Por Roberto Kuppê (*)

Efeito manada

O título inicial desta nota seria “Efeito burronaro”, mas, em respeito aos meus leitores e aos eleitores de Jair Bolsonaro, mudei. Eles, os eleitores de Bolsonaro, se dividem em três categorias: conscientes, anti-petistas e manada. Os três tipos elegeram um presidente que até agora se dispôs a cumprir o que prometeu: armas, mortes, reforma da previdência e a fusão dos ministérios do Meio Ambiente com o da Agricultura (a vítima e o estuprador juntos). A julgar pelos nomes dos primeiros ministros anunciados, a se configurar o surgimento de uma quadrilha organizada. Será a sequencia do governo Michel Temer, com o STF com tudo.

Moro no ministério?

Não! Ele não deve aceitar participar de um ministério de corruptos. Sérgio Moro vai aceitar sim, compor o seleto grupo de ministros do STF. Era o objetivo dele quando mandou prender Lula sem provas. Só assim ele conseguiria atingir ao nível máximo. Pois nem a OAB ele conseguiu tirar devido à sua escassez de conhecimento jurídico.

Coronel Marcos Rocha

Marcos Rocha, governador eleito

Esse está perdido, porque a ficha ainda não caiu. Não tendo quadros técnicos para ocupar as secretarias, está sujeito a sugestões. Pressionado por todos os lados, Marcos Rocha nem ligou ainda para Vinícius Miguel (Rede) para agradecer pelos votos (110 mil) que tiraram Maurão de Carvalho (MDB) do segundo turno. Expedito Júnior (PSDB) que foi prejudicado, até cumprimentou Vinícius Miguel pela votação.

Vinícius Miguel

Por falar em Vinícius Miguel, ele deverá deixar a Rede logo logo. O partido não atingiu a cláusula de barreira porque elegeu apenas um deputado federal. Desta forma, a Rede de Marina Silva deverá deixar de existir. Vinícius está sendo convidado pelo governador Daniel Pereira, para integrar-se ao PSB e, quem sabe, disputar a prefeitura de Porto Velho.

Expedito Júnior

Expedito Júnior, a culpa não foi sua! Pode acreditar. Como se diz, combateu o bom combate. Fez tudo certinho. Apresentou o melhor programa de governo, dentre os dois candidatos que foram para o segundo turno. Respeitou as leis, as pessoas e aos demais candidatos. Não entrou no jogo rasteiro do adversário que se utilizou de uma rede de difusores de fake news. Foi um massacre, assim como o foi Bolsonaro contra o PT, contra Haddad. Ah, esse sim, o grande culpado. Cresceu nas pesquisas alavancado por fake news, Jair Messias Bolsonaro (PSL) se elegeu presidente e elegeu também alguns postes, dentre eles, o próximo governador de Rondônia, coronel Marcos Rocha (PSL), que nem programa de governo próprio apresentou. Nem precisou. Os eleitores dele estavam pouco se lixando com propostas. “Depois nóis cobra ele”, disse um apoiador numa gravação espalhada pelas redes sociais.

Expedito Júnior 2

Portanto, caro Expedito Júnior -a quem este escriba aprendeu a respeitar, após conhecer de perto-você não teve culpa pela sua derrota. Foi um acaso, um ponto fora da curva. Isso jamais voltará a acontecer nos próximos anos. Até porque o governo Bolsonaro será um desastre, uma tragedia, da mesma forma o governo Marcos Rocha, que de rocha só tem o nome. Fugiu dos debates assim como o mentor dele, Bolsonaro. Expedito, cabeça erguida e bola pra frente. Rondônia vai precisar de um nome forte de oposição para 2022. Isso se Bolsonaro não aprovar uma PEC que estenda os mandatos de todos os governadores, e o dele próprio, por mais 10 anos.

Guajará-Mirim

O ex-candidato ao governo de Rondônia, Expedito Júnior tinha um grande projeto para gerar empregos em Guajará-Mirim. Fica pra próxima. Guajará votou em peso em Bolsonaro e Marcos Rocha. Mesmo após Eduardo Bolsonaro dizer que a cidade Pérola do Mamoré é o pior lugar do Brasil. Cada povo elege o político que merece. Aliás, não foi só Guajará, data vênia. Rondônia deu ao candidato Bolsonaro 72% dos votos. Só perdeu para o Acre que conferiu 77% dos votos ao fascista. Paciência, né?

Daniel Pereira

O governador de Rondônia, Daniel Pereira (PSB) quer deixar o governo em dezembro para o sucessor, Marcos Rocha (PSL) sem um rabo para o MP pisar. Está cuidando da sala, dos quartos e da cozinha. Tudo limpinho e cheiroso para o próximo inquilino. Os ratos já colocou pra correr.

 

(*) Roberto Kuppê é jornalista (rkuppe@gmail.com)

 

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