Apesar da Dinamarca ter registrado em agosto o menor número de casos de Covid-19, a determinação do uso obrigatório de máscara é uma tentativa de prevenir o país contra uma segunda onda da doença. Quem se opuser à medida corre o risco de pagar 2.600 coroas dinamarquesas, o equivalente a R$ 2.300.

Com o fim do verão e a chegada dos meses de frio, os dinamarqueses costumam trocar as bicicletas pelos transportes públicos para se deslocarem, o que tende a aumentar a quantidade de pessoas aglomeradas.

De acordo com especialistas do Conselho Nacional de Saúde da Dinamarca, a exigência de máscara é necessária, independentemente da evolução do número de infecções. Os últimos dados do conselho mostram um total de 16 mil casos do novo coronavírus e pouco mais de 600 mortes.

A Dinamarca já realizou mais de 1,5 milhão de testes, em uma população de apenas 5,8 milhões habitantes.

Na noite do último sábado (22), mesmo dia em que a medida entrou em vigor, a polícia de Odense, na região de Fyn, a terceira maior ilha do país, multou e expulsou do trem um homem de 24 anos, que se recusava a usar a máscara dentro da estação.

Início do ano letivo

A volta às aulas está sendo realizada de maneira diferente em cada uma das cinco regiões da Dinamarca. Creches, escolas e universidades seguem as diretrizes de governos regionais, mas como as medidas de prevenção são nacionais, continuam a valer o distanciamento social em sala de aula, o uso de álcool em gel, e o recreio para apenas uma turma de alunos por vez, para evitar aglomerações em espaços comuns nas instituições de ensino.

Crianças lavam as mãos na escola Gudenåskolen, na Dinamarca  — Foto: Lone Mathiesen/ Divulgação/ Embaixada da Dinamarca no Brasil

Um outra medida regional para a contenção de novos casos foi aplicada em Aarhus, segunda maior cidade do país, com mais de 200 mil habitantes, e localizada na parte peninsular da Dinamarca. Devido ao registro de número de casos isolados na região, o governo local decidiu adiar a abertura do ano letivo para metade dos alunos do ensino médio, que terão permissão para retornar gradualmente às atividades escolares até o dia 4 de setembro.

Essa medida faz parte de um plano de prevenção de possíveis novos casos de Covid-19, incluindo a restrição no horário de funcionamento dos cafés e restaurantes da região, que devem encerrar as atividades até a meia-noite. Em outras partes do país, o horário foi estendido para as 2h da manhã.

Suécia na contramão das medidas

Neste mês de agosto, a Suécia retomou normalmente as aulas presenciais para os alunos do ensino médio. Durante todo o período de pandemia, o país manteve abertas escolas e creches para os alunos menores de 16 anos.

O país adotou poucas medidas contra a propagação da Covid-19. Na Europa, é uma das raras nações que não recomendou o uso de máscaras, na contramão das medidas adotadas pelo bloco de países nórdicos Noruega, Dinamarca, Finlândia e Islândia.

De acordo com o epidemiologista Anders Tegnell, responsável pelo Conselho de Saúde da Suécia, “é muito arriscado acreditar que as máscaras mudariam o jogo quando se trata da Covid-19”.

A Noruega e a Dinamarca anunciaram nesta sexta-feira que reabrirão suas fronteiras, mas excluirão a vizinha Suécia (foto) — Foto: Henrik Montgomery/TT via AP

3.700 pessoas testaram falso positivo

Na tarde desta terça-feira (25), as autoridades sanitárias da Suécia admitiram em uma coletiva de imprensa que 3.700 pessoas podem ter testado falso positivo para o coronavírus. Os resultados imprecisos dos testes foram encontrados em nove regiões suecas, incluindo a capital Estocolmo, e datam do começo de março deste ano.

A falha foi descoberta por dois laboratórios ao testarem a eficácia dos exames adquiridos pela Agência de Saúde Pública de uma empresa em Wuhan, na China.

Durante a coletiva de imprensa Tegnell explicou que os kits de autoteste mostram se o paciente tem uma infecção de Covid-19 em andamento. Mas o exame não foi capaz de distinguir entre níveis baixos de contaminação e amostras negativas.

“O problema com os kits de autoteste foi reportado à empresa fabricante. Outras autoridades de saúde europeias e a Organização Mundial da Saúde foram notificadas’’, acrescentou Tegnell, o epidemiologista-chefe da agência de saúde.

Alem disso, o governo da Suécia informou que todas as pessoas que testaram falso positivo serão notificadas até esta quinta-feira (27). As autoridades também garantiram que os testes realizados após o dia 15 de agosto são precisos.

A Suécia tem até o momento mais de 80 mil casos registrados e quase 6 mil mortes pelo novo coronavírus.

Fonte: G1

Por Fernanda Melo Larsen, RFI

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