AbriLivre comenta frase do presidente Bolsonaro: “vamos tentar acabar com a bandeira branca dos combustíveis também”

Associação Brasileira dos Revendedores de Combustíveis Independentes e Livres (AbriLivre) afirma que fala de Bolsonaro causa estranheza já que o Governo trabalha com medidas que visam a redução dos preços nas bombas.

São Paulo, 06 de agosto de 2021 – Em visita a Joinville, nesta sexta-feira (06/08), o Presidente da República Jair Bolsonaro exclamou a seguinte frase: “vamos tentar acabar com a bandeira branca dos combustíveis também”, ao comentar sobre a precificação dos combustíveis.

Para a Associação Brasileira dos Revendedores de Combustíveis Independentes e Livres (AbriLivre), esta manifestação causa grande estranheza principalmente quando o atual Governo tem reiteradamente afirmado ser favorável à venda direta dos combustíveis das usinas e refinarias aos postos e, ainda, tem adotado medidas que visem a redução dos preços dos combustíveis nas bombas.

“Basta uma simples consulta aos “preços de compra” (aqueles praticados pelas distribuidoras de combustíveis em relação aos postos revendedores) e aos “preços de venda” (aqueles praticados pelos postos revendedores em relação aos consumidores finais), disponibilizados por distribuidoras e postos à ANP, para verificarmos que as distribuidoras e os postos bandeira branca têm, na grande maioria das vezes, praticado preços de compra e de venda mais baixos do que aqueles das distribuidoras e postos bandeirados”, destaca Rodrigo Zingales – diretor executivo da AbriLivre.

Segundo a associação, a razão para isto é simples: enquanto as distribuidoras “bandeira branca” sofrem a concorrência das distribuidoras bandeiradas para o fornecimento de combustíveis mais baratos aos postos bandeira branca; as distribuidoras bandeiradas detêm o monopólio sobre os postos “bandeirados” que ostentam a sua marca em razão da tutela do embandeiramento e dos contratos de exclusividade.

“Quando o preço da Petrobras diminue, as principais distribuidoras bandeiradas costumam não repassar, em sua integralidade, essa queda de preços aos postos vinculados a sua marca ou rede; no entanto, quando o preço da Petrobras aumenta, essas mesmas distribuidoras repassam aos postos bandeirados o aumento integral”, diz Rodrigo.

A AbriLivre ainda ressalta que por deterem o monopólio sobre postos vinculados às suas redes ou marcas, as distribuidoras bandeiradas, como, por exemplo, BR, Ipiranga e Raízen/Shell, cobram dos postos bandeirados preços mais elevados do que aqueles praticados por essas mesmas distribuidoras aos postos “bandeira branca”. Por pagarem preços de compra mais elevados, os postos bandeirados acabam sendo obrigados, normalmente, a cobrar dos consumidores preços mais elevados.

“Sendo assim, o fim dos postos “bandeira branca”, além de dificultar a implementação da venda direta defendida pelo Governo, apenas favorecerá às distribuidoras bandeiradas que terão ainda mais poder para cobrar dos postos revendedores preços mais elevados, aumentando assim seus lucros”, afirma o diretor executivo da associação, que complementa dizendo que os postos revendedores e os consumidores finais perderão com o fim dos postos “bandeira branca”.
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