indioDe 9 a 11 de junho, reunidos em Porto Velho (RO), missionários e parceiros do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Rondônia, assim como representantes dos povos Arara, Karitiana e Cassupá, realizaram a 30ª Assembleia Regional da entidade, com o tema “Mística Missionária do Cimi, em tempos de ameaças aos direitos dos povos indígenas”.

A assembleia teve a participação do presidente do Cimi, Dom Erwin Kräutler, e foi elaborado um documento com as principais análises sobre a conjuntura sociopolítica e indigenista regional e nacional. “Das 49 terras indígenas no Estado de Rondônia apenas 20 estão demarcadas. São inúmeros os conflitos decorrentes das paralisações de todos os processos demarcatórios, provocando preconceitos, discriminação, disseminação do ódio e a criminalização de lideranças e povos indígenas, a exemplo dos Tenharin, Puruborá, Karitiana e Kaxarari”.

O documento denuncia ainda a manobra governamental para viabilizar a criação do Instituto Nacional de Saúde Indígena (INSI), que representa a privatização do sistema de saúde indígena no país e é “alvo de críticas permanentes dos povos indígenas e seus aliados”.

Leia abaixo o documento na íntegra:

 

DOCUMENTO FINAL DA XXX ASSEMBLEIA DO CIMI REGIONAL RONDÔNIA

 

Nós, membros do Conselho Indigenista Missionário – Regional Rondônia, estivemos reunidos em nossa XXX Assembleia Regional, com o tema “Mística Missionária do Cimi, em tempos de ameaças aos direitos dos povos indígenas” e assessorados por D. Erwin Krautler, entre os dias 09 a 11 de junho de 2015, no Centro de Formação Betânia, em Porto Velho – RO. Marcaram presença: missionários, agentes de pastorais, representantes da Rede de Educação Cidadã, Projeto Padre Ezequiel Ramin, Coordenadores de Pastoral da Arquidiocese de Porto Velho e Diocese de Ji-Paraná, Comissão Pastoral da Terra, Dom Antonio Possamai – Bispo Emérito de Ji-Paraná, Irmã Dalvina Maria Pedrini, Ministra Provincial das Irmãs Catequistas Franciscanas, representantes dos Povos indígenas Arara, Karitiana e Cassupá, que lutam pelo projeto milenar dos povos indígenas, o ‘Bem Viver’ para todos.

Motivados por este tema analisamos a conjuntura sociopolítica e indigenista regional e nacional. Constatamos que continua em curso o processo de violências e violações contra os povos indígenas e seus direitos. O modelo econômico desenvolvimentista e os grandes projetos econômicos, REDD+, interferem em territórios indígenas, em total desrespeito aos direitos constitucionais.

Das 49 terras indígenas no Estado de Rondônia apenas 20 estão demarcadas. São inúmeros os conflitos decorrentes das paralisações de todos os processos demarcatórios, provocando preconceitos, discriminação, disseminação do ódio e a criminalização de lideranças e povos indígenas, a exemplo dos Tenharin, Puruborá, Karitiana e Kaxarari.

Denunciamos a privatização da saúde indígena na manobra do governo em criar o Instituto Nacional de Saúde Indígena (INSI), alvo de críticas permanentes dos povos indígenas e seus aliados.

A mística que nos alimenta e nos impulsiona é a do anúncio da Boa Nova do Reino de Deus, do Bem Viver; do testemunho da nossa fé na justiça e na dignidade humana, do serviço aos povos indígenas, de sua integridade física e cultural e do diálogo permanente com as diferentes culturas e suas religiões.

Por fim, continuamos a denunciar a violência que fere os direitos dos povos indígenas e reafirmamos o nosso compromisso profético, missionário e solidário, em defesa da vida, da dignidade e dos direitos dos povos indígenas, garantidos pela Constituição Federal.

 

Porto Velho, 11 de junho de 2015.

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