Por Roberto Kuppê (*)

Bolsonaro tem razão

O presidente Jair Bolsonaro,  fala à imprensa no Palácio da Alvorada

Em parte. Concordamos que poderá haver um pandemônio nos próximos dias se tudo continuar fechado como está em quase 100% no Brasil. Haverão assassinatos, saques à supermercados, à residências e à tudo que se move no País. Até aí, concordamos. Mas, a preocupação de Bolsonaro é apenas com a economia, ou com as consequências financeiras do coronavírus, em detrimento da saúde da população. Ele é da corrente de empresários que afirmam que estamos numa guerra e que baixas serão inevitáveis.

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O problema é que Bolsonaro não acreditava na epidemia que virou pandemia quando ele ainda estava em solo americano. Aliás, quando voltou, Bolsonaro trouxe na bagagem 26 membros da comitiva com coronavírus. Podemos afirmar que Bolsonaro potencializou o surto da doença no Brasil por agir tardiamente. Que a economia vai quebrar, isso temos certeza. A solução de imediato não seria abrir o comércio, as atividades empresarias, e sim, distribuir renda para milhões de brasileiros que serão afetados pela crise. Os recursos (bilhões e mais bilhões de reais) precisam chegar à totalidade da população pobre e carente, sem desvios, sem corrupção. O povo precisa se alimentar para evitar que saiam  às ruas a pedir, a roubar, a saquear.

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A coluna enxerga, porém, que o presidente Bolsonaro está preocupado apenas com o Véi da Havan, com o Véi do Madero, seus amigos e doadores de campanha. Não está um pingo preocupado com o povão. Mas, ao dar poder de compra ao povo, ele, certamente estará ajudando seus amigos apoiadores. Por isso é necessário que ele comece a distribuir os bilhões prometidos a bancos e empresários, diretamente ao povo consumidor, que é quem move a economia.

Bolsonaro finge que não sabe…

Jair Bolsonaro sabe da gravidade da epidemia do novo coronavírus. O Intercept teve acesso aos relatórios da Abin, a agência de inteligência do governo federal, que deixam claro o impacto da doença no Brasil. O mais recente deles projeta que 5.571 brasileiros deverão morrer por covid-19 até 6 de abril – ou seja, em duas semanas. Os informes sigilosos foram enviados também a agentes de governos estaduais. Os relatórios deixam ainda mais evidente o desprezo do presidente da República pela população: mesmo informado sobre quantas pessoas podem morrer, Bolsonaro segue fazendo pouco caso da emergência.

Véi do Madero

Visivelmente abalado, o empresário Junior Durski, dono dos restaurantes da rede Madero, afirmou em um vídeo publicado na sua conta do Instagram que o país não pode parar “por cinco ou sete mil mortes”. Para ele, “pior é o que já acontece no país”. Durski afirmou que os danos econômicos serão maiores do que as mortes que o vírus pode causar.

Prorrogação de tributos municipais

Carta aberta direcionada a prefeitos solicita novos prazos para ISS e IPTU:
Neste momento em que a quarentena imposta pela pandemia provocada pelo Coronavírus há grande perda de receita e os Pequenos Negócios serão os mais impactados durante este período, é preciso buscar soluções que amenizem a crise. Em defesa daqueles que representam cerca de 98% do tecido empresarial de Rondônia, diversas entidades se reuniram para propor a dilação de prazos referentes aos impostos municipais, junto aos gestores dos municípios. O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Federação das Indústrias de Rondônia (Fiero), Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Rondônia (Facer), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Rondônia (Fecomércio), Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Rondônia (FCDL) e Associação de Jovens Empresários de Rondônia (AJE), elaboraram um documento aberto, direcionado às prefeitas e prefeitos de Rondônia, buscando sensibilizar os municípios para esta questão, uma vez que os Pequenos Negócios necessitam de todo apoio que puderem receber neste momento mais delicado da economia do estado, do país e até mundial.
A iniciativa visa preservar não apenas as empresas e empregos, mas especialmente, manter a robustez da economia até que se passe todo o período mais delicado da pandemia. As entidades representativas esperam que os gestores sejam sensibilizados, uma vez que se trata de prorrogação de prazo (120 dias), ou seja, não haverá perda de receita das fazendas municipais. Partindo do princípio que é preciso a união de forças para superação de crises, a proposta elaborada em conjunto pode significar, inclusive, uma injeção de ânimo junto aos empreendedores de Rondônia neste momento de incertezas.

Energisa

A Energisa informa que está analisando as medidas anunciadas nesta terça-feira pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A empresa considera de extrema relevância o posicionamento do regulador nesse momento crítico que o país e a sociedade atravessam. Esse é um momento de profundas mudanças para a sociedade, no qual o espírito comunitário se torna ainda mais relevante. A empresa ressalta que está dedicada em manter o fornecimento de energia para seus mais de 7,8 milhões de clientes em todo o país, e que vai cumprir a determinação da Aneel de não realizar cortes em consumidores residenciais e de serviços essenciais à população durante os próximos 90 dias.

Marcos Rocha errou

O governador de Rondônia, Marcos Rocha (Patriotas) adotou algumas medidas importantes para evitar que a pandemia do coronavírus se alastrasse no Estado. Apesar disso, o governo erra feio no quesito comunicação e informação para a população. Ao insistir na estratégia de falar apenas por meio de redes sociais, Marcos Rocha se isola em uma bolha, que atinge menos de 50 mil pessoas. Sua última ‘live’, registrou pouco mais de 43 mil visualizações. O governo não tem uma estratégia de comunicação definida. Estão faltando campanhas educativas, hotsite com informações atualizadas e claro, campanhas objetivas pela internet. Durante vários dias a população ficou às cegas, patinando sem saber como proceder. De um lado, o presidente Jair Bolsonaro dizendo que tudo não passava de uma “gripezinha”. De outro o próprio governador, com uma forte gripe que quase virou uma pneumonia e o deixou de cama por vários dias.

Fabrício Jurado em Harvard

O jovem advogado rondoniense Fabrício Jurado retornou dos Estados Unidos há 15 dias e cumpriu quarentena voluntária. Fabrício que é pré-candidato a prefeito de Porto Velho pelo Democratas (DEM), esteve na Universidade de Harvard onde fez curso e assistiu a palestras sobre administração pública. Preocupado com o coronavírus, ele cobra das autoridades rondonienses providências:

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

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