Por Júlio Quadros

O famoso conto de Christian Andersen, O Patinho Feio, pode estar sendo concretizado nestas eleições. No conto original, o patinho feio é rejeitado desde o nascimento e foi expulso de casa pela mãe. Com o passar do tempo, transformou-se num belo cisne e foi admirado desde então.

Na realidade a mãe pata havia chocado o ovo de um cisne, e nasceu então aquele patinho feio, grandão e desajeitado, logo rejeitado. O tempo cuidou de trazer a verdade à tona. Nestas eleições, o patinho feito é o advogado Breno Mendes, autointitulado “Fiscal do Povo”.

Rejeitado pelo prefeito Hildon Chaves, que teve de livrar-se do seu chefe de gabinete e depois presidente da EMDUR, Breno Mendes sempre teve perfil muito ativo, combativo até, sendo reconhecido como um trator D8 no trabalho e na sua luta em defesa do povo e daqueles esquecidos até a próxima eleição.

Identificado como o único defensor legítimo da população carente, principal atacante da Energisa e seus abusos junto aos consumidores, Breno Mendes encarna o papel único de antagonista do prefeito Hildon Chaves, ou seja, é o pré-candidato com mais condições de enfrentar o atual prefeito nas urnas, se este vier a confirmar sua candidatura.

Dentre todos os candidatos, Breno Mendes tem a maior rede digital, com mais de 160 mil seguidores no Facebook, deixando bastante poeira para o segundo colocado, o prefeito Hildon Chaves, com 44 mil. No Instagram, segunda maior rede social em importância digital, Breno tem quase 27 mil seguidores e Hildon 18 mil. Portanto, Breno Mendes tem, de fato, o maior lastro digital para esta campanha.

Aliás, considerando as enormes restrições impostas pela COVID-19, o ativo digital do advogado Breno Mendes coloca-o virtualmente no segundo turno junto com o atual prefeito, e poderá eleger-se considerando sua gigantesca e capilarizada base de apoiadores na capital Porto Velho.

Nos últimos dois anos, Breno Mendes trabalhou intensivamente para construir essa base bem ancorada em praticamente todos os bairros, além do apoio irrestrito que tem junto aos taxistas, mototaxistas e diversos grupos organizados de base popular como camelôs, ambulantes e informais que buscam regularização.

O problema de todos os pré-candidatos é que não se posicionaram claramente nas redes sociais, exceto Breno Mendes, ainda que de modo muito amador. É bastante óbvio que a campanha digital vai determinar o sucesso ou fracasso de qualquer candidatura, seja a prefeito ou vereador, e praticamente todos os candidatos estão imobilizados.

Parece haver uma paralisia coletiva e o resultado é uma campanha anêmica nos principais canais digitais. Não há propostas, projetos, debates, discussões, posicionamentos, nada. É como se não tivéssemos eleições este ano. Mais, nenhum candidato construiu ainda uma rede digital de apoiadores.

Breno Mendes tem apenas um senão nessa trajetória: sua ligação com o ex-senador Expedito Júnior, único obstáculo à caminhada rumo ao Prédio do Relógio, novo gabinete do prefeito. Aliás, outro problema é do prefeito Hildon Chaves, pois até as baratas do Palácio Tancredo Neves sabem que Expedito é quem manda na prefeitura e no prefeito, e isto certamente terá um preço nestas eleições.

Breno Mendes tem vigorosa pauta que poderá torna-lo o candidato mais forte: municipalizar a CAERD, colocando ponto final nos desatinos do saneamento básico da capital, e recontratando os ativos humanos da estatal quebrada. Poderá, finalmente, construir uma central de abastecimento, favorecendo fortemente a produção local de alimentos e a economia regional. E, como terceiro eixo, reestruturar e organizar, definitivamente, a Saúde, um setor sempre recheado de conflitos e que submete a população a muito sofrimento.

Enfim, Breno Mendes, o patinho feito, poderá surgir em 29 de novembro, como o belo cisne que vai dirigir uma prefeitura quebrada, de uma cidade maquiada, e que não esconde seus maus tratos e abusos reiterados. Ou, no mínimo, terá feito a estrada para 2022 como candidato a deputado estadual.

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