Mensagem dos Embaixadores dos Países de Maioria Muçulmana à Imprensa solicitando a substituição do termo Estado Islâmico pelo correspondente Daesh

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Imagem ilustrativa
São Paulo, 22 de setembro de 2017 – Os Embaixadores da Albânia, Azerbaijão, Arábia Saudita, Argélia, Bangladesh, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Malásia, Marrocos, Mauritânia, Mali, Omã, Palestina, Paquistão, Catar, Senegal, Síria, Sudão, Tunísia e Turquia, reunidos com a FAMBRAS – Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, vêm à imprensa com uma solicitação especial: o apoio no combate à islamofobia no Brasil. “Brasileiros que seguem o Islam como religião são, em primeiro lugar, cidadãos que trabalham, estudam, contribuem socialmente, politicamente e legalmente com suas obrigações. São exatamente como católicos, espíritas, evangélicos, umbandistas ou devotos de quaisquer outras crenças: brasileiros com direitos e deveres civis, que devem ser respeitados conforme a Constituição do País”, diz Ali El Zoghbi, Vice-Presidente da FAMBRAS.
O Islam é religião que mais cresce no mundo, com quase 2 bilhões de adeptos. No Brasil, estima-se que existam 900 mil muçulmanos, convivendo pacificamente com os adeptos de todas as demais religiões praticadas no país.
Os muçulmanos brasileiros são pais e mães de família, crianças e adolescentes, jovens estudantes ou idosos; empresários, intelectuais, profissionais liberais, médicos, jornalistas, advogados, engenheiros, professores, mestres e doutores, donas de casa, operários, varejistas, servidores públicos, policiais, atletas, pessoas comuns que, simplesmente, optaram em seguir uma religião que lhes tocou espiritualmente e lhes pareceu mais adequada. Porém, a maioria deles sofre com o preconceito a cada ataque terrorista, por ver os termos ‘islâmico’, ‘islamismo’ e ‘Islam’ serem usados erroneamente, aliados a grupos que não os representam. “Cada vez que os meios de comunicação citam o termo Estado Islâmico para se referir ao grupo que mata civis, aterroriza mulheres e crianças e reprime minorias religiosas, é como se condenasse todos os muçulmanos do mundo. Quem chama terroristas de Estado Islâmico e outros termos que os compara aos seguidores do Islam condena cada um dos verdadeiros muçulmanos de todo o mundo, aqueles que saem para trabalhar e estudar diariamente, que rezam em suas casas e mesquitas, que praticam boas ações e o jejum do Ramadan, que são as maiores e mais numerosas vítimas desses mesmos terroristas – porque a imprensa não pode se esquecer, jamais, que o maior número de vítimas do terror são os verdadeiros muçulmanos, que morrem todos os dias em áreas de paz e de conflito”, lamenta El Zoghbi.
Por que usar Daesh, em vez de Estado Islâmico
O grupo terrorista que se auto intitula Estado Islâmico nasceu em 1999 e foi batizado de ‘Organização do Monoteísmo e da Jihad’. Quando houve a invasão americana ao Iraque, tal grupo filou-se à Al-Qaeda, passando a se chamar ‘Estado Islâmico do Iraque’. Mas, na guerra civil Síria, absorveu vários outros grupos terroristas, mudando novamente de nome, em 2013, para ‘al-Dawla al-Islamiya fil Iraq wa’al Sham’. A imprensa, no Ocidente, não conseguiu se adaptar ao novo nome e o traduziu para ‘Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS)’ ou ‘Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL)’, siglas que aparecem na mídia internacional ainda hoje.
Para mostrar poderio mundial, os líderes do grupo terrorista iniciaram uma campanha para serem chamados definitivamente de Estado Islâmico, sem vínculo com qualquer país, já que sua única intenção é a de promover o terror no mundo inteiro. Quando esse grupo transformou a cidade de Raqqa na capital de seu califado, surgiu o termo DAESH (sigla para al-Daula al-Islamiya al-Iraq wa Sham – Estado Islâmico do Iraque e Sham [Levante]), mas que também é um trocadilho árabe para ‘Dahes’, a frase ‘aquele que semeia a discórdia’.
Os terroristas consideram o termo Daesh um insulto e cortam a língua de quem se refere ao grupo desta maneira. O ex-ministro inglês David Cameron e os ex-presidentes americano e francês, Barak Obama e François Hollande, não usavam Estado Islâmico em seus discursos, mas, Daesh. “Não podemos dar a um grupo de terroristas o status de Estado, porque Estado é um país soberano, com estrutura própria e politicamente organizado, é o conjunto das instituições que controlam e administram uma nação, é a forma de governo, regime político e totalitário. Tratá-lo por Islâmico também não é correto, porque é como dizer que cada um dos muçulmanos pertence a um grupo terrorista ou que um grupo terrorista representa quase 2 bilhões de pessoas no mundo – e essa acusação é completamente falsa. Depois, não podemos promover uma organização que existe exclusivamente para fazer o mal, reconhecendo-a exatamente como ela quer ser reconhecida. Tratar o grupo terrorista por seu acrônimo Daesh é uma forma de se opor claramente às suas ações, enquanto chamá-lo de Estado Islâmico é aclamar seus feitos”, pondera o Vice-Presidente da FAMBRAS.
O apelo da FAMBRAS e dos Embaixadores à imprensa brasileira
Por tudo o que aqui foi exposto, os Embaixadores dos países de maioria muçulmana vêm à imprensa brasileira solicitar que usem, a partir de hoje, o termo Daesh, em substituição a Estado Islâmico. Explicar ao público essa substituição trará à sociedade brasileira o esclarecimento de que os muçulmanos que vivem no Brasil são brasileiros, acima de qualquer outra coisa.
Está em tramitação na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei que dispõe sobre a punição de crimes de intolerância, preconceito, discriminação e violência contra a liberdade e o livre exercício de crença. Tal lei, quando aprovada, protegerá todas as pessoas que desejam proferir sua fé religiosa e nela se manter sem ser hostilizada ou assediada por essa escolha, direito assegurado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Carta da Organização dos Estados Americanos – OEA, das quais o Brasil é um dos seus primeiros signatários.
A imprensa pode ajudar, começando pelo combate à Islamofobia, que é o ódio em relação aos praticantes da fé islâmica.
Sobre a FAMBRAS
A Federação das Associações Muçulmanas do Brasil – FAMBRAS foi fundada em 1979 pelo Hajj Hussein Mohamed El Zoghbi. A entidade atua nos âmbitos religioso, social, econômico e diplomático, com projetos que visam a divulgação do Islam. A Federação também foi pioneira na implantação do conceito Halal no Brasil, se configurando como a mais importante certificadora do país.
A entidade foi criada com o intuito de fortalecer e unificar as associações muçulmanas atuantes no país para que elas se mantivessem comprometidas com as causas ligadas à comunidade islâmica, como a acolhida aos irmãos necessitados e a manutenção das práticas do Islam.
Nas áreas educacional e assistencial, a FAMBRAS atua de maneira exemplar, tanto em benefício da comunidade muçulmana quanto das comunidades carentes brasileiras, com projetos que propiciam o conhecimento do Islamismo como uma religião de paz e solidariedade.
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