ADRIANO BOIADEIRO PODERÁ SER CASSADO POR ABUSO DE PODER ECONÔMICO NAS ELEIÇÕES DE 2014

Adriano Boiadeiro (em cima do cavalo)

Adriano Boiadeiro (em cima do cavalo)
Adriano Boiadeiro (o que está em cima do cavalo)

A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) em Rondônia ajuizou ação de investigação judicial eleitoral contra o deputado estadual Adriano Boiadeiro por abuso de poder econômico e político para favorecer sua campanha à reeleição no pleito de 2014. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) poderá decretar a cassação do registro de candidatura ou diploma dos investigados, bem como inelegibilidade por oito anos.

Segundo a PRE, o abuso de poder econômico teria ocorrido na distribuição gratuita de churrasco para uma comunidade em Porto Velho, durante transmissão dos jogos da Copa do Mundo, e no oferecimento de show ao vivo de banda local. No local havia inúmeras mesas e cadeiras, com decoração na rua e nos muros com as cores da seleção brasileira.

A Polícia Federal (PF) realizou diligência no local – próximo à escola Estudo e Trabalho, na rua 13 de setembro. O deputado estadual Adriano Boiadeiro era quem estava responsável pelo evento, sendo que ele mesmo era o responsável por preparar o churrasco em uma barraca armada em frente a uma residência.

De acordo com a PF, aproximadamente metade da rua estava fechada, com um portal de entrada na esquina e um palco montado. Em todas as mesas do evento havia uma ou mais revistas do Painel Político que apresentava na capa a manchete “A batalha do Boiadeiro”, distribuída gratuitamente, apesar de cada exemplar custar 10 reais.

Para PRE, Adriano Boiadeiro buscou cativar o eleitorado criando vínculo de simpatia, oferecendo benefícios generosos, quando já tinha demonstrado interesse em se reeleger como deputado estadual e foi escolhido em convenção partidária dois dias depois.

Cavalgada irregular

O deputado estadual também realizou cavalgada irregular na capital de Rondônia. A cavalgada causou tumulto de trânsito, elevada sonorização proveniente de diversos carros de som e a utilização de fogos de artifícios. Além disto, testemunhas relataram que houve até explosão de rojão, utilizado durante a carreata, no meio de pedestres que aguardavam no ponto de ônibus na avenida Sete de Setembro.

A única documentação que o Boiadeiro tinha para efetuar a cavalgada havia sido protocolada na Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito por volta das 12h30, sendo que o evento ocorreria entre as 14h30 e 15h do mesmo dia. A Polícia Militar não recebeu nenhuma informação do evento em tempo hábil.

Ao ser abordado por policiais, o deputado estadual usou o cargo público que ocupa, em tom ameaçador, para tentar impedir a interrupção da carreata – atitude que indica abuso de poder político.

A cavalgada passou perto de faculdades, delegacias e postos de saúde descumprindo a recomendação feita pela PRE sobre poluição sonora. Para a PRE, a conduta do candidato afetou o equilíbrio da disputa eleitoral e pôs em risco a população, desafiando autoridades ambientais e de trânsito.

Procuradoria Regional Eleitoral

As Procuradorias Regionais Eleitorais (PREs) estão presentes em todos os estados do Brasil e são estruturas do Ministério Público Federal que, junto com a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), defendem a democracia e a normalidade das eleições nos Tribunais Eleitorais. Essas unidades do MPF constituem – com os promotores de Justiça dos MPs estaduais designados pelos PREs para atuar como promotores eleitorais – o Ministério Público Eleitoral.

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