manadaRealizar caçadas à búfalos no Vale do Guaporé, em Rondônia, poderá alavancar o turismo da região e resolver um grande problema. Assim como no Pará, os búfalos do Vale do Guaporé foram levados para lá pelas mãos do homem. Na década de 50, o governo de Rondônia teve a ideia de transportar 30 cabeças da Ilha do Marajó para a fazenda Pau D’Óleo. A ideia era que o rebanho produzisse leite, carne e ajudasse a desenvolver comunidades carentes da região. O projeto não deu certo e os 30 búfalos foram soltos na floresta, em 1953. Todos, até então, eram dóceis. O bando solitário seguiu para o Vale do Guaporé, uma região pantanosa. No alagado, eles encontraram as condições ideais para reprodução. Hoje, 53 anos depois da soltura, os 30 búfalos transformaram-se em 15 mil e num problema ecológico. Aquela geração dócil não existe mais. A nova geração é selvagem, embrutecida e violenta. E mais: eles nunca viram um homem pela frente. Quando o vê, a manada se junta em grupo de 30 e ataca.

Os búfalos têm sido objeto de planos de controle em várias partes do mundo,notadamente na Austrália, uma vez que os impactos causados pela espécie em ecossistemas nos quais ela é exótica são considerados graves. Estes impactos na biodiversidade podem ser desde mudanças na vegetação e compactação de solos até a introdução de doenças infecciosas exóticas nas populações de espécies nativas.

O governador de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB), chegou a discutir em 2011 medidas que seriam adotadas para abater os búfalos selvagens que vivem na fazenda Pau D’óleo que fica dentro da reserva biológica do Vale do Guaporé.

Na ocasião o pesquisador da Embrapa, professor Ricardo Gomes Araujo Pereira que pesquisa os búfalos desde 1983 apresentou um projeto de abate dos animais que deverá ser desenvolvido por um período de 10 anos. A meta é abater 540 búfalos por ano, a carne seria transformada em charque e comercializada no mercado interno.

A caça aos búfalos poderá atrair turistas do Brasil inteiro e do exterior também. A carne e os subprodutos dos animais abatidos serviriam para abastecer a merenda escolar da rede de ensino público e para presídios.

Abate autorizado em 2000

Os técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) tomaram uma decisão drástica no ano 2000: condenaram à morte 15.000 búfalos que vivem numa reserva biológica no Estado de Rondônia. São animais que escaparam de uma fazenda de pecuária experimental há trinta anos e se tornaram selvagens. A decisão, inesperada num órgão cuja missão é proteger a fauna e a flora nacional, explica-se por dois motivos. Primeiro, o búfalo é um animal doméstico de origem estrangeira e, portanto, sem direito à proteção. Segundo, porque as manadas estão destruindo o habitat de dezenas de espécies nativas, entre elas a onça-pintada e o cervo-do-pantanal. O plano é organizar expedições de caçadores interessados em matar os búfalos e exterminá-los completamente.

A decisão da matança foi tomada como último recurso, já que fracassaram todas as tentativas feitas até agora para expulsar os búfalos da Reserva Biológica do Guaporé. Os animais estão espalhados em 600.000 hectares de paisagens muito diversificadas, com áreas inundáveis típicas do Pantanal, da Floresta Amazônica e do cerrado. A estimativa é de que serão necessários até dez anos para acabar com a manada de búfalos. Os critérios para abate serão precisos. “Não vai ter nenhum aventureiro dando tiros de calibre 38 nos animais”, explica Fernando Dal’Ava, coordenador da Divisão de Fauna e Flora do Ibama. Primeiro, os caçadores especializados em animais de grande porte atirarão contra as fêmeas. Depois, será a vez dos machos e, no fim, dos filhotes. Além de matar os búfalos, os participantes dessas caçadas, recrutados em clubes de tiro e caça, terão de esquartejar e salgar a carne dos animais no próprio local, para que ela possa ser consumida. A intenção do Ibama é doar tudo às populações carentes da região.

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