pepEstá no forno quase ao ponto o blog Política & Poder, assinado pelo jornalista e empresário Roberto Kuppê, 53.  A equipe que está confeccionando o site está dando os últimos retoques. Sediado no Rio de Janeiro, o blog vai ter abrangência nacional e é especializado em fatos políticos. RK é conhecido no Brasil inteiro por seus trabalhos jornalísticos e ações sociais.  Durante anos, ele foi assessor de políticos de Rondônia na capital federal (Brasília).

RK esteve no centro das denúncias que atingiram o procurador-geral da República do Distrito Federal e Territórios, Leonardo Bandarra, que desencadeou a Operação Caixa de Pandora e que prendeu o ex-go0vernador do DF, José Roberto Arruda.

Foi por conta de uma nota que publicou no blog dele que a promotora de Justiça do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) Deborah Guerner se aproximou do ex-secretário de Assuntos Institucionais do GDF Durval Barbosa. A história é contada em detalhes no relatório da Corregedoria-Geral do MPDFT.  No primeiro capítulo, revelou-se que Bandarra é acusado de ter vazado para Durval a minuta do mandado de busca e apreensão da Operação Megabyte. Com isso, Durval, que era o alvo principal, pôde desaparecer com documentos que o comprometiam e safar-se da operação. O segundo capítulo começa agora.

A nota publicada por Roberto Kuppê era intitulada MP contaminado. Kuppê dizia que Leonardo Bandarra, Deborah Guerner e seu marido, Jorge Guerner, estariam envolvidos com irregularidades em contratos para prestação de serviços de coleta de lixo no Distrito Federal. De acordo com Durval, em depoimento prestado ao Ministério Público do DF no dia 9 de dezembro do ano passado, no final de 2007, ele foi procurado por uma assessora do governador José Roberto Arruda, de nome Cláudia Marques.

Ela agiu então como intermediária do casal Deborah e Jorge Guerner. Como Durval tinha, desde a época em que era presidente da Companhia de Desenvolvimento do Planalto (Codeplan) no governo Joaquim Roriz, contatos com pessoas do ramo da informática, o casal queria saber se ele tinha como tirar do ar a nota de Kuppê e todos os seus desdobramentos pela internet. Àquela altura, diziam eles, a nota já seria motivo de comentários de leitores dos blogs dos jornalistas Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi, da revista Veja.

Naquele momento, Bandarra buscava ser reconduzido ao cargo de procurador-geral da República do DF e Territórios. Segundo o depoimento de Durval, a nota podia prejudicar os planos de Bandarra. Segundo lhe diziam Cláudia Marques e Deborah Guerner, o então procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, teria orientado Bandarra a retirar das páginas de vários sites aquela notícia negativa. Do contrário, ele não poderia reconduzi-lo ao cargo principal do MPDFT.

Se Durval conseguisse fazer o que o casal Guerner lhe pedia, seria recompensado posteriormente com os favores do Ministério Público, recebendo ajuda nos processos.

O que se deu em seguida parece ter sido uma eficiente ação de hackers contra as páginas nas quais a tal nota estava incluída.

Durval alegou não ter conhecimentos técnicos para tal tarefa. Procurou um amigo, de nome Renato Martins Júnior, que entrou em contato com outro amigo, da área de segurança da informação (de nome Rodrigo Carpes), e, ao cabo de 20 dias, eles deram sumiço à nota de Kuppê.

Nenhuma dúvida existe de que Durval Barbosa providenciou a retirada de sites da internet da matéria “MP contaminado”, veiculada no blog de Roberto Kuppê, conclui o relatório da Corregedoria-Geral do MPDFT, assinado pela corregedora-geral, Lenir de Azevedo.

A nota, diz a corregedora, de fato desapareceu, e Leonardo Bandarra foi reconduzido ao cargo de procurador-geral do MPDFT no dia 3 de julho de 2008. De acordo com o que é narrado no texto da corregedoria, os hackers conseguiram encontrar menções à nota no blog de Reinaldo Azevedo. Não foi encontrado nada no de Diogo Mainardi.

A primeira providência foi retirar, então, da seção de comentários e do blog do Kuppê as referências à nota. Alguns dias depois, porém, Durval entrou em contato com Rodrigo Carpes: O procurador está puto, porque nós dissemos que o trabalho estava pronto e não estava. Os dois passaram a digitar, então, Leonardo Bandarra no site de buscas Google. Encontraram ali a tal nota. O técnico explicou que aquilo era a memória do Google, a nota original não existia mais.

O técnico iniciou, então, um segundo trabalho, para retirar do Google a referência ao que chamava de links quebrados. Após um tempo, a pesquisa com o nome Leonardo Bandarra não mais retornava o resultado do link das notícias do blog.

De acordo com depoimento de Renato Martins Júnior ao Ministério Público, Durval e Carpes chegaram a fazer um relatório onde explicavam como tinham feito a nota de Kuppê sumir da internet. No relatório, eles mencionaram ter executado esse serviço se valendo de um robô. Na realidade, porém, segundo Cláudio, os dois estavam tentando valorizar seu trabalho: não teriam de fato usado robô algum e teriam falhado em retirar referências à nota da seção de comentários de Diogo Mainardi. Segundo Renato Martins Júnior, o que foi feito foi solicitar ao Google o descadastramento dos links que se referiam à nota original.

Com informações do Congresso em Foco

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