Unidades de Resgate e de Busca e Salvamento ganharam novos equipamentos em ano de pandemia: CBMRO cumpre o seu papel

Nascido praticamente no âmbito da velha Guarda Territorial, o Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia (CBMRO) chega a 2020 com a marca de uma trajetória que sai do solo para o ar. Durante a pandemia da Covid-19, resgatou doentes, transportando-os de carro ou de avião para diversos hospitais; enviou seus soldados para matas em chamas; ensinou comerciantes e engenheiros a projetar bem suas construções, pequenas, médias ou grandes.

Em oito meses neste ano, o CBMRO passou por mais um teste ao ver aumentar de 11 para 453 o número de ocorrências de incêndios em vegetação leve. No período de janeiro a 26 de agosto, suas guarnições atuaram no combate a 159 focos de calor, dos quais, 69 só na Capital.

Em 2020, a Corporação já esteve presente em 241 incêndios, dos quais, 33 em áreas de preservação ambiental. Incêndios em vegetação leve totalizaram 1.078. O fogo atingiu 215 residências, 84 veículos automotores, 72 estabelecimentos comerciais e três creches. Ao todo, 1.728 ocorrências.

Nesse mesmo período, o Grupamento de Operações Aéreas (GOA) demonstrou uma vez mais o seu valor. O resumo de suas atividades: O avião Baron (Resgate 01) voou 304 horas; o Cesnna (Resgate 02) 210 voou 142,5 horas; o Gran Caravan (Resgate 03) foi o mais utilizado durante a pandemia, com 463,88 horas de voo, todas elas empregadas na busca de materiais hospitalares para o Estado.

A tripulação do Gran Caravan 03 transportou pacientes entre hospitais de diversas cidades e apoiou o monitoramento das queimadas nesta parte da Amazônia Ocidental Brasileira. Já o helicóptero Fênix 01 fez 12,5 horas, em apoio à Operação Hileia VII, que resultou em R$ 83 milhões em multas ambientais e no embargo de 7,3 mil hectares de terras. O Fênix 01 ainda fez três resgates aeromédicos, dois deles na rodovia BR-364, outro no Distrito de Catarina, na região do Baixo Madeira. Ajudou também o monitoramento aéreo e a fiscalização de áreas com derrubadas de mata e queimadas.

Uma vez mais, a Unidade de Resgate* é recordista: atuou em 9.532 situações. Durante a pandemia da Covid-19, asmáticos, cardíacos, vítimas de derrame e hipertensos totalizaram 3.526 de atendimentos, quase um terço do total. Parturientes (699) e acidentes de trânsito com vítima não fatal (3.464); pacientes psiquiátricos (362) e vítimas de alcoolismo e entorpecentes (353); 285 pessoas espancadas; 138 tentativas de suicídios; 49 acidentes de trânsito com vítima fatal compõem a estatística de oito meses do socorro prestado por essa Unidade.

Daquele período de desafios até os dias atuais, o CBMRO cresceu e está entre os mais bem equipados do Norte Brasileiro e do País:

Somos Soldados do Fogo que lutamos para que a Pátria se mantenha em segurança, lembra o comandante da Corporação, coronel Gilvander Gregório de Lima.

Aeronaves do GOA resgataram pacientes de doenças graves e fizeram o transporte inter-hospitalar em apoio à Saúde

Todo soldado e todo oficial que pretende conhecer a história sublime dos primeiros passos do CBMRO deve recorrer à própria história do ex-Território Federal do Guaporé, explica o coronel Gregório, que substituiu o coronel Demargli da Costa Farias. Tudo começou em 1952, durante o governo do gaúcho Petrônio Barcellos. Porto Velho dispunha apenas da Guarda Territorial.

Barcellos designou dois assistentes para participar do curso de bombeiros técnicos destinado a oficiais, no Rio de Janeiro: os 2º tenentes Esron Penha de Menezes e Donizete Dantas – os dois primeiros bombeiros de Rondônia.

Já em 26 de outubro de 1957, o então governador Jayme Araújo dos Santos assinava o Decreto Territorial nº 331, criando o Corpo de Bombeiros do Território.

A Guarda Municipal tinha a autoridade para multar e interditar estabelecimentos em situação irregular. Assim, controlava a segurança de prédios comerciais, escolas, parques de diversões, igrejas, oficinas, entre outros. Atualmente, as vistorias são essenciais ao desenvolvimento das cidades. Este ano, até 26 de agosto, elas somaram 6.960 em todo o Estado.

A Divisão de Atividades Técnicas computou 3.020 análises de projetos contra incêndio e pânico. Porto Velho teve o maior número de vistorias comerciais (1.846), seguindo-se: Ji-Paraná (864), Cacoal (702), Vilhena (608), Rolim de Moura (551), Ariquemes (532), Cerejeiras (403), Jaru (341), Ouro Preto do Oeste (349), Pimenta Bueno (332), Guajará-Mirim (236), Machadinho do Oeste (114) e Buritis (82). No total, 6.960.

Quinze prédios foram interditados, 94 estavam em obras, e 750 fechados quando procurados pelos técnicos.

BOA VONTADE CONTA

Apenas 15 homens, 10 em Porto Velho e cinco em Guajará-Mirim, iniciaram as atividades da Corporação. Praticamente no papel e na boa vontade, pois ela nem sequer dispunha de equipamentos.

Assim, por diversas vezes na comemoração de aniversários, conta-se que a cidade fora surpreendida, em 1966**, com o grande e supostamente criminoso incêndio do Mercado Municipal, cujo prédio, remodelado, hoje é sede do Mercado Cultural.

O fogo no principal mercado público soou como advertência ao governo territorial. Um ano depois, em 1967, o então governador João Carlos Mader ordenou a compra dos primeiros equipamentos do CBMRO, entre os quais, um carro-pipa.

O Decreto nº 500 determinou o aumento do efetivo: 120 homens foram subordinados à Divisão de Segurança e Guarda, vinculada às prefeituras. O comando podia ser exercido por um oficial [Forças Armadas, Polícia Militar ou Corpo de Bombeiros], preferencialmente de patente superior.

O CBMRO começou a ter estrutura organizacional, dividindo a administração em Comando, Diretorias [Contabilidade, Pessoal e Serviços auxiliares] e Tropa. Foi instalado o Quartel Central em Porto Velho e o destacamento aquartelado em Guajará-Mirim.

Com a regulamentação da PM do Território Federal de Rondônia, foi estabelecida em 1977 a Seção de Combate a Incêndio, subordinada à 1ª Companhia PM, do 1º BPM, com 122 homens. Esse efetivo permaneceu por 16 anos, modificando-se em oito de setembro de 1993, pelo Decreto nº 6078, quando se constituiu o Subgrupamento de Incêndio, com 196 bombeiros.

Em 1996, o Decreto n.º 7.633 criou o Batalhão de Bombeiros, ativado em seguida pelo Decreto nº 7.638, e o quadro passou a 750 homens. Previsto na Constituição Estadual em 22 de Abril de 1996 [Emenda Constitucional nº 6] e criado em 26 de novembro de 1997 [Lei Complementar nº 193], o CBMRO teve sua desvinculação em 1998. A Segurança Pública de Rondônia passou a contar com mais uma força auxiliar, além das polícias Civil e Militar.

Ao lado da secretária Luana Rocha (Seas), o coronel Gregório (1º à direita) conversa com flagelados em Candeias do Jamari

PROJETOS ANTI-INCÊNDIO E PÂNICO

Fruto da crescente necessidade de atualização dessas atividades, e visando oferecer maior eficiência na tramitação dos Projetos de Proteção Contra Incêndio e Pânico e da concessão dos Certificados de Aprovação das edificações, os procedimentos e exigência relacionados a esse tema obedecem a Lei n° 3.924, de 17 de outubro de 2016.

Ela dispõe sobre normas de segurança contra incêndio e evacuação de pessoas e bens no Estado de Rondônia e dá outras providências. Foi publicada no Diário Oficial do Estado nº 194, página nº 2, e passou a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2017, e sua regulamentação se deu pelo Decreto n° 21.425, de 29 de novembro de 2016.

Quase 70 anos depois da Guarda Territorial, CBMRO consolida-se como força de segurança em Rondônia

A Divisão de Atividades Técnicas trabalha sempre com a divulgação de alertas renovados a cada ano. Nas derradeiras duas décadas ocorreram muitas tragédias em Rondônia, no Brasil e no mundo. Da pequena à grande loja de autopeças, da boate ao clube não vistoriado, aos prédios que pegam fogo ou desabam, tudo faz lembrar a necessidade de se procurar o cumprimento da Lei.

O incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, na noite de 2 de setembro de 2018, continua viva na memória dos bombeiros de todo o País.

TRABALHO DE FÔLEGO DESDE JANEIRO

45 afogamentos
1 acidente com aeronave
1 acidente com embarcação
19 acidentes de trânsito sem vítima
20 acidentes com máquinas e equipamentos
63 
atendimentos a hemorragias 
14 
buscas por pessoas desaparecidas
captura de animal
35
 cortes de árvores
1 desabamento/desmoronamento
6 extermínio de insetos
3 localizações e remoção de cadáveres
20 outros serviços
53 transportes intra-hospitalares
2 vítimas de politraumatismo
5 vítimas de choque elétrico
21 vítimas de queimaduras
71 vítimas de arma de fogo
73 vítimas fatais em outras situações
230 vítimas de arma branca

Loja pega fogo em julho de 2019: bombeiros trabalham intensamente, desde o alastramento do fogo até a operação rescaldo

*  O governador coronel Marcos Rocha entregou, em agosto, três novas Unidades de Resgates, tipo Sprinter, e materiais de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Os veículos serão utilizados pelo CBMRO em Ariquemes, Guajará-Mirim e Ji- Paraná.

** Entre 1965 e 1967 Porto Velho teve muitos incêndios, consta na história da Corporação. Daquele período, até os caminhões auto bombas tanque e carros de resgate, passaram-se décadas até o aperfeiçoamento da Corporação. Hoje, ela socorre flagelados durante períodos de cheia por rios e estradas; transporta pessoas doentes em aviões para diversas regiões do País; e participa ativamente do combate a queimadas e incêndios na Capital e no Interior.

Fonte: Secom

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