Em discurso como candidato republicano na Casa Branca, presidente reescreve sua própria história e a de Biden com mentiras.

De um palanque montado nos jardins da sede do governo americano, o presidente Donald Trump distorceu a realidade do país, imerso numa pandemia com 180 mil mortos, desemprego acima de 10% e tensão racial, para atacar seu opositor como o protótipo do caos e da esquerda radical.

O problema é que o roteiro de Trump não fecha e carece de credibilidade: o alvo em questão é o democrata Joe Biden, que imprimiu a marca de moderado em quase meio século de vida política — oito anos dos quais na linha de frente do governo, como vice-presidente americano.

Ainda assim, o presidente se esforçou para forjar uma realidade quase distópica. Em 70 minutos, reescreveu com mentiras a própria história e a de Biden. Pintou o adversário como o destruidor de empregos e da grandeza americana, “um cavalo de Troia para o socialismo”, fantoche da China, defensor de guerras sem fim e permissivo com imigrantes.

“Levei quatro anos para reverter o que Biden fez em 47 anos.”

Ou seja, a alternativa a ele, Trump, é o pior pesadelo para os americanos: “Ninguém estará seguro na América de Biden.” É nesta cruzada deturpada contra a desordem social e econômica que o presidente tenta convencer os eleitores.

Na plateia de 1.500 pessoas – sentadas lado a lado, sem distanciamento social — faltaram os principais expoentes do Partido Republicano, agora dominado pela entourage do presidente. As máscaras, que o presidente tanto despreza, foram substituídas por bonés com o slogan trumpista: “Faça a América Grande Novamente”.

Trump optou pela música repetida e familiar aos ouvidos de seus partidários. Esquivou-se de responsabilidades na condução da pandemia do novo coronavírus, tratando-a como fato consumado. E rufou os tambores do medo, um dos parceiros do eleitor indeciso.

Como bem resumiu num tuíte o conhecido jornalista Dan Rather, a estratégia de reeleição de Trump parece ser a de que apenas Donald Trump pode salvar a América da América de Donald Trump. Mas esta é também uma tática de quem sabe que está em desvantagem.

Fonte: G1

Por Sandra Cohen

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