Por Roberto Kuppê (*)

Feliz Natal e Ano novo

Contagem regressiva para o Natal e Ano Novo. A Coluna do RK se despede de 2019 hoje, sexta-feira 13. É uma espécie de desaceleramento das atividades para poupar saúde para os embates de 2020. Energias quase que esgotadas como num aparelho celular. Como esperado, 2019 foi um ano atípico, cheio de altos e baixos, de conquistas e perdas. Mais perdas do que conquistas para a população mais sofria desse País. A coluna acredita que, para 90% dos brasileiros, o ano de 2019 não foi bom e que, 2020 promete ser melhor.

Acelerados

O início de 2019 foi terrível para os brasileiros de boa vontade. Foram alçados ao poder figuras antes escondidas sob os escombros da ditadura militar. Como zumbis tomaram os principais postos da administração pública federal e estaduais. Figuras que estávamos acostumados a ver apenas em filmes do Zé do Caixão. Com motores hiper envenenados, a nova versão da Corrida Maluca veio com carros acelerados rumo ao desmonte das conquistas sociais, dentre elas, o direito à livre expressão.

Lula acelerado

Lula deixou a prisão com gás, com motor turbinado, após passar mais de um ano em revisão. Ele saiu melhor da cadeia, mas a coluna acha que saiu acelerado demais. Cantou pneu e está desperdiçando combustível demais. Precisa parar e voltar só em março, se Deus quiser. Lula, ande devagar porque já teve pressa. Leve esse sorriso porque já chorou demais. A vida é curta. Curta com sua nova esposa. Viva a vida.

Instituto Rondon

Assim como Lula, ando devagar porque também já tive pressa. E levo esse sorriso, porque já chorei demais. Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe. Só levo a certeza de que muito pouco sei. Ou nada sei. Querer salvar o mundo todo mundo quer. Coragem e determinação é para poucos como a pirralha Greta Thunberg. E, para salvar um pouco de nossa floresta que criamos o Instituto Rondon. Não é um projeto político, por isso ainda não alavancou como pretendia em 2019. É um projeto social muito ambicioso sim e por isso, deve ser executado passo a passo. A primeira parte já está finalizada. Faltam a segunda e terceira partes que serão concluídas em 2020.

Energisa

O problema enfrentado hoje entre os consumidores da Energisa serão os mesmos ou priores após a privatização da Caerd (companhia de águas), em Rondônia. A coluna lembra que a privatização da Ceron ocorreu sem maiores problemas. Políticos até apoiaram. Ocorre que estes mesmos políticos e outros recém eleitos estão agora gritando contra a Energisa. Porém, contudo, todavia, o governo federal acaba de aprovar em Brasília a privatização das águas, o que significa que a Caerd será vendida. Alguém gritou contra? Não. Muito pelo contrário. Votaram sim. Vem mais gritaria em 2020. A Coluna do RK, em particular, se opõe às privatizações, principalmente de setores de serviços básicos como água, luz, transportes, saúde e educação.

Brasil de 2005

Na política, assim como na vida privada, a gratidão deveria ser um ponto de honra, mas não é. Vemos com espanto a injustiça praticada contra o ex-presidente Lula, o mandatário da Nação mais bem avaliado de todos os tempos. Elevou o Brasil aos patamares mais importantes do Mundo. Chegamos a ser a sexta potência mundial economicamente falando. Em 2005, um estudo do Conselho de Inteligência Nacional dos Estados Unidos (NIC), órgão coordenado pela CIA, previa que o Brasil se tornaria uma forte potência econômica mundial ao longo dos próximos 15 anos. A economia do País poderia ser igual à dos países ricos da Europa. De acordo com o jornal O Globo de 17 de janeiro de 2005, o documento intitulado “Mapeando o futuro global”, traçou as perspectivas mundiais até 2020. O NIC previa uma reordenação na geopolítica mundial até 2020, com um desgaste da hegemonia dos EUA. “As potências arrivistas – China, Índia, e talvez outras como Brasil e Indonésia – poderão promover um novo conjunto de alinhamentos internacionais, marcando potencialmente uma ruptura definitiva de algumas instituições e práticas pós-Segunda Guerra”, diz um trecho do estudo. O documento previa que o Produto Interno Bruto da China seria maior do que o de todas as potências ocidentais, ficando abaixo apenas dos EUA. Ilustração: capa de IstoÉ de 2010.

Brasil de 2005- parte 2

O relatório do NIC avaliava que o Brasil continuaria sendo um parceiro natural tanto dos Estados Unidos quanto da Europa, como também de China e Índia. O Brasil era apontado como um “um país com vibrante democracia, economia diversificada e população empreendedora, um grande patrimônio nacional e sólidas instituições econômicas”. “O sucesso ou o fracasso do Brasil em combinar o desenvolvimento econômico com políticas sociais terá profundo impacto na economia da região nos próximos 15 anos”, destaca a reportagem de 2005. Bom, já estamos sabendo que o Brasil não terá esse futuro mais. A ruptura da democracia em 2016 colocou por terra esta expectativa. Agora esperar para 2030.

Reflexões

Final de ano, reflexões necessárias. O ano de 2019 foi muito tóxico. Talvez o pior ano para as amizades, para as famílias. Nunca o divisionismo esteve tão presente em nossas vidas, no trabalho, nos lares. Chegando ao ponto de deixarmos de convidar essa ou aquela pessoa por ter se posicionado contra ou a favor de nossas convicções. Fomos desconvidados também. Fomos preteridos por nossas convicções. O pior de tudo é que a questão de cinco anos o Brasil parecia hegemônico. Éramos todos felizes. Ledo engano. Nos bastidores uma revolução silenciosa se orquestrava. Um golpe era milimetricamente tramado pela direita que vinha perdendo eleições desde 2002. Deu no que deu. Vamos sair dessa? Sim, mas não tão depressa como desejado. Ainda vai levar uns bons dez anos para a população acordar. Até lá, muitas Paraisópolis e aldeias indígenas serão dizimadas.

Finalizando

A Coluna tinha planejado divulgar os nomes de 13 personalidades que foram destaques positivos em 2019. E 13 que foram destaques negativos. Ocorre que nossa equipe não conseguiu reunir as personalidades positivas. Foram tão poucas, não chegando a cinco. Mas, no entanto, as negativas ultrapassaram as necessárias para o nosso ranking. Devido à essa frustração, não vamos divulgar este ano os mais e os menos.

Feliz Natal

Aos gratos e ingratos, um Feliz Natal. Que nestas festas de fim de ano seja lembrado o principal aniversariante, Jesus, o misericordioso. Se lembrarem, levem uma cesta de Natal para um carente, pode ser a um parente mesmo. Hoje em dia, o número de carentes aumentou, batendo à porta da classe média. Lembrem-se que gratidão é tudo. Sejam gratos à vida que levam, apesar de tudo. Bom 2020. UP 80. Tchau.

 

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político no eixo Rio-Brasília e Rondônia

Contato: [email protected]

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