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domingo, agosto 14, 2022

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Cantor diz ter sido vítima de racismo por PM em karaokê de Porto Velho: ‘Falou que a pele dele não era suja’

Um cantor e apresentador de 36 anos denuncia que foi vítima de racismo recentemente por um policial militar dentro de um karaokê em Porto Velho. Segundo Bruno Coutinho, o ataque aconteceu após ele chamar a mesa em que estava o homem para cantar, mas como ninguém respondeu, resolveu dar vez à mesa seguinte, o que teria enfurecido o PM. O caso foi registrado na Polícia Civil.

“Ele falou: ‘Quem você pensa que é para falar assim comigo? Eu sou branco dos olhos azuis! Olha para mim! A minha pele não é suja assim’ e apontou para o meu braço. E sempre deixando frisado que ele era branco dos olhos azuis, que era um lord, que era uma pessoa da realeza”, contou Bruno.

As ofensas aconteceram na noite de 9 de outubro, uma sexta-feira. Conforme Bruno, que também desabafou sobre o caso nas redes sociais (veja abaixo), o PM foi até ele já alcoolizado e, depois do ataque racista, ofendeu os outros funcionários do estabelecimento dizendo que não teriam “como comprar os ouros que ele usava”. O policial militar era cliente do karaokê.

 

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desabafo! aqui racista não vai mais ter vez!!!

Uma publicação compartilhada por Bruno negão (@brunonegaopvh) em

“Apesar de ser muito inconveniente nas vezes em que estava no karaokê, sempre o tratei muito bem, de uma forma respeitosa como trato todos os clientes. Mas nunca chegou em uma ação dessa de racismo”, complementou o cantor.

Bruno contou que o caso será levado ao Ministério Público junto de seu advogado e garantiu que dará prosseguimento na Justiça.

“Ouvi minha família e falaram que tenho que seguir em frente com isso. Sinceramente, quero que ele pague pela conscientização das coisas que ele falou não só para mim, mas aos outros funcionários. Gostaria que ele aprendesse e pagasse por isso um dia sim”, declarou.

“Nós, pretos, nunca temos a oportunidade de falar. E quando falamos somos menosprezados. Quando acontece com a gente é quando escutam ou dão alguma atenção para isso. Espero que isso sirva para a gente ter voz”.

A responsável pelo karaokê presenciou os ataques aos funcionários e informou que repudia qualquer ato preconceituoso e racista. “Até porque nós recebemos todo tipo de pessoa. Vem famílias, vai a classe LGBT. Não aceitamos nenhum tipo de preconceito e nunca presenciamos algo assim”, disse Laís Fernandes.

Por telefone, o PM negou ao G1 que tenha atacado Bruno e os funcionários do karaokê. Através da assessoria, a PM informou que a corregedoria irá averiguar o caso e que posteriormente vai se pronunciar.

Racismo x injúria racial

 

De acordo com o artigo 140, parágrafo 3º do Código Penal, injúria racial se refere a ofensa à dignidade ou decoro utilizando palavra depreciativa referente a raça e cor com a intenção de ofender a honra da vítima.

O crime de racismo, previsto na Lei n. 7.716/1989, é aplicado quando a ofensa discriminatória é contra um grupo ou coletividade. Por exemplo, impedir que negros tenham acesso a estabelecimento comercial, privado etc.

Pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de junho de 2019, atos preconceituosos contra homossexuais e transexuais devem ser enquadrados no crime de racismo.

Fonte: G1

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