RETICÊNCIAS POLÍTICAS – Por Itamar Ferreira *

 

Estou sentindo neste momento, sábado (24) e desde ontem às 13 horas, a trágica, terrível e profunda dor de perder alguém muito próximo, certamente um ente querido, para essa verdadeira praga do Egito, a Covid-19. Ele venceu a Covid durante o tratamento, mas foi vitimado por um AVC em seguida.

Essa praga que somada à uma outra igualmente destruidora, o negacionismo, já fez quase 400 mil vítimas no Brasil. A perda não é só para a família, mas para os amigos e para atividade profissional e social desenvolvida, portanto para toda sociedade.

Perdemos nosso querido amigo, irmão e companheiro de inúmeras batalhas, o José Pinheiro de Oliveira, carinhosamente conhecido como Pinheiro e para mim como o “Zé”. Eu era chamado por ele de “Véi”, apesar de termos idades próximas.

José Pinheiro de Oliveira, o Pinheiro, ou o Zé, não era um ser humano perfeito, até porque, ao que se saiba, na história da humanidade só teve um, que veio a este mundo na condição de filho de Deus. Mas uma coisa o Pinheiro era: um excelente pai e marido, um amigo para todas as horas e uma liderança sindical extremamente dedicada à causa dos trabalhadores, dos bancários em particular.

Sou suspeito, pela imensa amizade entre nós, ou talvez a ‘testemunha’ ideal para falar do grande ser humano que foi o Pinheiro. Nos conhecemos e começamos a trabalhar juntos em 1983, no Bamerindus em Ariquemes, que depois virou HSBC e em 2016 foi incorporado pelo Bradesco.

Trabalhamos juntos na mesma agência até novembro de 1987, quando fui ser dirigente do Sindicato dos Bancários de Rondônia (SEEB). O amigo Zé Pinheiro continuou no trabalho cotidiano do banco, foi transferido para o Acre e em meados de 2000 voltou a Porto Velho.

Com o seu retorno e a nossa amizade ele, mesmo sendo gerente geral da maior agência do então Bamerindus em Porto Velho, se aproximou da luta sindical. Por forças das circunstâncias quis o mesmo destino que eu o trouxesse pra direção do Sindicato.

Pinheiro ocupou vários cargos SEEB-RO, chegando à presidência da entidade, onde se destacou como líder nato, capaz de conciliar as divergências internas, mobilizar a categoria e conduzir, com firmeza e suavidade, a luta sindical cotidiana contra o assédio moral no trabalho apoio às vítimas de LER/DORT, defesa de condições dignas de trabalho dentre outras.

Pinheiro teve um desempenho tão excepcional na presidência do Sindicato dos Bancários que quebrou uma tradição: cada presidente do SEEB fica no máximo dois mandatos e ele estava no terceiro, pois ninguém se sentiu preparado para substituí-lo na última eleição. Tarefa que não será fácil pra nova liderança que assumirá o seu lugar, pois o patamar de comparação estabelecido pelo Pinheiro é  altíssimo. Mas com certeza o novo(a) presidente do SEEB terá todo o apoio do conjunto da diretoria e da categoria para essa hercúlea missão. Como ex-presidente SEEB estarei sempre à disposição.

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