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quinta-feira, agosto 11, 2022

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ALERTA RONDÔNIA: Tempestades destrutivas atingirão muitos estados do Brasil, alerta INPE

Meteorologistas do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe) e Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ambos órgãos oficiais, alertam para a possibilidade de tempo severo a partir deste domingo (01) em parte do Brasil.

São esperadas tempestades com precipitação de até 60 milímetros por hora, rajadas de vento de até 100 km/h, além de muitos raios e granizo.

“No domingo (01/10), um novo cavado em níveis médio deverá se deslocar de oeste sobre a Argentina, e a advecção de vorticidade ciclônica na vanguarda deste sistema, deverá favorecer a queda de pressão em superfície, dando origem a uma nova onda frontal. A frente fria associada a este sistema deverá provocar forte instabilidade sobre o RS e oeste dos estados de SC e PR, além do sul de MS. Na segunda-feira (02/10), a frente fria deverá continuar avançando sobre o o Brasil e a tendência é que esse deslocamento gere forte instabilidade entre o MS, centro-sul do MT e de RO, sul de GO, norte e centro-leste do PR, centro-leste de SC, grande parte de SP, triângulo e sul/sudeste de MG. “

 

 

Conforme descrito pelo Cptec/Inpe, um cavado – área alongada de baixa pressão – estará cruzando a Argentina e influenciará as condições meteorológicas rapidamente também na Bolívia, Paraguai, Uruguai, além do centro-sul do Brasil.

A carta sinótica de altitude desenvolvida pelo Cptec/Inpe às 6 horas (UTC), 3 horas (Brasília), mostrou o deslocamento do cavado sobre a América do Sul.

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No mesmo horário, a carta de superfície evidenciou o deslocamento do cavado entre a Argentina e o Uruguai, onde tormentas foram registradas.

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Logo pela manhã, a linha de instabilidade (LI) principal do sistema avançou com força sobre municípios do Uruguai. No departamento de San José, a LI produziu uma extensa nuvem prateleira que antecedeu chuva pesada, granizo e fortes rajadas de vento.

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A imagem gerada pelo satélite Geostationary Operational Environmental Satellite (GOES) 13 às 8h15min mostrou topos de nuvens com temperatura muito baixa, o que indica desenvolvimento vertical, avançando pela Argentina e Uruguai rumo ao Rio Grande do Sul.

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A imagem integrada dos radares meteorológicos de Santiago, no Rio Grande do Sul e Santa Fé, na Argentina, mostrou a organização da LI principal sobre os departamentos uruguaios de Artigas e Salto, com deslocamento para o sudoeste e sul gaúcho.

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Em Rosário, capital da província argentina de Santa Fé, dados de Meteorological Aerodrome Report (METAR) do aeroporto local reportaram chuva forte com trovões e rajada máxima de vento de 94,5 km/h às 2h50min (local) deste domingo. A pressão atmosférica mínima chegou a 996 hPa, valor considerado baixo.

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As mais diferentes simulações numéricas concordam para a possibilidade de um “outbreak”, ou seja, um “surto” de tempo severo em vários estados do Brasil nas próximas 24 horas, inclusive com valores sugestivos para tormentas mais graves, o que poderia impactar a população, principalmente com danos materiais generalizados.

Embora os órgãos oficiais brasileiros não traduzem essas variáveis – talvez pela mentalidade de não apavorar a população – como fazem países onde a meteorologia é levada a sério e tem muito mais credibilidade, não seria inédito que pontos especialmente de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo experimentassem tempestades severas nas próximas horas dadas às condições que alimentam os sistemas.

Um dos ingredientes principais para a rápida instabilização do tempo e o aumento da possibilidade de tormentas ao longo deste domingo e da segunda-feira (02) sobre o Brasil é o comportamento do Jato de Baixos Níveis (JBN).

Esse máximo de ar quente que parte da Amazônia e sempre escoa à leste da Cordilheira dos Andes serve como potencializador das áreas de baixa pressão e neste momento há uma baixa pronunciada na região do Chaco, entre a Bolívia e Paraguai, com valores que tendem a cair para 995 hPa nas próximas horas. O escoamento do JBN sobre a Baixa do Chaco seria como “jogar gasolina na fogueira”, descrevem alguns meteorologistas previsores.

As imagens abaixo são do modelo norte-americano Global Forecast System (GFS) que mostra o escoamento do JBN sobre o nível de 850 hPa (aproximadamente 1.500 metros de altitude).

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Os índices de instabilidade também estarão elevados dado o horário – meio da tarde, máxima radiação solar, logo aquecimento – e ao deslocamento e intensificação da baixa. A projeção abaixo indica valores de Convective Available Potential Energy (CAPE) projetados pelo modelo COSMO, do Inmet.

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Para método de comparação dos mapas acima, veja os valores referência para os índices CAPE e K para o comportamento atmosférico.

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Outros parâmetros de instabilidade atmosférica também indicam a possibilidade de tormentas, inicialmente no centro-sul do Brasil, além do Paraguai e nordeste da Argentina, nas próximas horas, como valores de Showalter, Lifted e Total Totals, também gerados pelo modelo COSMO. Eventos mais severos, deste modo, não podem ser desconsiderados.

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O modelo também desenha o cenário para a rajada máxima de vento, que em vários pontos, pode beirar ou até mesmo superar 80 km/h.

A unidade de medida nos mapas abaixo é em metros por segundo (m/s), de modo que um m/s equivale a 3,6 km/h.

Portanto, na escala do modelo, os valores correspondem a 14 m/s (50,4 km/h), 17 m/s (61,2 km/h), 20 m/s (72 km/h), 25 m/s (90 km/h), 28 m/s (100,8 km/h) e 32 m/s (115,2 km/h).

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A projeção abaixo mostra a taxa de precipitação acumulada a cada três horas feita pelo modelo European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF).

Vários municípios podem contabilizar valores acumulativos, acima de 30 milímetros por dia, e com total acumulado de até 100 mm, conforme o deslocamento da banda extensa e intensa de nebulosidade.

Conforme indicado pelo modelo, o eixo principal da LI levará chuva e vento forte, além de muitos raios e possibilidade de granizo, entre o início da noite de hoje e a próxima madrugada para municípios desde o sul do Rio Grande do Sul até o sudoeste de Mato Grosso.

No decorrer desta segunda-feira, a faixa de chuva e vento atravessará os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo chegando ao Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais (oeste, sudoeste e sul), Rondônia e sul de Tocantins.

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Já a projeção de precipitação acumulada feita pelo modelo GFS indica que até à 0 hora de terça-feira (03), o volume de chuva supere 100 mm em boa parte de Mato Grosso do Sul e Paraná, com destaque para municípios do noroeste e norte paranaense, onde taxas maiores podem ser registradas.

Apesar dos danos em que esse surto de tempestades poderá causar, a chuva será de grande valia para extinguir os focos de queimadas que seguem ativos, principalmente em Goiás, Mato Grosso e Rondônia.

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Os órgãos oficiais de meteorologia disseminam os avisos e as Defesas Civis, estaduais e municipais, tomam as devidas medidas para minimizar possíveis danos em decorrência desta onda de tempo severo, que atravessará o Brasil nas próximas 24 horas. Em caso de emergência, solicite auxílio pelo Corpo de Bombeiros ou Defesa Civil local.

(Crédito das imagens: Pablo Rodrigues/San José/Uruguai – Reprodução/Cptec/Inpe – Reprodução/Inmet – Reprodução/Ventusky – Reprodução/Windyty)

(Fonte da informação: De Olho No Tempo Meteorologia)

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