Pode ser tudo. Como nada. Mas...

José Armando BUENO (*)

Com 70 anos que serão completados em maio, metade dos quais na selva política, este médico e sargento Papa Mike tem no currículo, invejável, três legislaturas na Câmara Federal, um mandato e meio como prefeito de Ariquemes e dois mandatos como governador. O que pode estar sinalizando um político com tal trajetória, próximo de entregar o seu governo aparentemente arrumadinho, fazendo o sucessor e podendo disputar com folga uma vaga no Senado, quando teria declarado que não deixará o governo? A política é feita de sinais, por vezes trocados. Entendê-los através das mais diversas leituras é uma tarefa complexa, um campo minado de hipóteses por vezes ridículas ou letais, e contar com fontes mal posicionadas pode ser cicuta. Mas é uma tarefa sedutora e para poucos. Eu corro meus riscos, porque deles é que saem as respostas vitoriosas, mas também as derrotas. Absorver derrotas é também para poucos, por isto estou neste ofício de escriba digital, para fazer as leituras deste campo minado que acaba de ser lançado pelo governador através de interlocutores bem instruídos. Ou adestrados?

Blefe ou não, foram colocados riscos demais nesta ação midiática.

TUDO. OU NADA.  |  Sim, primeiro é preciso registrar que, até o momento em que escrevo este blog, final de tarde deste domingo calorento, tudo não passa de especulação. Pode ser tudo, como pode ser nada, inclusive uma ejaculação verbal. Enquanto a fonte original não se manifestar, é pura especulação. E enquanto isto não ocorre – e pode não ocorrer – o melhor exercício não é especular e sim analisar detidamente o que sinaliza este animal político de 70 anos, com os costados endurecidos por uma trajetória sem trégua e que, para além dos seus feitos, tem malfeitos com riscos jurídicos muito severos. E tais riscos, no cenário atual, representam enorme potencial para que ele seja abatido em sua jornada. Precisa, de qualquer maneira, de um mandato, e quanto mais alto no topo da pirâmide, melhor. Por isto mesmo, este sinal especulativo lançado neste sábado, tem todas as características de potencial estratégia eleitoral insofismável. Afinal, ele não pode correr riscos. Para diminuí-los ao máximo, precisa criar oportunidades midiáticas próprias destes novos tempos, sensíveis e rudes, belos e trágicos. E Confúcio Moura não é de meia boca. Em 2014, em silêncio quase sepulcral e para não repetir os erros do nascente marketing digital de 2010, trouxe para sua campanha um mestre quase mago desse campo agora dominante, nosso parceiro Marcelo Vitorino. Do outro lado, Expedito Júnior montou uma barraquinha com dez computadores pra fazer marolinhas diante do tsunami digital confucionista. Deu no que deu. Expedito não aprende.

Segredo é segredo, mas pode virar um degredo.

O SEGREDO  |  Já ouviram falar que o segredo é a alma do negócio? Confúcio faz jus à sua origem remota de judeu sefardita. Teceu sua estratégia no silêncio sepulcral dos grandes estrategistas, mas dela podem fazer parte atores tão envolvidos e comprometidos, que não sinalizam nem sob tortura que já sabiam disso. É do jogo. Ao espalhar, como um boato com cara de blefe, que não renunciaria ao mandato para concorrer ao Senado, o fez com notável precisão temporal: antes da abertura da temporada de caça, que abre na próxima quarta, dia 7. Tem à frente 30 longos dias para cevar sua estratégia de incertezas torturantes, delirantes, massacrantes. Todos, absolutamente todos os jogadores no tabuleiro de 2018, dependem de algum modo da sua decisão. Maior precisão estratégica, impossível. Seguidores ou opositores, todos agora submetem-se à decisão magistral de Confúcio Moura, e as redes sociais modelam a temperatura de um termômetro que implodiu à sua vontade soberana, inquestionável. Mas… segredo pode virar degredo.

O lado negro da força agindo?

O LADO NEGRO  |  Do outro lado, a hipótese de uma decisão definitiva em continuar no comando do governo, me parece pouco sustentável sob qualquer prisma. Os balões lançados como oportunistas, transpiram as insatisfações e incertezas lançadas com as decisões de outro mago da estratégia, Daniel Pereira. Uma rebelião surda e muda das forças de segurança não tem sustentação, ainda que sejam fortes os sinais. Há, é certo, muita coisa em jogo neste tabuleiro perigoso feito armadilha para desinformados. O lado negro da força insinua-se e infiltra-se nos conflitos de poder no alto escalão. O fato é que os interesses nada confessáveis de jogadores vorazes foram colocados em risco, e os movimentos perpetrados pelo vice-governador não negam que provocaram insatisfações, quase delírios. Mexer em time que está “ganhando” então, é cutucar hienas com vara curta demais para tolerâncias de menos. Validada esta hipótese de fonte segura, que emerge como um desastre político-institucional, é fazer derreter tudo e todos no tabuleiro de 2018, no fogo lento e letal dos 30 dias da janela famigerada. Afinal, quem manda? São “eles”? Financiar, influenciar e até gerenciar agora impõe não renunciar? A cadeia de comando cooptada pelo mal e no andar de cima do governo, precisa ser menos óbvia e impulsiva. Deu na cara demais! Penso que governador e vice, com seus aliados no topo da cadeia alimentar da política rondoniense, têm notável ciência desta decisão. Portanto, este momento, mais do que de excitação quase erótica, pernóstica, demanda a frieza e a capacidade para os cálculos complexos sobre desdobramentos. Creio que agora a velha receita da cautela e caldo de galinha, são mais que necessários. Evitem bebedeiras, aspirações e outras transações. Até breve amigos. Isto não acaba aqui. E não é nem o começo.

(*)José Armando Bueno é empreendedor e jornalista, editor de A CAPITAL.

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