Sexta-feira, 27 de setembro, um dia – ou melhor noite, que ficará marcado na memória do manauara pela tempestade que devastou e deixou em luto duas famílias na capital amazonense. Entretanto, um caso ocorrido à 281 quilômetros de Manaus, mas precisamente em Urucará, chocou os moradores não somente do município, mas, de todo Estado. Às 21h em uma região de mata localizado no bairro Aparecida II, um bebê recém-nascido do sexo masculino foi abandonado por uma ‘mãe’ atordoada e com medo de ser expulsa da casa onde mora de favor.

O fato de imediato ganhou repercussão e o vídeo do resgate viralizou nas redes sociais e mobilizou centenas de famílias que se sensibilizaram e logo se dispuseram a ajudar a nobre causa.

 “O que foi feito não se faz com ninguém, imagine uma criança frágil que não tem culpa de nada, jogada no meio do mato sendo atacada por formigas, é de chocar e revoltar qualquer um. Uma mulher que fez uma maldade dessa não é capaz de cuidar nem da própria vida”, relatou uma profissional da saúde de 29 anos, que preferiu não ter o nome revelado, e que ajudou nos primeiros cuidados do recém-nascido.

O nascimento

O menino ainda sem nome, nasceu saudável, pesa 3.900 Kg e tem 54 centímetros. Ele ganhou a simpatia e um apelido carinhoso da população de Urucará, o ‘Urucaense Forte’. Passados três dias desde que foi abandonado o bebê está bem. A mãe já foi localizada e os dois estão juntos na mesma casa onde a jovem de 27 anos tinha receio de ser expulsa.

A decisão do poder de guarda da criança deixou indignados os moradores do município, isso porque para muitos a mãe não tem controle psicológico e acreditam que ela pode abandonar a criança mais uma vez.

Como tudo aconteceu

À reportagem do portal Manaus Alerta, a profissional contou detalhes de como procedeu toda a ação dessa mãe identificada até o momento como ‘Viviane’.

“Ao ser atendida ela (mãe do recém-nascido) contou que tinha ido sacar o benefício do bolsa família na casa lotérica, lá a bolsa estourou e a princípio todos pensavam que ela tinha se ‘mijado’, foi quando a moça saiu correndo em direção ao quintal da casa onde mora, atravessou um campo de futebol até chegar na região de mata. Lá ela realizou o parto e abandonou a criança”, contou.

A dona da casa onde Viviane mora, desconfiou da atitude da moça foi até o quarto e se deparou com a jovem ensanguentada, em seguida encaminharam-a à unidade hospitalar Mista de Urucará, onde foi atendida e contou a ação.

Terelyn contou ainda que toda a equipe de enfermagem do hospital se mobilizou e estavam fazendo planos para uma possível adoção, entretanto, quando souberam que o bebê estava com mãe tudo o que tinha sido planejado acabou frustrando e indignando muita gente.

Destino do ‘Urucaense Forte’

A equipe de reportagem entrou em contato com o Conselho Tutelar do município de Urucará por meio do telefone (092) 9****-9792 e a informação até o momento é que um possível inquérito pode ser aberto e enviado ao Ministério Público (MP), mas para dar prosseguimento ao processo, a criança precisa ser registrada e só depois dos procedimentos legais o relatório do conselho será analisado e posteriormente mediante a decisão do MP, a mãe será avaliada por um psicólogo com a ajuda da família e após o laudo decidir com quem ficará com a guarda da criança.

O que diz a Lei

Abandonar recém-nascido é crime. A pena prevista é de detenção, de 1 a 3 anos. Caso resulte em morte, a pena aumenta para 2 a 6 anos. Para a configuração do crime, é indispensável que a atitude tenha sido motivada pelo objetivo de esconder ato que causou desonra.

Abandono de incapaz

Art. 133 – Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono: Pena – detenção, de seis meses a três anos.

  • 1º – Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave: Pena – reclusão, de um a cinco anos.
  • 2º – Se resulta a morte: Pena – reclusão, de quatro a doze anos.

Fonte: Manaus Alerta

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