Diferente da maioria dos prefeitos e governadores do Brasil, que pretende liberar o isolamento social somente quando for encontrada uma vacina para a covid-19, na China nem todos precisarão ser vacinados.

Ao que parece, o governador de São Paulo, João Dória, um dos maiores defensores do país asiático, terá de encontrar outras justificativas para os paulistanos que sofrem com as duras restrições da quarentena radical.

De acordo com Gao Fu, diretor do Centro Chinês para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o motivo para não vacinar toda a população é porque Pequim busca priorizar trabalhadores da área da saúde e as populações de alto risco em uma ação que reforça a confiança crescente do país em sua capacidade de conter o vírus.

“Desde que a primeira onda de Covid-19 apareceu em Wuhan, a China já sobreviveu ao impacto da Covid-19 várias vezes”, afirmou Gao, em uma cúpula de vacinas na cidade de Shenzhen no sábado (12), segundo a agência de notícias estatal China News Service.

Para o diretor, a questão de vacinar a população envolve equilibrar “riscos e benefícios,” apontando para fatores como custo e potenciais efeitos colaterais. “Atualmente, não há necessidade de vacinação em massa neste estágio – embora isso possa mudar se outro surto grave ocorrer”, disse Gao.

Na medida em que vão aparecendo novos casos da doença na China, os infectados são atendidos com medidas imediatas de bloqueio e testes em massa, e contidos em poucas semanas.

Gao citou esses breves surtos como evidência das medidas eficazes de contenção da China. “Os fatos provaram que temos várias armas mágicas para responder à epidemia”, disse ele, de acordo com o China News Service.

Qualquer vacina potencial será priorizada para aqueles na linha de frente de combate a doença: médicos, cidadãos chineses que trabalham no exterior em locais com circulação do vírus e pessoas que trabalham em ambientes densos e de alto risco, como restaurantes, escolas ou serviços de limpeza, relatou Gao.

No sábado, a Comissão Nacional de Saúde da China (NHC) registrou apenas 10 novos casos confirmados sintomáticos na China, todos importados do exterior. Também relatou 70 novos casos assintomáticos, que são contados separadamente, todos também importados.

China quer liderar corrida da vacina

Mesmo o vírus estando controlado no país, a china quer dominar a indústria da vacina.

O país asiático é o maior produtor e consumidor mundial de vacinas e pode fornecer mais de 1 bilhão de doses de vacinas, anualmente, a partir de 40 fabricantes em todo o país, de acordo com o Relatório da Indústria de Vacinas Humanas da China 2018-2022.

Das mais de 30 vacinas contra Covid-19 atualmente em testes em humanos em todo o mundo, 9 são da China – o país com a maior quantidade. E entre nove vacinas em testes de estágio final, quatro são desenvolvidas por empresas chinesas.

Na semana passada, a Universidade de Hong Kong anunciou que foram aprovados testes clínicos para uma vacina em spray nasal, desenvolvida em colaboração com pesquisadores da China continental.

E a China já colocou em uso algumas vacinas antes de sua eficácia ser totalmente comprovada.

No final de junho, o país aprovou uma vacina experimental para uso por seus militares. Desde julho, a China tem usado uma vacina experimental em pessoas que trabalham em empregos de “alto risco”, como médicos e agentes de fronteira. Nenhuma das vacinas concluiu os testes clínicos de Fase 3.

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Fonte: Terça Livre

Com informações: CNN Brasil

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