Devastação, genocídio

ESTIMA-SE QUE SEJAM CRIADAS 120 MIL CABEÇAS DE GADO ILEGALMENTE EM ÁREAS PROTEGIDAS (FOTO: DIVULGAÇÃO).

A sanção ontem, pelo governador Marcos Rocha (sem partido), do PL 80 que reduz drasticamente as áreas de preservação ambiental em Rondônia, foi o start para a devastação do que resta ainda das florestas e das populações indígenas. Será um genocídio e o fim de nossos primeiros habitantes. A Lei Complementar 1.089 extingue 219 mil hectares de áreas de preservação permanente ambiental. Nestas áreas caberiam as capitais de São Paulo ( 152 mil hectares ) e da Bahia (Salvador, com 69,4 mil hectares).

Prêmio aos grileiros

Com a sanção sem nenhum veto e a Lei Complementar já publicada no Diário Oficial do Estado, Marcos Rocha e os deputados estaduais provaram aos grileiros e criminosos ambientais que vale a pena devastar a Floresta Amazônica e invadir áreas de preservação em Rondônia. Não é a primeira vez que políticos dão um “jeitinho” de legalizar invasões no estado. O atual Distrito de União Bandeirantes, que também pertence à Porto Velho e fica nos entornos da Reserva Extrativista de Jaci-Paraná, também foi uma área de preservação invadida por grileiros e legalizada posteriormente graças à manobras feitas no zoneamento sócio-econômico do estado pela mesma Assembleia Legislativa.

Prêmio aos grileiros 2

Só que, no caso da Resex Jaci-Paraná, cujas terras foram cedidas pelo Incra ao estado apenas para o propósito extrativista, resta saber se a União, a verdadeira dona da área, vai concordar com a “boiada passando”. Se depender do presidente Jair Bolsonaro, do qual Marcos Rocha se diz amigo, talvez. Só que o Ministério Público de Rondônia recomendou o veto à lei e ainda tem a representação assinada por 65 entidades pedindo ao MP que entre com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) caso a lei fosse sancionada pelo governador. (Fonte: Rondônia Já).

Redano comemora

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Carta Capital

Para beneficiar pecuaristas, os deputados estaduais de Rondônia aprovaram uma lei que dizima duas áreas de reserva no entorno de Porto Velho. O estrago ambiental, sancionado pelo governador, vai retirar a proteção ambiental de 219 mil hectares da Reserva Extrativista Jaci-Paraná e do Parque Estadual Guajará-Mirim, o equivalente às áreas das cidades de São Paulo e Salvador somadas.

Carta Capital 2

Quase a metade (11 dos 25) deputados estaduais que aprovaram o projeto por unanimidade são pecuaristas ou foram financiados por criadores de gado, revela cruzamento de dados realizado pela Repórter Brasil, com base na declaração de bens e de doadores disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral com documentação sobre transporte de gado. A redução das áreas de reserva ambiental vai beneficiar diretamente a atividade econômica: estima-se que existam 120 mil cabeças de gado na Resex Jaci-Paraná.

Carta Capital 3

Entre os 25 deputados estaduais, seis receberam doações na última campanha eleitoral de pecuaristas: Alex Redano (DEM), Cássia das Muletas (Podemos), Geraldo da Rondônia (PSC), Johny da Paixão (PRB), Lebrão (MDB) e Luizinho da Fetagro (PT). Além de ter recebido doações, o petista também está entre os seis que são pecuaristas ao lado de Adelino Follador (DEM), Edson Martins (MDB), Ezequiel Neiva (PTB), Luizinho Goebbel (PV) e Laerte Gomes (PSDB).

Neidinha Suruí

Coordenadora da Kanindé Ambiental, Neidinha Suruí disse que Marcos Rocha legalizou a grilagem. “Esse Governo acaba de decretar a destruição das reservas pelas quadrilhas de grileiros. Nesse momento insegurança total para as áreas protegidas. Vai ter um aumento no desmatamento e queimadas sem proporções. É uma vergonha, mas o Marcos Rocha deixou claro para quem governa e a quem ele ouve”.

Edjales Benício Brito

“O objetivo dessa lei é legalizar a grilagem”, afirma o ambientalista Edjales Brito, conselheiro da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé. Para Brito, a justificativa do governo de que não consegue mais impedir a invasão das áreas pela pecuária é absurda. “Nem cogitaram em mudar o tipo de proteção das áreas e tornar mais compatível com a presença de algumas atividades, pois o plano é acabar com tudo”, afirma.

Marcos Rogério já era?

O senador Marcos Rogério (DEM-RO) que é uma vergonha nacional na defesa de Bolsonaro, não está nem aí com a repercussão negativa da atuação dele na CPI da Covid. Muito pelo contrário.  Aos olhares dos eleitores dele isso significa trabalho e está sendo visto como potencial candidato ao governo de Rondônia. É uma visão deturpada do eleitorado rondoniense que sempre elege políticos que destroem mais do que constroem. Marcos Rogério tem um eleitorado cego, que vota mesmo lendo, ouvindo e vendo que ele é um dos piores políticos de Rondônia nessa pandemia que já matou quase 450 mil brasileiros.

Lula está certíssimo

O ex-presidente Lula, líder absoluto nas pesquisas para 2022, está sendo cortejado até pela direita. É o efeito Bolsonaro que, está fazendo o pior governo de todos os tempos da República. Tão ruim que está unindo a direita com a esquerda para derrota-lo em 2022, caso seja candidato. Ontem, a convite do ex-ministro Nelson Jobim, o ex-presidente Lula e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se reuniram para um almoço com muita democracia no cardápio.

 

A escolha de Bolsonaro

Não há dúvida de que Bolsonaro vai escolher Marcos Rogério como o candidato dele ao governo de Rondônia. Motivo de piadas e memes em sites e redes sociais, o senador vai cobrar a fatura (ah, se vai), ou seja, o apoio do presidente. Afinal de contas, ser chamado de “capacho do Planalto”, tem um preço.

Eleições 2022

Em Rondônia, pela direita, teremos os candidatos mais controversos e criticados ao governo estadual. Além do próprio governador Marcos Rocha que vai tentar a reeleição, teremos Marcos Rogério (DEM), Hildon Chaves (PSDB), Jaime Bagattoli (PSL) e Ivo Cassol (Progressistas). Pela esquerda, representando a resistência ao bolsonarismo, teremos, possivelmente, Jesualdo Pires (PSB), Acir Gurgacz (PDT), Ramon Cujuí ou Fátima Cleide (PT). Uma união da esquerda seria uma boa para enfrentar o poderio dos governistas.

Senado Federal

Terá apenas uma vaga de senador da República em 2022. Com a vaga que será deixada por Acir Gurgacz (PDT), a disputa será acirradíssima. Em 2018 foram duas vagas, preenchidas por Confúcio Moura (MDB) e Marcos Rogério (DEM). Devem disputar o Salão Azul: Fátima Cleide (PT), Marinha Raupp (MDB), Jaqueline Cassol (Progressistas) e Zé Jodan (PSL).

Câmara e Assembleia

Para deputado federal: Bosco da Federal (PTB), Fabrício Jurado (DEM), Breno Mendes (Avante), Luiz Claudio (PL), Anselmo de Jesus (PT), RK Moraes (PT), George Braga (MDB); para deputado estadual: Dr Welison Nunes (PDT), Pantera (PCdoB), Wendel Mendonça Calixto (Cidadania),  Dabson Bueno (MDB), Herbert Lins (Avante), Professora Lilian (PT), Fatinha (PT), Raimundinho Bike Som (PCdoB), Roberto Sobrinho (PDT), Samuel Costa (PCdoB) e  Lazinho da Eucatur (PDT).

 

Por equipe do Mais Rondônia

 

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