Aviação agrícola de Rondônia preocupa segurança na região

asegurançaO Sétimo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa VII) promoveu neste mês o primeiro Simpósio de Segurança de Voo de Rondônia.

O evento contou com a participação de profissionais da aviação e universitários dos cursos de direito, ciências biológicas, psicologia e engenharia mecânica.

De acordo com o tenente-coronel aviador Alexandre Ricardo do Carmo, chefe do Seripa VII, a proposta do simpósio teve como objetivo disseminar a segurança de voo em nível regional, incluindo a multidisciplinaridade das áreas profissionais que interagem com o mundo da aviação.

“Também queremos evidenciar aspectos relacionados à  formação e a atividade do piloto aeroagrícola da Região Norte”, acrescentou.

Segundo dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) 6,98% dos acidentes aeronáuticos na aviação brasileira ocorrem na Região Norte, com a incidência de 4,15% no Estado da Amazônia.

Rondônia aparece com 0,76% das ocorrências aeronáuticas registradas pelo órgão nacional investigador.

Atualmente a expansão da agricultura desponta no estado de Rondônia semelhante ao que acontece na Região Centro-Oeste, explicou o tenente-coronel Ricardo.

“Essa nova fronteira agrícola intensifica o uso de aeronaves na pulverização de lavouras, e por isso, a troca de experiência com o órgão regional do Sul enriqueceu nosso debate”, afirmou.

Palestras

O encontro desenvolveu diversos temas de prevenção de acidentes aéreos: A Criminalização nas Operações Aéreas, com a participação do juiz federal Ari Queiroz, do Tribunal de Justiça do estado de Goiás, e o Salvaero e Equipamentos de Localização de Emergência, na visão do Major-Brigadeiro do Ar Jorge Kersul Filho, ex- chefe do Cenipa.

A prevenção do Risco de Fauna, também foi abordada na apresentação da bióloga Thaíse Barbosa, da Infraero.

Também foram debatidos temas como: As Ações de Prevenção do Fator Humano, pela tenente-Coronel psicóloga Laura Suely Cavalcante, do Cenipa; e Segurança de Voo na Aviação Agrícola, a cargo do tenente-coronel Aviador Carlos Emmanuel de Queiroz Barboza, chefe do Seripa V, que discorreu sobre as peculiaridades do trabalho desenvolvido na Região Sul.

Aeroagrícola
A equipe do Seripa V, composta pelo tenente-coronel aviador Carlos Emmanuel de Queiroz Barboza e pelo capitão aviador, Vinícius Martini Perez, levou para o simpósio a experiência de investigação de acidentes aéreos na região sul, que corresponde a 35% dos casos no Brasil.

Ela comentou sobre os acidentes na aviação agrícola, a realização de diversas atividades educativas e a criação do curso de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos para Aeroagrícolas, único do gênero desenvolvido no Brasil.

Segundo o militar, vários aspectos necessitam de melhorias para mitigar os números de ocorrências aeronáuticas na operação aeroagrícola.

“A deficiente formação do piloto e a ausência de uma cultura organizacional refletem no planejamento de voo. Situações como a consulta aos manuais sobre o desempenho da aeronave, o conhecimento terrestre e aéreo da área a ser pulverizada e a padronização nos procedimentos de emergência, são alguns exemplos de dificuldades enfrentadas pelo piloto”, afirmou o chefe do Seripa V.

O tenente-coronel Queiroz ainda explicou que, os profissionais aeroagrícolas (pilotos, auxiliar de pista, técnico agrícola, empresários e outros) apresentam “baixo estado” de alerta situacional aliado à falta de mentalidade de segurança de voo.

“O julgamento do piloto é decorrente da inadequada avaliação dos aspectos da operação pela inexperiência na aeronave e na própria atividade agrícola, bem como as condições no ambiente de trabalho”, destacou.

Já o capitão Perez aproveitou a oportunidade para focar em relação aos padrões de peso, balanceamento e performance das aeronaves. Ele observou tópicos relacionados à ultrapassagem dos limites previstos nos manuais do fabricante.

“Ocorrências dessa natureza costumam ser fatais, em virtude da perda de controle em voo”, alertou.

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