Descoberta a cura de Alzheimer à base de exercícios físicos

Hormônio produzido durante exercícios físicos protege contra avanço da doença

A Doença de Alzheimer (DA) afeta hoje cerca de 35 milhões de pessoas no mundo, das quais mais de 1 milhão está no Brasil. A DA tem como seu principal sintoma a perda progressiva de memórias e, infelizmente, ainda não tem cura. Não se sabe exatamente o que causa a DA, mas há fortes indícios de que falhas na comunicação entre os neurônios, as chamadas sinapses, estão por trás da perda de memórias em pacientes com essa enfermidade.

Por outro lado, sabe-se que o exercício físico é muito importante para a prevenção de diversas doenças. Embora os benefícios do exercício sejam melhor conhecidos na prevenção de doenças cardiovasculares e endócrinas, por exemplo, estudos realizados nos últimos anos revelaram que a atividade física pode também trazer benefícios para pacientes afetados pela DA, especialmente nos estágios iniciais da doença. No entanto, muito pouco se sabe ainda sobre como o exercício dispara sinais no cérebro dos pacientes para promover tais benefícios.

 

Os professores Fernanda G. de Felice e Sergio T. Ferreira, do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis e do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ, lideraram uma pesquisa que revelou que um hormônio recentemente descoberto e chamado de irisina pode ser a chave para entender os benefícios do exercício físico na DA.

Felice, Ferreira  e Lourenço

Os pesquisadores da UFRJ mostraram que a irisina, já sabidamente produzida pelo músculo, também pode ser produzida pelo cérebro em resposta ao exercício físico.  Havia-se descrito anteriormente que a função da irisina seria regular o metabolismo do tecido adiposo, onde ficam armazenadas as reservas de gordura do corpo, em resposta ao exercício físico.

No entanto, o novo estudo mostra que a irisina também tem efeitos benéficos no cérebro, ao promover mecanismos que protegem as sinapses e favorecem a manutenção das memórias. O grupo de cientistas da UFRJ inicialmente mostrou que a irisina se encontra em níveis bastante diminuídos nos cérebros de pacientes afetados pela DA, assim como no cérebro de camundongos que são utilizados como modelos experimentais da doença.

“Isso nos levou a imaginar que a falta de irisina no cérebro poderia ser prejudicial às sinapses e, portanto, poderia prejudicar a memória”, explica Mychael V. Lourenco, primeiro autor do estudo agora publicado e também professor do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ.

Confirmando essa hipótese, eles descobriram que a reposição dos níveis de irisina no cérebro de diferentes formas, inclusive através do exercício físico, foi capaz de reverter a perda de memória dos camundongos afetados pela DA. Mais ainda, os pesquisadores descobriram que a irisina atua como responsável pelos efeitos benéficos do exercício físico no cérebro e na memória dos camundongos.

Esses resultados revelam que a irisina é um novo alvo para o desenvolvimento de tratamentos para a DA. Além disso, as descobertas do grupo brasileiro reforçam a importância da atividade física para prevenir a perda de memória e doenças do cérebro, inclusive a doença de Alzheimer.

“Este novo estudo demonstra, ainda, que a administração de irisina consegue mimetizar, ao menos em modelos animais, os efeitos do exercício físico no cérebro, o que pode ser terapeuticamente importante para pacientes idosos que não conseguem mais se exercitar adequadamente”, conclui Fernanda de Felice.

Finalmente, “por se tratar de um hormônio produzido pelo próprio organismo humano, imagina-se que a irisina poderia trazer menos efeitos colaterais adversos em futuros testes clínicos com seres humanos e, especialmente, em pacientes afetados pela Doença de Alzheimer”, complementa Sergio Ferreira.

Fonte: UFRJ e TV Globo

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