Criança é expulsa da Escola Educar Sesc por sua identidade trans

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FORTALEZA-Aluna na Escola Educar Sesc Ensino Fundamental, no bairro Montese, desde os dois anos, a menina Lara, de 13 anos, não poderá mais estudar na instituição em 2018.
Segundo a mãe da garota, Mara Beatriz, a escola se recusou a enviar o envelope de
matrícula à família por ela ser uma garota transgênero.
A mãe procurou a escola desde o nascimento da criança em decorrência do “caráter
construtivista e inclusivo fomentado no lugar”, mesmo antes de saber que Lara era uma
garota trans. No início, como conta a mãe, a instituição se mostrou aberta à inclusão de
Lara. “Eles disseram que nunca tinham vivenciado isso, mas iam nos apoiar e que
estariam dispostos a aprender com ela”, relata Mara Beatriz.
“À medida que foram surgindo problemas na escola, percebemos que não havia interesse
deles em aprender”, diz a mãe ao ressaltar que a maior parte dos alunos a acolheu,
chamando-a, inclusive, pelo nome social. Porém, de acordo com a mãe, Lara ainda sofreu
bullying por parte de outras crianças.

De acordo com a mãe, a escola não respeitou o nome social, garantido por Lei, além de
dificultar o acesso da garota ao banheiro feminino. “Os registros e provas constam com o
nome civil dela e ainda recomendaram que ela usasse o banheiro da coordenação”, explica a mãe. A carteirinha de estudante com o nome social, garantida pela Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) também sofreu empecilhos. Segundo Mara Beatriz, a escola não confirmou a matrícula da garota na instituição, inviabilizando o documento, porque “precisaria consultar um setor jurídico”, ainda que Lara estivesse frequentando as aulas regularmente.

Na tarde desta terça-feira (21), a mãe escutou da escola que “não tinha como adequar o sistema à Lara porque é um sistema nacional”. Além
disso, a gestora “recomendou” que a família buscasse uma outra escola para a garota “que já estivesse preparada para recebê-la”. Para Mara,
a situação foi “humilhante, desumana e um caso de transfobia”. “Ela admitiu que os envelopes de matrícula não foram entregues aos alunos
para não constranger a Lara, mas ela está expulsa, ela foi convidada a se retirar da escola”, conta a mãe.

NOTA DE REPÚDIO

Tomamos conhecimento está manhã da nota escrita pela por Mara Beatriz, onde sua filha que já vinha de constantes situações vexatórias e de discriminação sexual por sua identidade trans na ambiente escolar, agora é expulsa da escola Educar Sesc. Tal escola expulsou sua filha, se recusando a fazer a rematrícula para 2018 e descaradamente pedindo para que mãe procure outra escola.

Abaixo reproduzimos a nota que está em seu Facebook, nos solidarizamos com a criança e repudiamos toda e qualquer opressão contra a mesma.

Venho repudiar a atitude da Escola Educar Sesc, ligada ao Sistema Fecomercio, que hoje EXPULSOU minha filha trans de 13 anos, que lá estuda desde os 2 anos de idade, numa clara PRÁTICA TRANSFÓBICA.

A escola já não vinha respeitando a resolução numero 12/2015, que garante o reconhecimento e adoção do nome social em instituições e redes de ensino de todos os níveis e modalidades, bem como o uso do banheiro de acordo com a identidade de gênero de cada sujeito.

Desrespeitava o nome social, colocando o nome civil em todos os registros, tais como frequência, avaliações, boletins, a submetendo ao constrangimento. O banheiro feminino também lhe foi negado, com a recomendação que usasse o banheiro da coordenação.

Depois, a impediram de pegar a carteirinha de estudante com o nome social (como a Etufor garante) porque se negaram a confirmar a matrícula dela, o que causa danos morais e também financeiros, uma vez que ela não pode exercer seu direito à meia.

Hoje, no CÚMULO DA TRANSFOBIA, me chamaram pra uma reunião e “recomendaram” que nossa família procure outra escola, que possa atender “as necessidades” dela. Admitiram que ela é uma ótima aluna, com boas notas e comportamento, mas não vão fazer a matrícula dela para o ano de 2018.

Simplesmente a expulsaram, a enxotaram. E quando eu questionei nos escorraçaram: “os acompanhem, já terminamos a reunião”. Lara e nós, pais, nunca nos sentimos tão constrangidos, humilhados, diminuídos, desrespeitados…

O que justifica a expulsão de uma aluna com um histórico exemplar senão a transfobia? Não seriam eles (os educadores) as pessoas mais responsáveis por fomentar um mundo que nos garanta um futuro mais justo, humano, igualitário?

Escolhemos a Escola Educar Sesc porque acreditávamos no projeto pedagógico construtivista e inclusivo, onde desde cedo minha filha teve oportunidade de conviver com as mais diversas crianças: autistas, down, portadores de deficiência física…

Um lugar que Lara tinha como uma segunda casa, onde ela cultivou todas as suas amizades, nos deu a decepção mais amarga. Mas transformaremos esse gosto azedo em força para lutarmos por Justiça!!!

Já fizemos um B.O. na Dececa, entramos em contato com a advogada do Centro de Referência LGBT Janaina Dutra e vamos até as últimas consequências. Pela Lara e por todxs que virão depois dela.

P.s. Peço aos amigos que colaborem como puderem para não deixar isso impune: compartilhem, pautem os meios de comunicação onde trabalham, enfim… Não deixemos que o ódio e a intolerância nos impeçam de exercermos o direito de sermos quem somos!

 

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