Por Júlio Quadros (*)

Com a alteração do calendário eleitoral determinado pela Emenda Constitucional nº 107/220, o novo prazo para a realização das convenções partidárias vai de 31 de agosto a 16 de setembro. Mais. A legislação criou a figura da convenção partidária VIRTUAL, modalidade definida para fazer frente às restrições impostas pelo COVID-19.

O TSE regulamentou o sistema e a base está no registro da convenção via CANDEX (Sistema de Candidaturas Externo), no site do TSE. A ata e a lista de presentes poderão ser registradas eletronicamente no sistema, com as respectivas assinaturas eletrônicas em três níveis; também poderão ser registradas por meio de vídeo e áudio devidamente qualificados e identificados com data, hora e local e, finalmente, por assinatura presencial que deverá ser registrada no TRE com os respectivos cuidados de veracidade e respeito às restrições de contato.

Para quem conhece, uma convenção partidária é um processo bastante complexo, recheado de vírgulas, curvas, obstáculos e construído para criar dificuldades, em especial para os neófitos, ou seja, a maioria. As velhas raposas da política, os políticos eleitos, os líderes partidários e os eternos candidatos são os grandes manipuladores das convenções partidárias. Sim, eu escrevi corretamente: MANIPULADORES.

São exímios na arte da tergiversação e da enganação escancarada, e transformam fragorosa mentira em verdades eternas para o desespero da manada de despreparados e desesperados por uma boquinha na política. Infelizmente essa realidade tem séculos e no Brasil encontra o seu paraíso, como centro mundial da falcatrua eleitoral e política.

Por isso estas convenções VIRTUAIS serão a suprema oportunidade da bandidagem política para manipular seus interesses. E a junção convencional da majoritária (prefeito e vice), que pode coligar, com a proporcional (vereadores), que não pode, vai transformar uma convenção num labirinto de interesses inconfessáveis.

É absolutamente comum, normal, que ocorram ostensivas traições nos segundos finais da cobrança do último pênalti, esgotados todos os lances do primeiro e segundo tempos e da prorrogação. Tudo muito bem azeitado e acertado nos bastidores, por onde correm os interesses inconfessáveis das articulações, das falsas promessas e dos amores de verão que duram dez minutos, se tanto.

Por isso uma convenção partidária virtual oferece alto risco, porque o controle sobre ela é muito mais intenso do que numa convenção tradicional, aonde os atores de misturam e causam imensa e premeditada confusão, transformando o livro de ata num papel higiênico de segunda. A mão de ferro digital será muito mais cruel do que podem supor os estreantes nestas eleições e a manipulação será lacrada dias e até horas antes do evento, garantindo os resultados que interessam aos líderes partidários.

Restam aos neófitos, aos grupos minoritários e aos derrotados duas alternativas: 1) Tomar Rivotril na noite anterior; 2) Tomar Rivotril depois das convenções. O resto é somente o resto e as raposas e caciques políticos vão continuar sua vocação para destruir, humilhar, submeter, corromper.

(*) Júlio Quadros é articulista político e colaborador do Mais RO

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