE acredite que pode ir dormir sossegado. Vão dormir sim, mas terão sérios pesadelos. Como já disse e vou repetir: Outubro Negro está vindo, a galope.

(*) José Armando Bueno é empreendedor e jornalista, editor de A CAPITAL.

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