Suspeitas estão relacionadas à invasão de dados de computadores de universidades, doações financeiras suspeitas, e ameaças sofridas por opositores a China.

O Parlamento australiano se prepara para abrir uma investigação sobre a possível influência estrangeira em suas universidades públicas, informou nesta segunda-feira (31) um ministro, após suspeitas de atividades suspeitas da China.

O comitê parlamentar de inteligência está considerando abrir uma investigação após uma série de controvérsias sobre a influência da China nos campi australianos.

Essas suspeitas estão relacionadas, em particular, à invasão de dados de computadores de universidades, doações financeiras suspeitas, bem como ameaças supostamente sofridas por opositores a Pequim.

As preocupações também estão relacionadas à natureza dos vínculos de pesquisa entre acadêmicos e cientistas dos dois países.

O ministro da População, Alan Tudge, disse à rede Sky News que a investigação faz parte dos esforços do governo para combater a interferência estrangeira que atingiu “níveis nunca vistos desde a Segunda Guerra Mundial”.

Na semana passada, o governo anunciou que pretende se dotar de novos poderes para acabar com acordos entre autoridades locais e países estrangeiros que ameacem o interesse nacional, poderes que se estenderiam às universidades.

“Nós, assim como toda a população, precisamos ter certeza de que não há interferência estrangeira nas universidades”, declarou Tudge, sem especificar se a investigação era direcionada à China.

De acordo com o jornal The Australian, o ministro do Interior, Peter Dutton, esclareceu a estrutura dessa investigação em uma carta dirigida ao chefe da comissão parlamentar, Andrew Hastie, na qual critica abertamente a China.

Os assessores de Dutton não responderam aos pedidos da AFP de comentários sobre o assunto.

As diretrizes para as universidades, anunciadas em novembro, exortam-nas a melhorar seus sistemas de segurança cibernética, conduzir verificações antes de assinar parcerias com organizações estrangeiras e treinar seus funcionários para reconhecer tentativas de influência estrangeira.

Também pede aos acadêmicos que desconfiem de compartilhar conhecimentos sobre assuntos delicados e para que tenham discernimento de como o trabalho de pesquisa conjunto com acadêmicos estrangeiros pode ser mal utilizado.

Pequim negou repetidamente qualquer interferência nas universidades australianas.

As relações entre a China e a Austrália se deterioraram nos últimos meses, especialmente depois que as autoridades australianas pediram uma investigação internacional para determinar a origem da pandemia de coronavírus, que apareceu na China no final de 2019.

Desde então, a China adotou uma série de medidas desfavoráveis às importações de produtos agrícolas australianos.

Fonte: G1

Por France Presse

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