Famílias denunciam omissão da empresa Santo Antônio Energia em Rondônia

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A ocupação ocorreu nesta semana e ápos as pautas de reinvidicações teriam sido encaminhadas o prédio foi desocupado / Francisco Kelvin / MAB

Cerca de cem pessoas atingidas por barragens ocuparam, por dois dias, o prédio da superintendência do Ibama em Porto Velho, capital de Rondônia. A ação teve resultado positivo. O grupo, atingido pela barragem de Santo Antônio, conseguiu marcar uma reunião pública com representantes da Agência Nacional de Águas e com o Ibama para tratar dos impactos socioambientais causados pela usina.

A reunião pública está agendada para o dia 13 de novembro. Participarão representantes da empresa Santo Antônio Energia, concessionária da usina, da comunidade e do Ministério Público Federal e Estadual.

O grupo ocupou o prédio na última segunda-feira (16) e permaneceu por dois dias. Os atingidos pedem o remanejamento das famílias que ainda estão em área de risco por causa da usina.

Ana Flávia de Nascimento, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) informa que, desde 2015, as famílias aguardam que a empresa cumpra com a determinação da justiça, realocando e indenizando as famílias.

“As escolas devem ser reconstruídas em outra área e as famílias indenizadas. Desde essa época a Santo Antônio [empresa] vem enrolado, não vem cumprindo, vem recorrendo e, no último caso, agora, a sentença saiu e não tem mais como a Santo Antônio recorrer. Ela perdeu, tem que retirar a comunidade entre outubro e abril”, conta.

Ana Flávia opina que a empresa não é transparente com as ações e medidas que dizem respeito ao cumprimento das condicionantes, termos que a empresa precisa cumprir e que seria condição para que a usina pudesse funcionar.

Muitas casas no distrito apresentam rachaduras, pisos que estão afundando e erosão, como é o caso da residência de Eliane Siqueira, de 36 anos: “O primeiro impacto foi em 2013 para cá. Em 2013 para começar eu tive que morar em outra casa, porque o piso da casa soltou todinho e a água ficou impossibilitada para uso. O primeiro impacto foi esse: eu tive que abri mão da casa que eu construí para morar com a minha família, que inclusive era uma casa boa”.

Eliane trabalhava no comércio no distrito, mas após a construção da usina a atividade praticamente acabou porque muitas pessoas foram embora por causa dos impactos ambientais. Ela mora há 15 anos na comunidade e aguarda que a empresa resolva a situação dela e de outras famílias.

A reportagem do Brasil de Fato procurou a empresa Santo Antônio Energia, por meio de sua assessoria de comunicação, para que pudesse se pronunciar, mas até o final desta edição não obteve retorno.

Fonte: Brasil de Fato

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